Saiba como Infantino tenta se manter no cargo de presidente da Fifa
Dirigente é pressionado após o plano frustrado de criar um braço comercial da entidade para vender ações de torneios
Veja abaixo as sete manobras de Gianni Infantino para permanecer no cargo da entidade máxima do futebol
Campinas, SP, 06 – Gianni Infantino se movimenta de todas maneiras possíveis nos bastidores para se manter na presidência da Fifa. O dirigente de 56 anos, que chegou a ter reeleição para o ciclo de 2027 a 2031 encaminhada, está sob pressão após o plano frustrado de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), um braço comercial da entidade para vender ações de torneios da entidade, como a Copa do Mundo, para investidores.
Lideradas pela Uefa, federações ao redor do mundo demonstraram preocupação quanto ao processo e falta de transparência na condução da proposta. A pressão das confederações de futebol é gigante por uma saída honrosa do cartola ítalo-suíço do comando da Fifa. Veja abaixo as sete manobras de Infantino para permanecer no cargo.
1. DESISTÊNCIA DA FFE
O primeiro passo de Infantino para amenizar a pressão das federações e dirigentes ao redor do mundo foi abandonar o projeto, o que aconteceu apenas três dias depois do plano vir à tona. Em 28 de julho, o jornal britânico The Times informou sobre o plano da Fifa de capitalizar a Copa do Mundo e demais torneios. Horas depois, a entidade emitiu um comunicado dando detalhes do processo.
A proposta previa a criação de uma subsidiária, a Fifa Forward Enterprise (FFE), para gerir os direitos comerciais das competições. A ideia era vender de 20% a 30% do novo braço comercial, a investidores privados – entre eles, a empresa de private equity de Josh Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para convencer o colégio eleitoral do futebol mundial, a Fifa havia estruturado um plano inicial de repasses às 211 federações nacionais filiadas, em programa denominado Fifa Fast-Forward (FFFP). Para financiar esta primeira fase, a FFE pretendia captar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no mercado.
A Uefa chegou a ameaçar um boicote às competições e ganhou apoio das confederações da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia).
Em 31 de julho, a Fifa anunciou oficialmente o abandono da proposta após a repercussão negativa do projeto. Segundo Infantino, a intenção era de “fornecer uma base para fortalecer ainda mais as associações-membro” e que o projeto só seria efetivado se houvesse aprovação da maioria.
2. APELO A TRUMP
O desespero de ser destituído do comando da Fifa levou Infantino apelar ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para não perder o poder. De acordo com matéria publicada em 3 de agosto pelo jornal New York Post, o dirigente “agendou conversas privadas com o secretário de Estado Marco Rubio.” A Casa Branca, no entanto, negou a informação.
O governo norte-americano rebateu a matéria, garantindo que não há nenhum encontro ou reunião agendada entre Infantino e Marco Rubio. “Não há planos para Rubio falar com Infantino e não houve nenhuma ligação esta manhã. O NY Post deveria verificar suas fontes ou poderiam simplesmente ter nos perguntado”, publicou Dylan Johnson, secretário adjunto de Estado para Assuntos Globais públicos, no X.
3. MARROCOS COMO SEDE DA FINAL DA COPA
Segundo o The Times, Infantino ofereceu a Marrocos a oportunidade de receber a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de apoio na eleição presidencial marcada para março de 2027. O país africano irá a próxima edição do Mundial, junto de Espanha e Portugal – os três primeiros jogos, no entanto, serão na Argentina, Uruguai e Paraguai, em comemoração ao centenário do torneio.
Marrocos, que está decidido a receber a decisão da Copa, foi um dos poucos países a estar ao lado de Infantino em meio à crise na Fifa. Segundo o The Times, dirigentes marroquinos se tornaram alguns dos principais aliados de Infantino em meio à massiva perda de apoio.
Em resposta ao jornal, a Fifa negou que Infantino tenha feito prometido a final ao Marrocos. “É falso e enganoso afirmar que o Presidente da Fifa tenha feito qualquer promessa em relação à realização da Final da Copa do Mundo Fifa de 2030. Uma decisão será tomada pela Fifa no momento apropriado”, disse a entidade que comanda o futebol mundial.
4. EXIBIÇÃO DE APOIO DOS AFRICANOS
Um dos alicerces do projeto de reeleição de Infantino é a Confederação Africana de Futebol (CAF), alinhada ao atual chefe da Fifa e que possui 54 votos dos 211. O dirigente usou sua conta oficial no Instagram para compartilhar as manifestações públicas de apoio de países da África..
O Marrocos, parceiro político de Infantino, lidera o apoio ao dirigente. “A decisão do presidente da Fifa reflete sua visão de dar prioridade à unidade e à coesão entre as federações membros, por meio de uma abordagem participativa que visa desenvolver o futebol”, disse o presidente da federação marroquina, Fouzi Lekjaa, em comunicado divulgado pelo próprio cartola.
Para estreitar os laços com a federação africana neste momento de crise, Infantino marcou presença na vitória da Zâmbia sobre Malauí, por 2 a 1, em partida válida pela Copa Africana de Nações Feminina.
Apesar de a Confederação Asiática de Sul ter se manifestado contra Infantino, ele encontra o apoio em alguns países do continente. São os casos de Catar, Kuwait, Emirados Árabes, Butão e Sri Lanka.
5. REUNIÃO COM A CÚPULA
Foi justamente em Marrocos, na capital Rabat, onde a Fifa convocou uma reunião de emergência coma alta cúpula da entidade para tratar da crise. O encontro foi marcado após membros da entidade se posicionarem contra o projeto de Infantino.
Carlos Cordeiro, apontado como o principal conselheiro do chefe da Fifa, pediu demissão três dias após o vazamento da proposta de criação da FFE. No mesmo dia, Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, disse que sua equipe se sentiu enganada e que o projeto seria proposta unilateral de Infantino.
Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol da entidade, afirmou que não participou da elaboração do plano do suíço e que o recuo da ideia era algo “absolutamente necessário e incontestável”.
A funcionários, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, classificou os últimos acontecimentos na Fifa como “eventos tristes e repreensíveis”, afirmando ainda que “indivíduos vêm e vão” na entidade.
6. CARTA ADMITINDO ERRO
A reunião da alta cúpula da Fifa em Rabat, no Marrocos, resultou em um pedido de desculpas às associações membro e um comunicado público em que a entidade admite ter errado na condução da FFE.
De acordo com a BBC, participaram do encontro o secretário-geral Mattias Grafstrom, os chefes da Fifa de finanças (Thomas Peyer), do jurídico (Emilio Garcia Silvero), de pessoal (Daniel O’Toole), das associações (Elkhan Mammadov) e o diretor de relações públicas (Bryan Swanson).
De acordo com a entidade, foi reconhecido como problema central a percepção das associações membro (isto é, as federações que gerem as seleções de futebol) e do Conselho da Fifa de exclusão dos processos de debate e condução do projeto de abertura para sócios minoritários e criação de uma subsidiária em que seriam alocados os principais produtos administrados pela entidade, incluindo a Copa do Mundo.
No entendimento da Fifa, mais equívocos foram cometidos após o vazamento da história para a imprensa.
Junto ao pedido de desculpas redigido em carta endereçada às 211 associações membro, a Fifa se comprometeu a não repetir os mesmos erros e prometeu uma revisão e um relatório a serem apresentados na próxima reunião do Conselho.
7. FIFA DIZ QUE NÃO IRÁ TOLERAR ‘ATAQUES’
Após colocar panos quentes na crise, a Fifa fez questão de mandar um recado aos críticos que passaram a se articular para uma substituição do mandatário mesmo após a retirada do projeto.
“Com a retirada do projeto, ficou acordado que a Fifa não tolerará mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo legal, e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação. Há sempre lições a serem aprendidas, e a Fifa continuará a aprimorar seus processos à luz dessa experiência. Neste caso, porém, é importante ressaltar que, embora erros tenham sido cometidos, tudo o que foi feito estava em total conformidade com o quadro regulamentar da Fifa”, aponta o comunicado.
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