O que acontece agora após 158 conselheiros pedirem a queda da cúpula da Ponte
Requerimento contra Luiz Torrano e Marco Antonio Eberlin ainda precisa passar por análise; oposição ameaça recorrer à Justiça
O pedido de afastamento do presidente e do vice-presidente da Ponte Preta abre uma disputa política às vésperas da assembleia que discutirá a SAF
Campinas, SP, 19 (AFI) – O pedido apresentado por 158 conselheiros para afastar o presidente da Ponte Preta, Luiz Torrano, e o primeiro vice-presidente, Marco Antonio Eberlin, não provoca a saída imediata dos dirigentes. O requerimento abre um processo interno que ainda dependerá da análise do Conselho Deliberativo e poderá terminar na Justiça.
O documento solicita a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para votar a destituição dos dois integrantes da cúpula alvinegra. Os autores acusam a atual administração de gestão irregular ou temerária em meio à grave crise financeira, esportiva e institucional atravessada pelo clube.
A partir de agora, caberá ao presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, analisar o requerimento e verificar se os 158 signatários cumprem as exigências previstas no estatuto.
Entre os critérios estão ter ao menos 24 meses de associação, estar em dia com as contribuições mensais, possuir mais de 18 anos e estar no pleno exercício dos direitos associativos. Também não é permitido manter vínculo profissional remunerado com a Ponte, salvo as exceções estabelecidas pelo próprio estatuto.
Somente depois da conferência será possível determinar se existe respaldo estatutário suficiente para convocar a assembleia. Até que haja uma decisão, Torrano e Eberlin permanecem normalmente nos respectivos cargos.
Assembleia pode decidir futuro da diretoria
O artigo 47 do estatuto da Ponte estabelece que uma Assembleia Geral Extraordinária pode analisar a destituição ou representações contra integrantes da administração, entre eles o presidente e o primeiro vice da Diretoria Executiva.
Já o artigo 48 determina que a assembleia pode ser convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo ou por um quinto dos associados que atendam às condições exigidas pelo estatuto.
Caso o requerimento seja validado e uma nova assembleia seja convocada, os associados aptos terão a responsabilidade de decidir se Luiz Torrano e Marco Antonio Eberlin continuam ou deixam o comando da Ponte Preta.
O documento apresentado pelos conselheiros cita o artigo 17 do estatuto, relacionado à gestão irregular ou temerária, como fundamento para o pedido de destituição.
Disputa pode parar na Justiça
A oposição afirma que pretende recorrer ao Judiciário caso o requerimento não seja analisado. O grupo também prepara uma medida para tentar suspender a Assembleia Geral Extraordinária marcada para segunda-feira (24), quando os associados discutirão a transformação do futebol profissional e das categorias de base em uma Sociedade Anônima do Futebol.
Na avaliação dos responsáveis pelo movimento, a crise política precisa ser resolvida antes da votação sobre a SAF. A atual diretoria, por sua vez, pretende manter o calendário definido para a assembleia.
A Ponte anunciou que negocia com um grupo de investidores uma proposta estimada em R$ 1,1 bilhão. O valor e o futuro controle do futebol tornam a votação uma das decisões mais importantes da história do clube.
Se a Justiça aceitar um eventual pedido da oposição, a assembleia da SAF poderá ser suspensa até que a disputa sobre a permanência da diretoria seja analisada. Caso isso não aconteça, a reunião está mantida para o dia 24 de agosto, no Salão Nobre Pedro Pinheiro, no Moisés Lucarelli.
Crise dentro e fora de campo
A batalha política acontece durante uma das fases mais delicadas da história da Ponte. O clube enfrenta salários atrasados, disputas judiciais, dificuldades financeiras e punições que impedem o registro de reforços.
Dentro de campo, a Macaca ocupa a última colocação da Série B, com dez pontos em 22 rodadas. A equipe não vence há 16 partidas e apresenta um dos piores aproveitamentos já registrados na história da competição.
O Conselho Deliberativo ainda não informou um prazo para concluir a análise do pedido. A Ponte também comunicou que não se manifestará sobre o requerimento neste momento.





































































































































