Ponte Preta vive seca de mais de 100 dias: veja os números que explicam a crise
Desde a última vitória, em abril, Macaca acumulou uma sequência de derrotas e empates que a levou à lanterna da Série B
A Ponte Preta atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história recente. Já são mais de 100 dias sem vencer, com 15 partidas consecutivas sem triunfo
Campinas, SP, 11 (AFI) – A Ponte Preta não sabe mais o que é vencer há mais de 100 dias. A última comemoração aconteceu em 24 de abril, quando a Macaca derrotou o América-MG por 1 a 0, no Moisés Lucarelli. Desde então, o que era apenas uma sequência ruim se transformou em uma crise que ameaça diretamente o futuro do clube na Série B.
Depois daquele resultado, a Ponte entrou em campo outras 15 vezes pelo campeonato e não conseguiu conquistar uma única vitória. Foram 13 derrotas e dois empates, números que ajudam a explicar por que a equipe terminou a 21ª rodada na última colocação.
O tamanho do problema fica ainda mais evidente quando o recorte é ampliado para toda a competição. Em 21 rodadas, a Ponte conquistou apenas duas vitórias e três empates, enquanto perdeu 16 partidas. São somente nove pontos somados, com aproveitamento próximo de 14%.
A sequência que mudou o cenário
Quando venceu o América-MG, a Ponte ainda estava longe de imaginar a dimensão da crise que viria pela frente.
O triunfo em abril marcou o início de uma sequência que atravessou praticamente quatro meses. Nesse período, o time deixou de pontuar em ritmo suficiente, perdeu posições na tabela e passou a conviver com uma pressão cada vez maior pela permanência.
O mais preocupante é que a equipe não conseguiu interromper a série negativa nem quando teve adversários que também brigavam contra o rebaixamento.
O exemplo mais recente foi o Ceará. Na sexta-feira (7), a Ponte perdeu por 2 a 0 no Castelão e chegou à 15ª partida consecutiva sem vitória. O resultado aumentou ainda mais a distância para os concorrentes e manteve a Macaca na parte mais baixa da classificação.
Uma vitória em mais de três meses
A matemática ajuda a dimensionar o tamanho do problema.
Desde 24 de abril, a Ponte disputou 15 partidas pela Série B sem vencer. Considerando esse período, a equipe conquistou apenas dois empates e saiu derrotada em outras 13 oportunidades.
Isso significa que, de 45 pontos possíveis nesse intervalo, a Macaca somou somente dois.
É um aproveitamento de aproximadamente 4,4% no período.
A sequência também colocou a Ponte diante de uma marca histórica negativa. Com 15 jogos sem vitória, o clube se aproximou do pior jejum da história da Série B: os 19 jogos do ABC em 2015.
Da esperança ao desespero
A queda de rendimento não aconteceu isoladamente dentro das quatro linhas.
Ao longo dos mais de 100 dias de jejum, a Ponte perdeu jogadores, trocou de treinador e continuou convivendo com problemas financeiros. A equipe também enfrentou dificuldades para utilizar reforços contratados por causa de punições que impedem o registro de novos atletas.
O cenário atingiu diretamente o trabalho de Márcio Zanardi. O treinador assumiu em meio à crise e, até a derrota para o Ceará, havia perdido os oito jogos disputados sob seu comando.
Além disso, lesões e suspensões reduziram ainda mais as opções disponíveis.
No Castelão, por exemplo, a Ponte perdeu Júlio ainda no primeiro tempo, após receber dois cartões amarelos. O time precisou jogar praticamente toda a partida em inferioridade numérica e terminou derrotado por 2 a 0.
O problema não está apenas na tabela
A classificação é apenas o reflexo mais visível de uma crise que também passa pelos bastidores.
A Ponte convive com atrasos salariais, dificuldades para registrar jogadores e um elenco que perdeu peças durante a própria competição. O clube também tenta avançar na transformação em SAF como uma alternativa para enfrentar a situação financeira.
O resultado é um círculo difícil de quebrar: o time precisa de reforços para reagir, mas enfrenta restrições para inscrevê-los; precisa de resultados para recuperar confiança, mas entra em campo pressionado por uma sequência histórica; e precisa somar pontos rapidamente enquanto os concorrentes continuam abrindo vantagem.
Quanto a Ponte precisa reagir?
O tamanho da missão pode ser medido pela distância para os primeiros clubes fora da zona de rebaixamento.
Após 20 rodadas, a Ponte estava 13 pontos atrás do primeiro time fora do Z-4. Com a derrota para o Ceará na 21ª rodada, a situação continuou extremamente delicada.
Restam jogos suficientes para uma reação matemática, mas o tempo deixou de ser um aliado.
A Ponte precisa voltar a vencer — e não apenas uma vez. Depois de mais de três meses acumulando derrotas e empates, será necessário construir uma sequência positiva para transformar a luta contra o rebaixamento em uma possibilidade real de permanência.
O relógio corre, a tabela aperta e a seca já ultrapassou a barreira dos 100 dias.
Para a Ponte Preta, a próxima vitória deixou de ser apenas necessária.
Ela se tornou urgente.





































































































































