Estudo mostra que 25% dos ex-atletas da NFL tiveram doença cerebral

Um em cada quatro jogadores da liga que morreram entre 2016 e 2021 tinham encefalopatia traumática crônica (ETC)

Pesquisadores utilizaram os cérebros de ex-jogadores para estabelecer uma estimativa sobre a presença da doença entre os atletas da liga

NFL
(Foto: Divulgação-Kansas City Chiefs)

Campinas, SP, 25 – Um estudo recente publicado no British Medical Journal mostrou que pelo menos um em cada quatro jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021 tinham encefalopatia traumática crônica (ETC).

O artigo da pesquisa realizada pela Mass General Brigham, Universidade de Boston e Concussion & CTE Foundation, divulgado nesta terça-feira, 25, analisou amostras de cérebros doadas entre 2008 e 2021.

ENTENDA

Como a ETC só pode ser identificada após a morte, os pesquisadores utilizaram os cérebros de ex-jogadores para estabelecer uma estimativa sobre a presença da doença entre os atletas da liga.

A partir das amostras, o modelo foi refinado considerando o período em que houve maior número de doações, além de características demográficas e informações presentes nas certidões de óbito.

Com base nessa análise, os pesquisadores estimaram que ao menos 25% dos 878 jogadores que atuaram ao menos em uma partida da NFL e morreram entre 2016 e 2021 tinham ETC.

O número, porém, pode ser ainda maior. Segundo Daniel Daneshvar, principal autor do estudo, a porcentagem representa o limite inferior da estimativa. O modelo apontou que a prevalência máxima possível da doença poderia chegar a cerca de 97%, mas a taxa real estaria entre os dois extremos.

IMPACTOS NA CABEÇA PREOCUPAM NFL E JOGADORES

O futebol americano é um esporte de contato com altos índices de impactos na cabeça. Ao longo dos últimos anos, atletas decidiram se aposentar precocemente por conta da gravidade das lesões.

Um caso que ganhou repercussão na mídia recentemente foi o de Tua Tagovailoa, ex-quarterback do Miami Dolphins e atualmente no Atlanta Falcons.

Desde que atua na NFL, o atleta já sofreu três concussões em campo. A primeira e a segunda aconteceram em 2022, enquanto a última ocorreu em 2024.

MAIS DETALHES

Ainda em atividade, o quarterback é um dos exemplos que movimentaram a discussão sobre as consequências dos impactos sofridos ao longo da carreira.

Um outro estudo publicado em junho de 2023 na revista “Nature Communications” encontrou associação entre a exposição acumulada a impactos na cabeça e a presença de ETC em ex-jogadores de futebol americano.

A pesquisa analisou dados de sensores instalados em capacetes e cérebros doados por ex-atletas. Os resultados apontaram que a quantidade e a intensidade dos impactos acumulados durante a carreira estavam relacionadas à presença da doença.