Investidor do Feira FC vira alvo de operação contra bets que movimentaram R$ 1,4 bilhão

Investigação apura suspeitas de golpes contra apostadores e lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada

Neto Lima, principal investidor e rosto público do Feira FC, foi alvo de uma operação contra um grupo suspeito de explorar plataformas ilegais de apostas

FEIRA
Empresário Bruno Karttos, um dos proprietários do Feira Futebol Clube e da Mansão Green - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Salvador, BA, 14 (AFI) – Neto Lima, empresário ligado ao Feira Futebol Clube e fundador da Mansão Green, foi alvo de uma operação contra uma organização suspeita de explorar sites ilegais de apostas e lavar o dinheiro obtido com a atividade. A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (13) e alcançou investigados na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O empresário é apontado como principal investidor e um dos responsáveis pela criação do projeto do Feira FC. Embora seja frequentemente apresentado como dono da equipe, o cargo de presidente da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é ocupado por Marcus Rios.

Batizada de Operação Aposta Suja, a ofensiva foi comandada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com apoio de grupos especializados dos ministérios públicos de São Paulo e da Bahia.

A investigação apura a atuação de plataformas que ofereciam apostas sem autorização do Ministério da Fazenda. Entre os sites citados estão FuriaBet, Galera da Bet e Vou de Bet.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram mais de 800 movimentações consideradas suspeitas. O volume financeiro atribuído ao grupo chegou a aproximadamente R$ 1,4 bilhão entre 2022 e 2026, segundo as autoridades.

O valor se refere ao conjunto das operações investigadas e não pode ser atribuído individualmente a Neto Lima neste estágio da apuração.

Apostadores teriam saques bloqueados

Uma das suspeitas é de que as plataformas dificultavam ou impediam a retirada do dinheiro de clientes que conseguiam obter ganhos nas apostas.

Os investigadores apuram se parte dos recursos depositados pelos usuários era direcionada a empresas de fachada, utilizadas para esconder a origem e o destino do dinheiro.

O esquema também teria recorrido a criptomoedas e transferências internacionais. A estratégia, conforme a investigação, permitiria pulverizar os valores entre diferentes contas e enviá-los ao exterior, dificultando o rastreamento pelas autoridades brasileiras.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Veículos de luxo, equipamentos eletrônicos e dinheiro em espécie, inclusive em moedas estrangeiras, foram recolhidos durante a operação. Não foi detalhado publicamente quais itens foram encontrados em cada um dos endereços.

Ser alvo de uma busca não representa condenação. A participação de cada investigado e a eventual responsabilidade criminal ainda serão analisadas a partir dos documentos, aparelhos e registros financeiros apreendidos.

Ligação com o Feira FC

Neto Lima é um dos principais personagens do Feira FC desde o lançamento do clube. Além de investidor, o empresário participou de anúncios de jogadores, apresentações de patrocinadores e ações de divulgação da equipe.

O clube de Feira de Santana foi constituído como SAF e iniciou sua trajetória profissional em 2026. O projeto ganhou repercussão nacional ao contratar jogadores conhecidos, como Thiago Galhardo e Sidão, além de influenciadores digitais.

A equipe também assumiu a administração da Arena Cajueiro e anunciou um acordo de naming rights que transformou o estádio em Superbet Arena. A empresa, que também ocupa o espaço de patrocinadora principal do clube, não é apontada como alvo da Operação Aposta Suja.

A Mansão Green, fundada por Neto Lima, atua no mercado de marketing digital e mantém atividades relacionadas ao setor de apostas e à promoção de influenciadores.

Até a última atualização, não havia sido divulgado um posicionamento detalhado da defesa de Neto Lima sobre as suspeitas. O Feira FC também não havia informado se a investigação provocaria mudanças administrativas ou financeiras no projeto esportivo.

A apuração permanece em andamento e poderá identificar outros envolvidos, rastrear a destinação dos recursos e esclarecer qual teria sido a participação de cada alvo no suposto esquema.