O que a Ponte Preta pode fazer para evitar WO na Série B após greve do elenco
Clube pode negociar com os profissionais ou recorrer a jovens já inscritos, mas não tem poder para suspender unilateralmente a partida contra o América-MG
A greve dos jogadores coloca em risco a participação da Ponte Preta na próxima rodada da Série B
Campinas, SP, 26 (AFI) – A greve iniciada pelos jogadores da Ponte Preta criou uma corrida contra o tempo nos bastidores do clube. A Macaca está escalada para enfrentar o América-MG no domingo (30), às 16h, no Independência, pela 25ª rodada da Série B, mas o elenco profissional decidiu suspender treinos e partidas até que as pendências financeiras sejam regularizadas.
Diante da paralisação, a diretoria possui dois caminhos principais para evitar um WO: chegar a um entendimento com os profissionais ou formar uma delegação com outros atletas que já tenham condições regulamentares de atuar na competição.
A primeira alternativa passa por apresentar uma solução financeira aos jogadores. Os atrasos de salários e direitos de imagem chegam a seis meses em alguns casos. O elenco havia estabelecido o dia 25 de agosto como prazo para receber uma resposta, mas iniciou a greve após não obter garantia de pagamento.
Apenas uma promessa da diretoria pode não ser suficiente. Os atletas anunciaram que permanecerão parados até a regularização das pendências, embora possam aceitar um acordo, um cronograma de quitação ou o depósito de parte dos valores. Qualquer retomada, entretanto, dependerá da concordância do grupo.
A paralisação encontra respaldo no artigo 90, parágrafo 5º, da Lei Geral do Esporte. O dispositivo permite que atletas profissionais se recusem a competir quando a remuneração estiver atrasada, total ou parcialmente, por dois meses ou mais.
Base pode ser utilizada, mas há exigências
Caso não consiga encerrar a greve, a Ponte pode tentar montar uma equipe com reservas e jogadores das categorias de base. A diretoria avalia essa possibilidade para garantir a presença do clube em Belo Horizonte.
Não basta, porém, convocar qualquer jovem do CT. Os atletas precisam estar registrados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, inscritos na Série B e sem suspensões ou outras restrições que impeçam a escalação.
Os transfer bans aplicados à Ponte também precisam ser considerados. As punições impedem o registro de novos contratos, mas não bloqueiam a utilização de jogadores que já estavam regularizados antes das sanções. Assim, jovens previamente inscritos podem representar a saída emergencial para o clube.
Pelas regras do futebol, uma partida não pode ser iniciada ou continuar se uma das equipes tiver menos de sete jogadores. Na prática, a Ponte precisaria organizar uma delegação apta a viajar, apresentar a documentação exigida e colocar em campo ao menos o número mínimo regulamentar. Trabalhar no limite, contudo, deixaria o clube vulnerável a qualquer problema físico, expulsão ou irregularidade.
A utilização de uma formação majoritariamente jovem evitaria o não comparecimento, mas criaria outro problema esportivo. A Ponte ocupa a lanterna da Série B, com dez pontos, e enfrentará justamente o América-MG, penúltimo colocado, com 11. Entrar em campo com uma equipe improvisada poderia ampliar a situação delicada na luta contra o rebaixamento.
Ponte pode pedir adiamento?
A diretoria também pode procurar a CBF para expor a situação e solicitar uma mudança de data. Essa alternativa, entretanto, não garante a remarcação. O clube não possui poder para adiar unilateralmente o jogo, e uma crise financeira interna não provoca automaticamente a suspensão de uma partida.
Caberia à CBF avaliar se existe fundamento regulamentar para alterar a tabela. Até o momento, não há informação de que a entidade tenha aceitado discutir um adiamento nem de que a Ponte tenha formalizado o pedido.
A realização da partida também envolve o América-MG, a operação do estádio, a arbitragem e as emissoras responsáveis pela transmissão. Por isso, qualquer mudança dependeria de autorização da entidade organizadora e de uma justificativa reconhecida como excepcional.
O que acontece em caso de WO?
Se a Ponte não comparecer com uma equipe em condições de disputar a partida, o América-MG poderá receber a vitória administrativa. O caso também deverá ser encaminhado à Justiça Desportiva.
O artigo 203 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê multa de R$ 100 a R$ 100 mil e a perda dos pontos em disputa para o clube que, sem justa causa, deixar de jogar ou provocar a não realização de uma partida. A aplicação das punições e o reconhecimento ou não de uma justificativa caberiam ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Além das possíveis sanções, o WO aprofundaria uma crise esportiva que já deixa a Ponte próxima de seu segundo rebaixamento em 2026. O clube caiu no Campeonato Paulista e está a 19 pontos do Avaí, primeiro time fora da zona de descenso da Série B.
A solução mais segura continua sendo um acordo com os profissionais antes da viagem a Belo Horizonte. Sem isso, a Ponte terá de recorrer aos jogadores disponíveis e devidamente inscritos para impedir que a greve resulte também na ausência do clube em campo.
Até a publicação desta matéria, a diretoria não havia anunciado pagamento, acordo com o elenco ou definição sobre a delegação que enfrentará o América-MG. O posicionamento mais recente dos jogadores mantém a paralisação por tempo indeterminado.





































































































































