Grêmio e Defensoria Pública da União assinam acordo para combater o racismo

Apesar de serem considerados crimes no Brasil, ocorrências desta natureza estão crescendo nas praças esportivas

Apesar de serem considerados crimes no Brasil, ocorrências desta natureza estão crescendo nas praças esportivas

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Porto Alegre, RS, 05 – O Grêmio e a Defensoria Pública da União assinaram um acordo para combater manifestações racistas e de injúria racial no futebol, em evento realizado no estádio do clube. Apesar de serem considerados crimes no Brasil, ocorrências desta natureza estão crescendo nas praças esportivas.

O documento assinado pelo presidente do time gaúcho Romildo Bolzan, pelo Subdefensor Público-Geral Federal Jair Soares Júnior, pela defensora pública da união e coordenadora do grupo de trabalho de Políticas Etnorraciais, Rita Cristina de Oliveira, visa criar ações efetivas contra qualquer ato discriminatório.

Grêmio e Defensoria Pública da União assinam acordo para combater o racismo

Grêmio e Defensoria Pública da União assinam acordo para combater o racismo

Em 2014, a imagem do Grêmio ficou muito arranhada depois que uma torcedora foi flagrada por câmeras de TV chamando o goleiro Aranha, do Santos, de “macaco”.

“O Grêmio tomou a pecha do termo racista no Brasil. Isso foi muito dolorido para nós. O Grêmio é um clube inclusivo, como todos os clubes de futebol no Brasil. O futebol talvez seja o meio mais inclusivo dentro de qualquer atividade social, onde prevalece rigorosamente o talento”, afirmou Romildo Bolzan durante a assinatura do pacto.

“Aqui não tem padrinho, nem cor, aqui se vigora o talento de cada um, vigora a capacidade de jogar. O futebol é o esporte mais inclusivo entre as práticas desportivas, o que faz com que uma ação como esta seja tratada com extrema importância por todos nós gremistas”, completou o mandatário.

MESMO DISCURSO
Na mesma linha, o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Alexandre Bugin, reforçou que o clube trabalha com várias ações antirracistas, dentro e fora dos gramados.

“Essa assinatura dá consistência e base ao nosso trabalho e mostra a intenção do Grêmio em atuar contra o racismo. O Clube como instituição tem responsabilidade para além das quatro linhas que é o de ajudar a construir a cidadania. É uma missão muito grande, mas que temos certeza que será atingida com êxito por que este é o nosso propósito.”

Já a defensora pública Rita Cristina de Oliveira destacou a iniciativa do clube em fechar um acordo com o Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais (GTPE-DPU).

“O futebol é considerado uma paixão nacional e mundial, porém ao que se mostra, tal qual a nossa sociedade, nasceu sobre bases estruturantes adoecidas pelo racismo. Negar essa realidade é leviano, irresponsável e um projeto de autoengano para continuar desfrutando de privilégios sobre essas estruturas que insistem em se dinamizar para continuar subjugando pessoas negras no País. O universo do futebol pode ser capaz de criar mecanismos que produzam sentimentos e ações em contraposição a esse universo perverso.”