Justiça garante direitos de 10 conselheiros na Ponte Preta

A 'tutela de urgência'' foi deferida pelo juiz Marcos Hideaki Sato, da 12ª Vara Cível de Campinas. Os conselheiros têm direitos mantidos.

A ação que garante a participação destes conselheiros nas próximas reuniões foi conduzida por Fernando Vasconcellos Cunha Neto

Ponte Preta - 2026
Abdalla tem ação questionada no Conselho Deliberativo. Foto: Marcos Ribolli

Campinas, SP, 18 (AFI) – A diretoria da Ponte Preta sofreu a sua primeira derrota no campo jurídico na quebra de braço com a Oposição. Um grupo de dez conselheiros conseguiu, nesta terça-feira (18), na Justiça uma liminar que garante a eles permanecerem nos seus cargos, inclusive, para participar da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 24 de agosto, quando será colocada em votação a aprovação da SAF (Sociedade Anônima de Futebol) no clube.

Antes disso, porém, no dia 21 de agosto, estes conselheiros foram convocados e corriam risco de serem eliminados do quadro associativo, portanto, perdendo seus direitos. O termo jurídico para esta liminar é uma ‘tutela de urgência’. A tutela foi deferida pelo juiz Marcos Hideaki Sato, da 12ª Vara Cível de Campinas.

Esta medida tomada pela mesa do Conselho, segundo a defesa dos conselheiros, foi ‘extremamente arbitrária” e com objetivo de enfraquecer o grupo oposicionista que questiona a atual gestão.

A ação que garante a participação destes conselheiros nas próximas reuniões foi conduzida pelo advogado Fernando Vasconcellos Cunha Neto, também ameaçado de perder seus direitos.

Estes 10 conselheiros foram incluídos no Processo Disciplinar nº 07/2026, por questionarem decisões da diretoria.

Os 10 conselheiros que tiveram seus direitos preservados são:

  • Gustavo Garcia Valio,
  • Giuliano Guerreiro Ghilardi,
  • Giovanni Dimarzio,
  • Adelaide Albergaria Pereira Gomes,
  • José Carlos Nogueira de Castro,
  • Fernando Mello Porto,
  • Fernando Vasconcellos Cunha Neto,
  • João Carlos Ginefra
  • Maurilei Pereira e
  • Décio Sirbone Júnior

ENTENDA O CASO
(Acusadores viraram réus….)

O caso teve origem em uma representação interna apresentada por associados da Ponte Preta para que fossem apurados fatos relacionados à gestão, ao patrimônio e à governança da entidade.

Posteriormente, a Comissão Permanente de Ética e Disciplina do clube, a CPED, instaurou procedimento disciplinar contra os próprios signatários da representação.

Depois disso, como a Situação controla todas as comissões do clube, rapidamente a CPED aprovou, em 3 de agosto de 2026, por unanimidade, relatório que recomendou a exclusão dos dez associados.

A Comissão, no entanto, não consumou a exclusão naquele momento, mas sua deliberação foi uma recomendação de aplicação da penalidade máxima.

Ao mesmo tempo, estes conselheiros, teriam sido cerceados em suas defesas, num ato, segundo o advogado, de ‘pura arbitrariedade e profundo autoritarismo”.

A defesa sustentou, entre outros pontos, que houve recusa de produção das provas requeridas, posterior utilização da insuficiência probatória contra os representados, ausência de individualização adequada das condutas e recomendação coletiva da pena de exclusão.

JUIZ RECONHECE DIREITOS DOS CONSELHEIROS

Na decisão, o juiz reconheceu que a documentação apresentada conferia, em análise preliminar, plausibilidade às alegações dos autores.

O magistrado destacou especialmente a necessidade de aprofundar a análise sobre a relação entre o indeferimento das provas pedidas pelos associados e a posterior utilização da falta de provas em seu desfavor, bem como sobre a individualização do elemento subjetivo atribuído a cada um dos dez representados.

NÃO PODE SURGIR NOVA ACUSAÇÃO

O juiz também reconheceu expressamente o perigo de dano concreto, observando que eventual penalidade com eficácia imediata poderia atingir direitos que somente podem ser exercidos em momentos determinados, como presença em reuniões, manifestação, voto, mandato e função, efeitos que não seriam integralmente recompostos por uma decisão judicial posterior.

O juiz proibiu que a Associação aplique sanção ou instaure novo processo disciplinar exclusivamente pelo fato de os associados terem recorrido à Justiça ou pela atuação regular da defesa, e determinou a preservação integral dos documentos físicos e digitais relacionados ao procedimento.

LISTA PELO IMPEACHMENT

A Oposição continua mobilizada. Uma lista com mais de 150 assinaturas foi apresentada na segunda-feira (17) à mesa do Conselho Deliberativo solicitando uma Assembleia Extraordinária com objetivo de destituir a atual diretoria, com foco para o presidente Luiz Antônio Alves Torrano e para o vice Marco Eberlin.

A preocupação é como este pedido será conduzido pelo atual presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, que, segundo os oposicionistas, já demonstrou em movimentos anteriores que “tem fechado os olhos” para os interesses do clube.