Entre a SAF bilionária e o risco de eliminação, Guarani decide futuro dentro e fora de campo

Bugre joga a temporada contra o Brusque no sábado e, poucos dias depois, associados votarão proposta que pode mudar toda a estrutura do clube

Enquanto o time busca uma vaga no quadrangular da Série C, o clube avança nas discussões de uma SAF avaliada em R$ 1,075 bilhão

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Umberto Louzer salvará o Guarani?

Campinas, SP, 24 (AFI) – O Guarani viverá, em um intervalo de apenas seis dias, duas decisões capazes de definir seus próximos anos. Dentro de campo, o time joga a permanência na disputa pelo acesso à Série B. Fora dele, os associados analisarão uma proposta bilionária para transformar o futebol em SAF.

A primeira definição acontecerá no sábado (29), às 17h, contra o Brusque, no Brinco de Ouro. Sétimo colocado da Série C, com 27 pontos, o Bugre precisa vencer para garantir uma vaga no quadrangular final sem depender de outros resultados.

Um empate ou uma derrota obrigará o clube a acompanhar as partidas dos concorrentes. Guarani, Ferroviária, Maranhão, Maringá e Floresta estão empatados em pontos, separados pelos critérios de desempate. Figueirense, Amazonas e Caxias também permanecem na disputa.

O cenário contrasta com o início da campanha. O Guarani chegou a liderar a Série C e, após dez rodadas, acumulava 70% de aproveitamento. A queda de rendimento, porém, consumiu a vantagem construída: o time conquistou apenas uma vitória nos últimos oito jogos e caiu três posições depois de perder por 3 a 1 para o Botafogo-PB.

A derrota em João Pessoa também provocou a saída de Élio Sizenando. Para tentar evitar uma eliminação precoce, a diretoria recorreu a Umberto Louzer, que inicia sua terceira passagem pelo comando do Bugre justamente na partida mais importante da temporada.

Enquanto Louzer tenta reorganizar a equipe em poucos dias, os bastidores estão voltados para outra decisão. O Guarani discute com o empresário Roberto Graziano, do Grupo Magnum, a criação de uma SAF que prevê compromissos totais de R$ 1,075 bilhão.

O valor não representa um aporte imediato no futebol. Pela composição apresentada, seriam destinados R$ 400 milhões à operação da SAF e ao clube social, R$ 300 milhões à construção de um novo estádio, R$ 25 milhões a um Centro de Treinamento e até R$ 350 milhões ao passivo da recuperação judicial.

A proposta estabelece que o grupo de Graziano detenha 90% das ações da futura empresa, enquanto o Guarani permaneceria com 10%. O acordo teria duração de 40 anos, outro ponto analisado pelos conselheiros antes da votação.

Também existem dúvidas sobre as garantias dos investimentos e o tratamento das dívidas. A versão inicial previa a alienação fiduciária de 45% das ações da SAF em favor do clube, mecanismo que não teria aparecido da mesma forma na apresentação mais recente.

MAIS DETALHES DA NOVA FASE DO GUARANI

Outro assunto sensível envolve o Brinco de Ouro. O projeto prevê a exploração imobiliária da área, com a construção de aproximadamente 1,2 mil apartamentos. O novo estádio e o CT seriam erguidos em uma região próxima à Rodovia dos Bandeirantes.

Graziano afirmou que pretende entregar a arena em cerca de dois anos após a aprovação do projeto. Os conselheiros, entretanto, querem separar as obrigações da futura SAF dos compromissos assumidos pelo empresário no negócio envolvendo o Brinco de Ouro, firmado em 2015.

A proposta será apresentada aos associados em 1º de setembro. Três dias depois, em 4 de setembro, os sócios terão a palavra final em assembleia.

Quando essa votação acontecer, o Guarani já saberá se continuará na luta pelo acesso ou se terá encerrado sua participação na Série C. Em menos de uma semana, portanto, o clube poderá dar um passo em direção à Série B e outro rumo a uma mudança profunda em seu modelo de gestão — ou iniciar a transformação fora de campo ainda sob o impacto de uma eliminação.

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