Reforço que ficou apenas 18 dias no Guarani cobra ex-clube na justiça; entenda

Contratado como grande nome para a Série C, goleiro passou apenas 18 dias no Brinco de Ouro e pediu desligamento.

À época, diretor revelou que infiltração mascarou dores. Hoje, atleta cobra indenização milionária do Ceará.

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Campinas, SP, 20 (AFI) – O torcedor do Guarani se empolgou quando o clube anunciou Fernando Miguel como principal reforço para a temporada 2026. Goleiro experiente, com passagens de destaque por Vasco, Fortaleza, Vitória e Atlético-GO, ele chegava ao Brinco de Ouro com status de ídolo. Mas a história durou exatos 18 dias. Sem estrear, o arqueiro rescindiu, cogitou aposentadoria e, agora, trava uma batalha judicial milionária com o Ceará.

O QUE ACONTECEU NO GUARANI

Anunciado em dezembro de 2025, Fernando Miguel iniciou os trabalhos com o elenco bugrino no dia 26 daquele mês. Participou de apenas três sessões de treino. Durante as atividades, voltou a sentir fortes dores no joelho esquerdo — o mesmo que havia sido operado em 2024, após rompimento do ligamento cruzado.

Diante do quadro, o goleiro avaliou que não teria condições físicas de competir em alto nível. Procurou a diretoria, foi honesto sobre sua situação e pediu o desligamento. O Guarani aceitou a rescisão em comum acordo.

INFILTRAÇÃO QUE MASCAROU AS DORES

Na época, o executivo de futebol bugrino, Farnei Coelho, explicou os bastidores da frustrada passagem. Segundo ele, Fernando Miguel tomou uma infiltração no joelho antes de se apresentar, o que o ajudou a passar nos primeiros testes físicos — mas depois a verdade apareceu.

“Quando abrimos o contrato com o jogador, a gente assina um pré-contrato e esse acordo prevê um período de avaliação na pré-temporada. Ele tinha tomado uma infiltração, isso mascarou as dores e ele conseguiu jogar tranquilamente nos primeiros dias. Mas depois ele nos procurou, foi honesto sobre o tratamento e explicou que estava no limite dele para jogar futebol. Ele queria honrar o contrato, mas não conseguiu e pediu para sair”, revelou Farnei à época.

O contrato com o Guarani girava em torno de R$ 4 milhões e foi desfeito antes mesmo de a janela de transferências abrir.

APOSENTADORIA COGITADA

Após deixar o Brinco de Ouro, Fernando Miguel gravou um vídeo em seu canal oficial e admitiu que estudava a possibilidade de aposentadoria. Aos 40 anos na época, o goleiro parecia ter decidido que sua carreira havia chegado ao fim. Voltou atrás, mas desde junho de 2025 não entra em campo oficialmente.

AÇÃO CONTRA O CEARÁ

Agora, o goleiro move uma ação contra o Ceará, seu clube anterior, e cobra R$ 11 milhões. A defesa alega que houve erro médico no tratamento da cirurgia no joelho esquerdo, realizada em 2024 após rompimento ligamentar em atividade no CT de Porangabuçu.

Segundo o processo, uma ressonância magnética feita em 1º de dezembro de 2025 já mostrava “fissuras condrais profundas na patela” e derrame articular. Ainda assim, dois dias depois, o Ceará relacionou o goleiro para a partida contra o Flamengo, pela última rodada da Série A.

O escritório Mariju Maciel Advogados Associados pede a reintegração de Fernando Miguel ao Ceará para concluir o tratamento e voltar a atuar. A ação cobra ainda dois meses de salários atrasados (novembro e dezembro de 2025), 13º, férias e FGTS.

O Ceará informou que só se pronunciará quando receber a notificação judicial.