Concacaf vai contra a Fifa e rejeita proposta de venda de direitos

Em comunicado, a entidade da América do Norte e Central reafirmou a posição de que o "futebol se mantenha nas mãos do futebol".

Não é a primeira associação a ir contra a federação máxima do futebol. Ainda hoje, os países da Uefa anunciaram boicote a todos os torneios geridos pela Fifa

Concaca
Logo da Concacaf - Foto: Reprodução

Campinas, SP, 30 – A Concacaf se manifestou pela primeira vez contra a proposta do plano da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 30, a entidade da América do Norte e Central reafirmou a posição de que o “futebol se mantenha nas mãos do futebol”.

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Não é a primeira associação a ir contra a federação máxima do futebol. Ainda hoje, os países da Uefa anunciaram boicote a todos os torneios geridos pela Fifa enquanto o projeto ainda estiver em discussão. Não se sabe se a Concacaf tomará a mesma atitude.

“A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar”, disse a entidade em comunicado oficial. “Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo”.

“A história mostrou à Fifa e à família do futebol o que acontece quando os guardiões do esporte perdem de vista esses valores”, seguiu a confederação, revelando em seguida que convocou uma reunião com seus 41 associados, membros do conselho, representantes no conselho da Fifa e a presidência.

“Os membros expressaram profunda preocupação com a falta de um devido processo em relação à proposta, com o prazo artificialmente curto imposto e com a ausência de qualquer análise ou aprovação por parte dos órgãos de governança competentes”, explicou a Concacaf, sobre a posição contrária.

ENTENDA O CASO

A ideia da entidade máxima do futebol é vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações, mas a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade.

Para o plano ser aprovado, a Fifa oferece US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) para as 211 filiadas nacionais – e um montante opcional de US$ 20 milhões (R$ 102,3 milhões) já seria dado para casa Associação Membro para projetos especiais do chamado Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).

No planejamento divulgado pela Fifa, cada federação ainda receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030 (o valor atual é de U$ 8 milhões). Nos seguintes, ganhariam US$ 22 milhões (2031/2034) e US$ 24 milhões (2035/2038).

A Fifa informa que, se criada, o FFE captaria US$ 4,2 bilhões (o equivalente a R$ 21,5 bilhões) ainda este ano para financiar o Fifa Fast-Forward (FFFP). A entidade fala em uma “seleção criteriosa de investidores” a longo prazo, que teriam as participações minoritárias, sem ter domínio sobre a FFE. Os lucros líquidos do braço comercial seriam investidos no desenvolvimento do futebol no planeta.

De acordo com a Concacaf, essa necessidade de investimentos de capital privado para financiar o programa, bem como outros novos logo após a Copa do Mundo que foi divulgada como a mais lucrativa da história, é motivo de preocupação.

MAIS DO “NÃO”

Assim, além de rejeitar, a associação norte-americana informou que encarregará seus membros no Conselho da Fifa a dialogar com a federação para determinar como as reservas financeiras poderiam ser utilizadas para aumentar o financiamento do programa, bem como de instruir o presidente, Gianni Infantino, a garantir que os processos de governança sejam seguidos.

“A Concacaf reafirma que o futuro do futebol – e o seu maior patrimônio – deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol”, conclui o comunicado.

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