SAF ganha força no interior e vira pauta em clubes da região de Araçatuba

Bandeirante e Penapolense avaliam modelo com cautela, enquanto reorganizam contas e projetam futuro mais sustentável para o futebol profissional.

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Araçatuba, SP, 14 (AFI) – A crise financeira que atinge clubes tradicionais do interior paulista fez crescer o debate sobre a adoção da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) como alternativa para reorganização administrativa e sobrevivência esportiva. Na região de Araçatuba, a discussão ganhou corpo diante das dificuldades enfrentadas por equipes que dependem de receitas limitadas, patrocínios locais e, muitas vezes, de recursos dos próprios dirigentes.

AEA: PRIORIDADE É ORGANIZAR AS CONTAS

Um dos casos mais emblemáticos é o da Associação Esportiva Araçatuba (AEA). O clube atravessou recentemente uma crise administrativa e financeira marcada por atrasos salariais, saída de jogadores, afastamento do então presidente Rodrigo Francisco da Silva por irregularidades nas contas e dificuldades para montar o elenco na reta final da Série A4 do Campeonato Paulista.

Diante desse cenário, a possibilidade de transformar o clube em SAF passou a ser discutida como alternativa para a reconstrução institucional. Em janeiro, a AEA recebeu uma proposta de empresários para a constituição e venda da SAF. O atual presidente, Guilherme Nishikawa, afirmou à TV TEM que o foco imediato é colocar a casa em ordem antes de avançar na negociação.

“A prioridade agora é calcular as contas e só depois discutir a implantação da SAF”, disse Nishikawa.

BANDEIRANTE SE PREPARA PARA NOVA ETAPA

O Bandeirante de Birigui também passou a discutir o modelo com seriedade. O clube enfrentou recuperação judicial por causa de uma dívida próxima de R$ 4 milhões, mas, segundo a diretoria, conseguiu reorganizar as finanças e agora trabalha para atrair investidores.

O presidente André Luiz Batista explica que existem dois caminhos possíveis: transformar o próprio clube em uma Sociedade Anônima de Futebol ou buscar um investidor para assumir o controle de uma SAF. A preferência da torcida, segundo ele, é clara.

“Ou você faz uma SAF do próprio clube e ele próprio se torna uma Sociedade Anônima de Futebol e cria um modelo de gestão, ou o que é o sonho de todo torcedor bandeirantino: pensar em uma SAF com um grande investidor. E, é claro, para isso o clube precisa estar bem equilibrado”, afirmou.

Para chegar mais preparado a uma eventual negociação, o BEC já alterou o estatuto e cumpriu as primeiras etapas de adequação. Além disso, realizou um estudo sobre a própria marca, buscando apresentar dados concretos a possíveis investidores. A estratégia é organizar a gestão antes de bater à porta do mercado.

PENAPOLENSE ADOTA CAUTELA

O Penapolense, outro clube tradicional da região, também acompanha o debate com atenção. O presidente Nilson Moreira defende prudência antes de qualquer decisão definitiva.

“A gente pisa em ovos quando fala em SAF. Não é tão simples assim. Precisa ter o parceiro correto, que vai honrar os compromissos”, afirmou o dirigente.

A declaração reflete a preocupação com experiências recentes no futebol brasileiro, em que nem todas as SAFs alcançaram os resultados esperados. Para o CAP, a segurança jurídica e a escolha criteriosa de eventuais investidores são fundamentais.

DESAFIO COMUM: GESTÃO E SOBREVIVÊNCIA

O modelo de SAF, que até pouco tempo parecia restrito a clubes de maior expressão, começa a ser discutido de forma concreta na região de Araçatuba. Para as equipes do interior, a alternativa representa não apenas a possibilidade de novos investimentos, mas também uma discussão sobre o futuro das instituições.

Em comum, AEA, Bandeirante e Penapolense enfrentam o mesmo desafio: encontrar um modelo de gestão que permita manter o futebol profissional, recuperar a saúde financeira e criar condições de voltar a competir em alto nível dentro de campo.

A tendência é que o debate sobre SAF avance na região nos próximos meses, especialmente se os clubes conseguirem equilibrar as contas e se apresentar de forma estruturada a possíveis investidores.

 

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