Marrocos investe R$ 30 bilhões e quer receber a final da Copa de 2030

O projeto da Arena prevê 115 mil lugares, com investimento de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões)

O desejo de Marrocos é sediar a final do torneio no Grand Stade Hassan II, que está em construção na província de Benslimane

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Projeto do estádio Grand Stade Hassan II, em Benslimane, no Marrocos - Foto: Divulgação / Populous

Campinas, SP, 20 (AFI) – Quarto colocado no Catar e sexto na América do Norte, Marrocos tem o ambicioso plano de conquistar a Copa do Mundo de 2030, da qual será um dos anfitriões com Espanha e Portugal na candidatura euro-africana.

“Na última Copa tínhamos um sonho, daqui para frente temos expectativas”, disse o técnico Mohmmed Ouahbi antes de a seleção marroquina ser eliminada pela França nas quartas de final, em Boston.

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O país africano reestruturou seu futebol e agora tem investido na infraestrutura das cidades, por meio de um amplo programa de investimentos em transportes, rede turística e estádios, para receber 20 jogos do próximo Mundial.

O desejo dos marroquinos é sediar a final do torneio no Grand Stade Hassan II, que está em construção na província de Benslimane, nos arredores de Casablanca, e é projetado para ser o maior estádio do mundo.

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PALCO DA FINAL?

O projeto da arena, assinado pelo escritório de arquitetura franco-marroquino Oualalou + Choi em parceria com o escritório global de engenharia esportiva Populous, prevê 115 mil lugares, com investimento de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões).

A cobertura do estádio é inspirada nas tendas tradicionais do deserto, conhecidas como “moussem”. O equipamento esportivo terá jardins suspensos a 28 metros do solo e uma estrutura suntuosa. A estimativa é de que a arena esteja pronta entre 2027 e 2028.

Simultaneamente à construção da gigantesca arena, estádios em Rabat (70 mil), Tânger (75.500), Marrakech (46.000), Fez (56.000) e Agadir (46.000) estão sendo reformados e ampliados para atender às exigências da Fifa.

“Bilhões de dirhams (a moeda marroquina) foram destinados a essas melhorias”, diz a jornalista Ibtissam Benchanna, repórter do site portal marroquino La Vie éco.

INVESTIMENTO PESADO

Ela conta que o programa de investimento na rede de transportes abrange aeroportos, rodovias, transporte urbano e ferrovias. O plano do governo, diz a jornalista, é expandir a rede ferroviária de alta velocidade de Kenitra e Casablanca até Marrakech, cobrindo cerca de 430 quilômetros.

O projeto, cujo orçamento estimado é de 96 milhões de dirhams marroquinos (R$ 52 bilhões), inclui a melhoria do acesso ferroviário ao Aeroporto Internacional Mohammed V e o desenvolvimento de serviços de trens metropolitanos nas regiões de Casablanca, Rabat e Marrakech.

“Espera-se que esses projetos reduzam congestionamentos, conectem estádios, aeroportos e centros urbanos, e tornem mais rápido o deslocamento entre as cidades-sede”, afirma Ibtissam.

“Como ocorre com qualquer grande projeto nacional, há tanto apoiadores quanto críticos. No entanto, espera-se que sediar a Copa do Mundo transforme profundamente a imagem, a infraestrutura e o prestígio internacional do Marrocos”, avalia a jornalista.

FUTEBOL COMO PRIORIDADE

Difundir ainda mais a modalidade é um dos objetivos de Mohammed VI, monarca do país africano que pretende fazer do futebol uma espécie de palanque de êxito e desenvolvimento humano e sustentável na sociedade local.

Ele sustenta que a decisão de receber um Mundial com Espanha e Portugal caracteriza a “união entre África e Europa, entre o norte e o sul do Mediterrâneo e entre os mundos africano, árabe e euro-mediterrâneo.”

“Além de ser uma paixão e a expressão de um talento criativo, o futebol é uma visão de futuro, um compromisso a longo prazo, uma governança eficiente e transparente e um investimento em infraestruturas e no capital humano”, afirmou.

TESTE PARA A COPA

No ano passado, o país sediou a Copa Africana de Nações, maior torneio entre seleções do continente e que serviu como um teste, ainda que de escala incomparável à Copa do Mundo.