Inter de Limeira pode ficar com apenas 20% do futebol após SAF com Ronaldo

Edital prevê que grupo ligado a Ronaldo, Roberto Carlos e príncipe saudita controle 80% das ações da nova empresa.

A documentação da futura SAF revela como será dividida a participação no futebol da Inter de Limeira.

ronaldo
Ronaldo está ligado diretamente a grupo que pode assumir SAF da Inter

Limeira, SP, 14 (aFI) – A assinatura do acordo da SAF poderá provocar a maior mudança administrativa da história da Inter de Limeira. Mais do que oficializar a entrada de Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos no projeto, a operação prevê que o grupo de investidores passe a controlar 80% das ações da empresa responsável pelo futebol.

O percentual consta no edital da Assembleia Geral Extraordinária marcada para 31 de agosto. Se a negociação for aprovada e concluída, a associação que atualmente administra o clube permanecerá com os outros 20%.

O número chama atenção porque informações divulgadas anteriormente sobre o plano indicavam uma divisão igualitária: 50% para o grupo comprador e 50% para a associação. A convocação mais recente, porém, estabelece a possível alienação de 80% da SAF a um investidor.

Com a participação majoritária, o grupo terá o controle das principais decisões relacionadas ao futebol da Inter. A associação continuará como acionista, mas deixará de possuir a maioria do capital da nova empresa.

O projeto é liderado pelo executivo Enrico Ambrogini e reúne Ronaldo, Roberto Carlos, o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud e outro sócio.

Projeto pode alcançar R$ 454 milhões

O plano financeiro prevê movimentar até R$ 454 milhões ao longo de dez anos. A cifra, no entanto, não deve ser interpretada como um depósito imediato ou um aporte integralmente garantido.

O montante corresponde a uma projeção ligada ao crescimento da SAF e ao cumprimento das metas previstas para os próximos anos. Entre 2026 e 2027, o planejamento estima investimentos de até R$ 20 milhões para iniciar a reestruturação.

Uma versão inicial da proposta estabelecia aporte de R$ 10 milhões nos primeiros 15 a 18 meses, além da assunção das dívidas da Inter, estimadas em aproximadamente R$ 8,5 milhões. O projeto também mencionava uma garantia mínima de R$ 187 milhões em investimentos durante 15 anos.

A prioridade inicial será reorganizar as finanças do clube. Somente depois dessa etapa, os aportes no futebol profissional e na infraestrutura deverão ganhar velocidade.

Outro mecanismo previsto para preservar o caixa impede que os investidores recebam dividendos nos primeiros cinco anos. A distribuição de lucros começaria apenas a partir do sexto ano de operação.

Grupo estabelece prazo para chegar à Série A

O objetivo esportivo mais ambicioso é levar a Inter de Limeira à Série A do Campeonato Brasileiro em até oito temporadas.

Atualmente, o Leão disputa a Série C e tenta conquistar o acesso à segunda divisão nacional. No futebol paulista, o clube se prepara para permanecer na Série A2 depois de não conseguir retornar à elite estadual nesta temporada.

O plano também pretende ampliar os investimentos nas categorias de base. A estratégia é captar jovens jogadores no interior de São Paulo, desenvolver esses atletas e transformar futuras negociações em uma das principais fontes de receita da SAF.

Além do futebol, estão previstas a profissionalização da administração, a modernização tecnológica, melhorias no centro de treinamento e a revitalização do Estádio Major José Levy Sobrinho, o Limeirão.

Limeirão exige negociação separada

A situação do estádio representa um dos pontos que precisarão ser solucionados. O Limeirão pertence à Prefeitura de Limeira e sua concessão está vinculada à Internacional enquanto associação sem fins lucrativos.

Representantes do município já afirmaram que a criação da SAF não provocará a perda automática do direito de utilização do estádio. A legislação municipal, contudo, deverá ser adequada, e um novo instrumento poderá ser necessário para regulamentar o uso do imóvel pela empresa.

Decisão ainda depende de votação

Os conselheiros terão acesso à documentação da operação antes da assembleia, mas não poderão fotografar o conteúdo nem registrar imagens com celulares. A reunião será presencial, sem transmissão ou participação remota.

A pauta inclui a constituição da SAF, a aprovação do acordo de investimentos e a autorização para que os dirigentes assinem os documentos necessários à venda das ações.

Apesar do avanço das negociações, a Inter ainda não foi vendida. A operação somente poderá ser consumada depois da aprovação formal e da assinatura dos contratos.

Caso receba o aval, o acordo colocará um grupo de campeões mundiais e investidores estrangeiros no controle de 80% do futebol de um dos clubes mais tradicionais do interior paulista — campeão estadual em 1986 e vencedor da Série B do Brasileiro em 1988.