15 acessos e uma vida no futebol: quem foi Zé Humberto, técnico morto aos 64 anos
Ex-jogador do Santos ficou conhecido como “Rei do Acesso”, acumulou conquistas em clubes do interior e preparava o Nova Lavras para mais um desafio
Ele passou mal durante uma atividade do Nova Lavras e morreu após ser levado para uma UTI.
Campinas, SP, 21 (AFI) – Conhecido como “Rei do Acesso”, o técnico Zé Humberto construiu uma carreira distante dos grandes holofotes, mas marcada por conquistas, reconstruções e trabalhos em diferentes regiões do país. Aos 64 anos, ele morreu após passar mal durante uma atividade do Nova Lavras, equipe que se preparava para disputar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro.
José Humberto de Oliveira nasceu em Uberaba, no Triângulo Mineiro, em 30 de julho de 1962. Em mais de quatro décadas dedicadas ao futebol, viveu os dois lados do esporte: primeiro como jogador profissional e, depois, como treinador especializado em conduzir equipes de menor investimento a divisões superiores.
Zé Humberto acumulou 15 acessos ao longo da carreira como técnico. O número transformou-se em sua principal marca e ajudou a consolidar o apelido pelo qual era apresentado nos clubes: “Rei do Acesso”.
Entre as equipes que comandou estão Uberaba, Uberlândia, Mamoré, Araxá, Anápolis, Itumbiara, Francana, Olímpia, Vitória da Conquista, Atlético Itapemirim, Forte e Juazeirense. Foram trabalhos realizados principalmente em campeonatos estaduais e divisões de acesso, ambientes nos quais aprendeu a montar elencos com poucos recursos e pouco tempo de preparação.
Passagem pelo Santos como jogador
Antes de se tornar treinador, Zé Humberto atuou profissionalmente durante aproximadamente 13 anos. Iniciou a carreira em 1982, no Uberaba, clube de sua cidade natal.
Como jogador, passou ainda por Democrata de Governador Valadares, Brasil de Pelotas, Athletico-PR e Ferroviária. A passagem mais conhecida ocorreu pelo Santos, entre o fim da década de 1980 e o início dos anos 1990.
Zé Humberto atuava no meio-campo e disputou partidas nacionais e internacionais com a camisa alvinegra. Em 1990, por exemplo, entrou em campo contra o Peñarol, do Uruguai, pela Supercopa Libertadores.
Embora tenha defendido diversos clubes, ele continuou sendo lembrado como ex-jogador do Santos mesmo depois de trocar os gramados pela área técnica.
O “Rei do Acesso”
Depois de encerrar a carreira como atleta, Zé Humberto iniciou a trajetória como treinador no Matsubara, do Paraná. A partir dali, tornou-se um profissional recorrente em equipes que buscavam recuperar espaço no futebol estadual ou conquistar uma promoção.
Os 15 acessos foram obtidos em diferentes momentos e regiões do país. Clubes mineiros, paulistas, goianos, baianos e capixabas recorreram ao treinador em campanhas nas quais subir de divisão representava muito mais do que uma conquista esportiva: significava sobrevivência financeira e reconstrução institucional.
Zé Humberto ganhou reconhecimento justamente por aceitar esses desafios. Muitas vezes, assumia equipes sem grande estrutura, com calendários curtos e pressão imediata por resultados.
O auge no Espírito Santo
Um dos trabalhos mais marcantes ocorreu no Atlético Itapemirim. Zé Humberto chegou ao clube em 2016 e comandou a melhor fase da história da equipe capixaba.
Em 2017, o Atlético conquistou de forma invicta o primeiro Campeonato Capixaba de sua história. Na mesma temporada, venceu também a Copa Espírito Santo, garantindo presença em competições nacionais.
O desempenho levou Zé Humberto a ser escolhido como o melhor treinador do Campeonato Capixaba daquele ano. Durante a campanha, a equipe alcançou cerca de 70% de aproveitamento e consolidou o técnico como um dos principais personagens do futebol estadual.
No ano seguinte, o Atlético Itapemirim eliminou Brasiliense, Cuiabá e Luverdense e tornou-se o primeiro clube do Espírito Santo a alcançar a final da Copa Verde. A equipe terminou com o vice-campeonato após enfrentar o Paysandu na decisão.
Depois do título capixaba, Zé Humberto dividiu os méritos com as pessoas próximas e afirmou que a família havia sido seu “alicerce”. O discurso refletia uma característica destacada por jogadores e dirigentes ao longo de sua trajetória: a proximidade com quem trabalhava ao seu lado.
Ele comandou também: Uberaba, Uberlândia, Mamoré, Araxá, Anápolis, Goiânia, Itumbiara, Francana, Olímpia, Vitória da Conquista, Vilavelhense, Serra, Forte e Juazeirense, dentre outros.
Uma última missão interrompida
Em 2026, Zé Humberto havia sido contratado pelo Nova Lavras para comandar a equipe na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Era um trabalho diretamente ligado à especialidade que marcou sua carreira: montar um time para buscar o acesso.
O treinador participava das atividades de preparação quando passou mal. Ele foi prontamente socorrido e encaminhado a uma Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu.
Em comunicado, o Nova Lavras destacou a trajetória de profissionalismo, dedicação e paixão pelo esporte construída pelo técnico. O clube também informou que prestaria suporte à família.
A morte interrompeu o início de mais uma tentativa de acesso.





































































































































