Às vésperas da eleição, Felipe Roselli critica gestão do Guarani e apresenta propostas
Candidato da oposição pela chapa "Meu Bugre Forte" concedeu entrevista à Band e detalhou propostas de gestão.
Empresário Felipe Roselli, que teve chapa impugnada em dezembro e obteve vitória judicial, promete austeridade.
Campinas, SP, 22 (AFI) – No domingo, dia 26 de julho, os sócios do Guarani vão às urnas no estádio Brinco de Ouro para definir quem comandará o clube até 2028. De um lado, o atual presidente Rômulo Amaro tenta a reeleição pela chapa “Avante Meu Bugre”.
Do outro, o empresário Felipe Roselli, de 38 anos, lidera a oposição com a chapa “Meu Bugre Forte” — rebatizada após o imbróglio judicial que anulou a eleição de dezembro de 2025.
Nesta quarta-feira, Roselli foi sabatinado por 17 minutos no programa “Os Donos da Bola”, da Band Campinas. Falou sobre suas origens no clube, fez acusações graves à atual gestão, detalhou propostas e pediu voto. O candidato da situação, Rômulo Amaro, terá o mesmo espaço nesta quinta-feira. A seguir, tudo o que o opositor disse.
A BATALHA JUDICIAL QUE MUDOU O PLEITO
A eleição de dezembro de 2025 foi anulada pela Justiça. Roselli teve sua chapa — então chamada “Bugre Mais Forte” — impugnada e recorreu. Em abril de 2026, a 11ª Vara Cível de Campinas reconheceu vícios estatutários e determinou novo pleito. Desde então, a situação entrou com recursos; o mais recente, um Agravo Interno no Tribunal de Justiça de São Paulo, ainda não foi julgado.
“A gente ingressou em juízo porque entendeu que existiam diversas irregularidades. A justiça recebeu nosso pedido e reconheceu as irregularidades, tanto é que o processo foi anulado”, disse Roselli. “Que investidor vai investir bilhões no Guarani se nem eleição acontece? A gente veio para trazer legalidade e dar segurança jurídica ao investidor.”
SAF: SIM, MAS COM RESPONSABILIDADE
Um dos pontos centrais da campanha é a Sociedade Anônima do Futebol. Roselli refutou a tese de que o processo judicial tenha atrasado a venda. “Em janeiro, antes de qualquer decisão sobre a eleição, a própria situação retirou de pauta a apresentação da SAF aos sócios. Ou seja, essa questão de que a SAF não rolou por conta desse processo é mais uma falácia.”
Ele se declarou a favor da SAF — desde que o negócio seja bom para o clube. “É um mecanismo importante, mas tem que ser feito com responsabilidade. Um negócio mal feito pode ocasionar o fim do Guarani. Sou a favor desde que a proposta traga contrapartidas financeiras, esportivas e administrativas. Vender o Guarani só por vender, a gente tem N exemplos no mercado que não deram certo.”
Sobre o investidor Roberto Graziano, parceiro de longa data da atual gestão, Roselli disse que tratará com respeito: “O Roberto faz negócio com a instituição Guarani Futebol Clube, não é parceiro meu nem da situação. Caso a gente vença, vamos sentar com ele.”
“CADÊ O DINHEIRO DO GUARANI?”
A parte mais dura da entrevista veio quando Roselli questionou a gestão financeira do clube. Ele lembrou que Rômulo Amaro declarou, em dezembro, um superávit de R$ 8 milhões — “a primeira vez na história com superávit”. E contrapôs com dados do administrador judicial da recuperação judicial.
“Quando pego o relatório do administrador judicial, vejo em janeiro R$ 9,3 milhões de saída de dinheiro do caixa. Fevereiro, R$ 6 milhões. Março, mais de R$ 5 milhões. Foram R$ 42 milhões em venda de jogadores. O que foi feito com esse dinheiro? Como a gente sai de um caixa de R$ 8 milhões em dezembro e chega em junho com salários de maio, junho e julho atrasados?”, questionou.
“Será que o problema do Guarani é financeiro ou de gestão? Dinheiro no caixa tinha. O próprio presidente veio aqui falar. E hoje não tem mais. Eu quero saber: cadê o dinheiro do Guarani?”
CAMAROTE DO PRESIDENTE E “TORNEIRA FECHADA”
Roselli também mirou no que chamou de gastos supérfluos. “Eles reformaram o salário administrativo, construíram um camarote para o presidente. Tá lá no plano de governo deles. Enquanto os salários estão atrasados, tem um camarote lindo no Brinco de Ouro. Eu não tô dizendo para não ter, mas tudo tem hora. Usaram o dinheiro do Guarani para fazer coisas supérfluas.”
O bordão da campanha virou a “torneira fechada”. “É o princípio básico de qualquer negócio. Eu tenho que ter a torneira fechada, não posso ter gastança desenfreada. O que traz resultado dentro de campo é bons atletas, estrutura, base forte. Não é camarote para presidente, não é sala administrativa com bolinha e luzinha.”
O QUE ELE PROPÕE
- Gestão financeira austera — “Fechar a torneira”, cortar gastos considerados desnecessários e investir o dinheiro das vendas em estrutura e futebol, não em itens de luxo administrativo.
- SAF responsável — Somente aceitar um negócio que proteja o clube no longo prazo. “Quero o Guarani forte lá no futuro, que cresça em estrutura e traga resultado esportivo.”
- Base como prioridade — “O Guarani já foi um dos maiores reveladores do Brasil. Hoje não tem condição de contratar jogador de nível de seleção, mas tem condição de produzir dentro de casa. A gente compete com os grandes? Vamos dar estrutura para esses meninos: segurança de moradia, saúde, evolução física. A base é o foco.”
- Pé no chão com metas realistas — “A situação falou em Libertadores em dois anos. Gente, cada passo é um passo. Hoje o foco é subir para a Série B. Depois, a gente monta um plano para a Série A. Não adianta eu vislumbrar Libertadores se não consigo nem passar na Série B.”
- Departamento de futebol mantido — Roselli elogiou o elenco e a comissão técnica e disse que não promoverá mudanças drásticas em caso de vitória. “Seria leviano fazer algo contrário estando na iminência de uma classificação. A gente veio para agregar, levar mais estrutura para o departamento de futebol e juntos levar o Guarani de volta à Série B.”
QUEM É FELIPE ROSELLI
Felipe Ramos Roselli tem 38 anos. É empresário do ramo alimentício — diretor de marketing e vendas do Clube da Picanha Trend, rede de restaurantes e distribuidora de carnes sediada em Sumaré (SP). A relação com o Guarani vem da infância: seu pai, Maurinho, trabalhou na manutenção do estádio e foi um dos fundadores da torcida Guerreiros da Tribo.
“Meu pai trabalhou no Guarani muitos anos, cortando grama, na arquibancada. Eu vivi minha vida inteira dentro do Guarani. Cheguei a morar lá dentro por dois anos. Ali foi o quintal da minha casa. Muitas vezes eu sentava na arquibancada esperando vagar uma posição no treino da base”, contou.
Curiosamente, Roselli já teve vínculo formal com o clube. Em 2015, sua empresa Trend Alimentos tornou-se parceira comercial do Guarani para fornecimento de carne ao elenco — e a marca estampou a camisa bugrina naquele ano. Agora, ele quer voltar ao Brinco de Ouro pela porta da frente.
O QUE ACONTECE NO DOMINGO
A Assembleia Geral está convocada para as 9h30 de domingo, no Brinco de Ouro, com duração máxima de 12 horas. A votação é individual e secreta. Se a CBF marcar jogo do Guarani para o mesmo dia, a eleição será antecipada para sábado (25).
As chapas concorrentes serão as mesmas do processo eleitoral anulado. O edital prevê que os pedidos de impugnação — que voltaram a surgir — serão apreciados logo na abertura da Assembleia. Existe a possibilidade de o Tribunal de Justiça julgar o recurso da situação antes de domingo e cancelar o pleito, mas, por ora, o cronograma está mantido.
Roselli encerrou a entrevista com um aceno à torcida: “O Guarani é muito forte. Vi pessoas comprando camisa do Guarani em Itupeva. Bem trabalhado, bem administrado, sem gastança, com a torneira fechada, a gente tira o Guarani dessa situação.”





































































































































