Justiça apura destino de milhões recebidos pelo Rio Branco na venda de Vanderson

De acordo com o relatório elaborado pela administradora judicial, entre outubro de 2023 e março de 2025 o Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49

A investigação busca esclarecer como o clube de Americana utilizou os valores recebidos pela negociação do atleta, considerada uma das maiores fontes de receita da história

Rio Branco
Foto: Divulgação

Americana, SP , 02 (AFI) – O Rio Branco voltou ao centro das atenções no processo de recuperação judicial após a Justiça determinar uma apuração detalhada sobre a destinação dos recursos obtidos com a transferência do lateral Vanderson para o futebol europeu.

A investigação busca esclarecer como o clube de Americana utilizou os valores recebidos pela negociação do atleta, considerada uma das maiores fontes de receita da história recente do Tigre.

RELATÓRIO

De acordo com o relatório elaborado pela administradora judicial, entre outubro de 2023 e março de 2025 o Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49, referentes à terceira e à quarta parcelas da venda do jogador.

O clube informou que as duas primeiras parcelas, pagas em 2022, ficaram retidas por determinações da Justiça do Trabalho e da Justiça Comum.

Ainda segundo os documentos do processo, existe a possibilidade de um novo ingresso financeiro. Um bônus de 85,5 mil euros, condicionado ao cumprimento de metas por Vanderson, segue em discussão na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF.

NEGOCIAÇÃO

Revelado nas categorias de base do Rio Branco, Vanderson foi negociado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense com o AS Monaco FC em 2022 por cerca de 11 milhões de euros. Na época da transferência, o Tigre tinha direito a 30% dos valores da negociação.

Entretanto, em razão de um acordo firmado durante o período em que a base era administrada pelo ex-jogador Sandro Hiroshi, 70% da quantia destinada ao clube deveria ser repassada à empresa ligada ao ex-atleta.

A prestação de contas analisada pela administradora judicial identificou que o maior desembolso foi justamente um repasse de R$ 4.019.999,00 para a SH Sports Ltda.

Também foram comprovados pagamentos relacionados a honorários advocatícios, folha salarial, manutenção, impostos, prestadores de serviços e outras despesas operacionais. Somados, esses gastos alcançam R$ 7.068.741,96 com documentação considerada válida.

ANÁLISE

Apesar disso, a análise apontou inconsistências entre a contabilidade do clube e os documentos apresentados. Enquanto o Rio Branco registrou R$ 12.775.990,26 em despesas, apenas R$ 7.068.741,96 puderam ser comprovados, restando uma diferença de R$ 5.707.248,30 que ainda precisa ser esclarecida.

No relatório, a administradora judicial destaca que somente foram considerados os documentos em que era possível identificar diretamente o Rio Branco como responsável pelas despesas. Dos mais de 2.600 arquivos enviados para análise, 1.844 atenderam a esse critério, enquanto os demais foram desconsiderados por falta de vínculo documental suficiente.

O documento não aponta desvio ou desaparecimento de recursos, mas conclui que a divergência contábil exige explicações adicionais por parte do clube. Essa constatação motivou a Justiça a reforçar a fiscalização sobre o processo de recuperação judicial.

EMPRESA DO PRESIDENTE

Outro aspecto observado durante a apuração envolve a Manager Serviços Administrativos Ltda., empresa administrada pelo presidente do Rio Branco, Claudio Luiz Bonaldo.

Conforme os extratos anexados ao processo, parte dos recursos recebidos pelo clube, incluindo valores provenientes da negociação de Vanderson, passou por contas da empresa.

Até o momento, entretanto, o Rio Branco ainda não apresentou, nos autos da recuperação judicial, uma justificativa para a utilização da Manager na movimentação desses valores. Nos balanços mais recentes, a empresa também aparece como credora do clube, com cerca de R$ 50 mil a receber.