Presidente da Fifa troca coletiva por encontro com Trump
Presidente da Fifa troca tradicional coletiva de encerramento por encontro com Donald Trump antes da decisão do Mundial.
Presidente da Fifa não concede coletiva de encerramento da Copa do Mundo e participa de encontro com Donald Trump em Nova York.
Campinas, SP, 17 – O presidente da Fifa, Gianni Infantino, quebrou o protocolo e decidiu não conceder a tradicional coletiva de imprensa de encerramento da Copa do Mundo. O cartola ítalo-suíço deixou de atender aos jornalistas no evento prévio à final do Mundial, entre Argentina e Espanha, marcada para domingo, no MetLife Stadium.
Em vez disso, Infantino se encontrou nesta sexta-feira com Donald Trump, de quem é próximo. Nesta sexta-feira, 17, o chefe da Fifa e o presidente americano estiveram juntos na Trump Tower, um arranha-céu luxuoso construído no início da década de 1980 e usado por Trump para estabelecer uma imagem pública de empreendedor de sucesso.
ENCONTRO POLÊMICO
Os dois discursaram por 22 minutos. Infantino falou durante os quatro primeiros minutos e classificou o torneio como “a maior Copa do Mundo de todos os tempos”. Ele citou números superlativos para comprovar o sucesso do torneio e repetiu elogios efusivos a Trump.
“O senhor não precisa que as pessoas o elogiem, senhor presidente, mas esta Copa do Mundo não teria sido um sucesso tão incrível sem o senhor. É o maior evento social e cultural humano que a humanidade já testemunhou, e todos nós fazemos parte dele”, completou o cartola, atribuindo parte do sucesso da competição ao amigo Donald Trump, que discursou por 18 minutos.
A Fifa tem, desde o ano passado, um escritório de representação no 17º andar do prédio na Quinta Avenida, em um dos pontos comerciais mais caros do mundo. A entidade usa o espaço em Manhattan para receber cartolas e outras autoridades.
“O sonho americano tornou-se realidade”, disse Infantino ao lado de Trump e da taça da Copa do Mundo. “Nós unimos o mundo.”
Infantino tem sido muito questionado sobre a interferência política do governo dos Estados Unidos nesta Copa do Mundo. Do sorteio da Copa ao julgamento de Balogun, Trump ampliou a ingerência sobre o Mundial com uma série de decisões controversas, incluindo o pedido para derrubar a suspensão do atacante Falorin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, prontamente atendido pela Fifa.
“Eu disse: ‘Gostaria de registrar uma reclamação’. Não fazia ideia do que iria acontecer. Mas foi muito melhor do jeito que as coisas terminaram, porque não houve polêmica”, disse Trump sobre o episódio em que ligou para Infantino.
SEM COLETIVA
Há quatro anos, no Catar, Infantino falou tanto na abertura do torneio como no encerramento. Neste ano, no Mundial da América do Norte, participou apenas da entrevista coletiva no México, antes do início da competição, e decidiu não falar com os jornalistas no final do campeonato.
Ele ficou quase três anos sem conceder uma entrevista coletiva. Havia falado pela última vez em 2023, durante a Copa do Mundo feminina, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, antes de voltar a responder aos jornalistas na abertura do Mundial da América do Norte.
Trump estará na final da Copa do Mundo para assistir a Argentina x Espanha, domingo, no MetLife Stadium, conforme disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
EVENTO COM FÃS
Em parceria comercial com a marca Fanatics, a Fifa organizou um evento para fãs, com venda de ingressos, em um gigantesco centro de convenções localizado em Manhattan. Era esperado que Infantino falasse com a imprensa no local, mas a previsão não se confirmou.
Foi este evento, chamado de Fanatics Fest, que recebeu tanto a entrevista coletiva do técnico da Espanha, Luis de la Fuente e do meio-campista Rodri, quanto do treinador da Argentina, Lionel Scaloni e do goleiro Dibu Martínez.
Eles falaram com a imprensa no último andar do centro de convenções e depois desceram para estar à frente dos fãs e responder a perguntas de diferentes figuras do esporte: o tenista Novak Djokovic, o ex-jogador de futebol americano, Tom Brady, e o astro da NBA, Kevin Durant.
Lionel Messi também estava no evento, cujo apresentador foi o ex-zagueiro inglês Rio Fernand. Como não fala inglês, Messi respondeu em espanhol e suas declarações foram traduzidas por uma intérprete.
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