Ponte Preta acumula três transfer bans e encara risco de punições ainda mais graves

A Macaca acumula três transfer bans ativos que impedem o registro de novos atletas nas competições nacionais

Em campo, a Ponte Preta ocupa a lanterna da Série B e já começa a pensar na próxima temporada

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Ponte Preta está em situação delicada na Série B

Campinas, SP, 06 (AFI) – A Ponte Preta enfrenta um dos momentos mais dramáticos de sua história centenária. Além do péssimo desempenho nos gramados, o clube campineiro vive um cenário de asfixia administrativa. Como reflexo de uma crise financeira crônica, a Macaca acumula três transfer bans ativos que impedem o registro de novos atletas nas competições nacionais.

Com reforços barrados na burocracia e punições severas no horizonte — que vão desde a perda de pontos até o rebaixamento automático —, o futuro da instituição está sob séria ameaça.


O Raio-X das Dívidas: Por que a Ponte está Bloqueada?

O “transfer ban” é um mecanismo de execução aplicado pelas entidades do futebol para forçar o pagamento de débitos reconhecidos pela justiça desportiva. Atualmente, as três restrições da Ponte Preta dividem-se entre a Fifa e a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD):

Origem do BloqueioMotivo da SançãoValor Estimado / Situação
Fifa (Caso Luis Haquin)Inadimplência com o ex-zagueiro boliviano Luis Haquin. O clube pagou apenas a primeira parcela de um acordo judicial e deixou a segunda em aberto.R$ 227.777,75
Fifa (Iguazú Nippon)Cobrança referente ao não pagamento do mecanismo de solidariedade ao clube paraguaio.Processo em execução internacional.
CNRD (Acordo Coletivo)Quebra de parcelamento de um acordo firmado em 2024 para quitar dívidas gerais com atletas, treinadores e agentes. O valor mensal subiu para R$ 200 mil e há três parcelas atrasadas.Dívida global de ~R$ 18 milhões (R$ 600 mil em atraso imediato).

O reflexo prático dessa barreira jurídica é destrutivo para o departamento de futebol. Mais de 9 jogadores contratados para tentar salvar a equipe não podem ter seus nomes publicados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. Sem o registro regulamentado, a comissão técnica é obrigada a atuar com elenco extremamente reduzido e queimar etapas ao recorrer massivamente às categorias de base para compor o banco de reservas na Série B.

Esta não é uma situação inédita: em episódios anteriores, o atraso para liberar o transfer ban fez com que o clube jogasse rodadas iniciais desfalcado, o que comprometeu diretamente o desempenho técnico e culminou no rebaixamento da equipe no Campeonato Paulista.


O que Pode Acontecer? Os Riscos de Perda de Pontos e Rebaixamento

Se a diretoria ponte-pretana não conseguir quitar ou repactuar as pendências com urgência, o regulamento de fair play financeiro e o código disciplinar da Fifa preveem o agravamento escalonado das sanções. O transfer ban é apenas o primeiro estágio.

1. Perda de Pontos na Tabela

Caso um clube permaneça por três janelas consecutivas de transferências sem honrar o pagamento que gerou o transfer ban internacional, a Câmara Disciplinar da Fifa envia uma ordem expressa à CBF para efetuar a perda de pontos do time no campeonato vigente. Na atual situação da Ponte Preta — que amarga as últimas posições da Série B —, uma dedução de pontos seria o veredicto definitivo para a queda de divisão.

2. Rebaixamento Automático por Desobediência

Se a perda de pontos for aplicada e o clube persistir em não pagar ou ignorar as determinações do comitê internacional, a sanção máxima subsequente é o rebaixamento administrativo forçado para a divisão inferior no ano seguinte, independentemente de sua pontuação de campo.

3. Exclusão de Programas e Retenção de Verbas

Internamente, a CBF já começou a endurecer as regras de Fair Play. A Ponte Preta já sofreu as primeiras punições administrativas por atrasos salariais recorrentes (superiores a 60 dias):

  • Corte de Benefícios: O clube perdeu o direito ao auxílio financeiro da CBF que custeava despesas de logística, como passagens, hospedagens de viagens e taxas de arbitragem.
  • Bloqueio de Receitas: Cotas de direitos de televisão e premiações de torneios nacionais podem ser retidas na fonte para o pagamento direto de credores judiciais.

Há Saída?

Para destravar os registros e afastar os riscos esportivos imediatos, a Ponte Preta tem apenas duas alternativas viáveis a curto prazo: efetuar o pagamento integral e à vista dos valores em aberto aos reclamantes (Haquin, Iguazú Nippon e o fundo gerido pela CNRD) ou formalizar uma nova repactuação de parcelas que seja aceita por todos os credores envolvidos.

Nos bastidores políticos do Estádio Moisés Lucarelli, crescem as discussões para a aceleração da aprovação do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), vista pela atual gestão como a única tábua de salvação capaz de aportar capital externo o suficiente para equacionar o passivo bilionário e reestruturar a instituição.

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