Tiãozinho admite dívida com jogadores e negocia para encerrar greve na Ponte

O presidente afirmou que existe uma negociação para deixar o time mais leve na reta final da Série B

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O presidente afirmou que existe uma negociação para deixar o time mais leve na reta final da Série B

Campinas, SP, 13 (AFI) - A greve dos jogadores da Ponte Preta, que se recusaram a treinar nesta quarta-feira, fez com que o presidente Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, fosse a público para falar de salários atrasados. A preocupação é ainda maior, pois a torcida entende que a dívida possa estar refletindo dentro de campo, uma vez que o clube campineiro ficou um pouco longe da briga pelo acesso à elite do futebol nacional.

A Macaca estaria devendo três meses de direito de imagem, premiações por vitórias ao longo da Série B do Brasileiro, 13º e férias. Além disso, o clube cortou 25% dos direitos de imagem no início da pandemia e fez um acordo com o elenco em pagar o valor em dez vezes. Mas apenas uma parcela foi paga. Isso sem contar o salário do mês de dezembro, que ainda não caiu.

"Eu não considero que nós estamos diante de uma greve, de uma rebelião ou de um motim. Eu considero que os atletas, de forma legítima, estão buscando a melhor forma de encontrar a solução para um passivo trabalhista que a Ponte tem com esses atletas e os seus funcionários, diga-se de passagem. Nós estamos fazendo todos os esforços para resolver. É essa a questão. É bom que se diga também que, durante todo esse ano de 2020, a Ponte pagou rigorosamente em dia e, de forma antecipada os salários que estão na CLT. Então é a primeira vez, em 12 meses, que nós estamos com quatro dias de salários atrasados na CLT", falou o mandatário, antes de completar.

"É disso que se trata. Então, obviamente, tem toda uma mobilização e um esforço. Então eu quero focar na solução. Do ponto de vista legal, o que a Ponte deve aos seus trabalhadores é a CLT de dezembro, que venceu no dia 11 de janeiro. Então o vencimento do pagamento dos salários foi no dia 11 de janeiro. Tenho que deixar isso muito claro, além do 13º. Então nós estamos focando, agora, na busca solução. O que tem de positivo nisso? É respeitando os direitos que eles, trabalhadores, têm."

Tiãozinho falou sobre situação da Ponte
Tiãozinho falou sobre situação da Ponte
O mandatário deixou claro que a diretoria está tentando encontrar alguma solução, mas jogou certa desculpa na pandemia e nos débitos com a Fifa.

"Nós temos que buscarmos, agora, uma solução. Nós estávamos falando de diversos números, que foram veiculados, inclusive, pelos veículos de comunicação. Hoje, os jogadores apresentaram uma proposta para tentar construir um acordo. Então em torno da proposta que os jogadores nos fizeram nós vamos buscar um acordo o mais rápido possível, porque a despeito de tudo o que foi comentado a rodada de ontem mantém as chances de acesso remotas, mas mantém as chances", disse.

Tiãozinho segue confiando no acesso e quer deixar o elenco mais leve para buscar os resultados dentro de campo. A Macaca tem hoje 48 pontos, quatro do G-4.

"Nós temos um jogo que pode ser decisivo para nós novamente contra o Náutico. Então, no futebol, o campo está oferecendo oportunidades de novo para a Ponte Preta voltar à competição. Então nós precisamos convencer os jogadores que isso está posto e está colocado. Fora das quatro linhas, cabe a nós e à diretoria a responsabilidade de buscar uma solução o mais rápido possível. É isso que nós estamos fazendo. Nós não estamos de braços cruzados fingindo que o problema não existe. Nós estamos enfrentando o problema."

"Agora, o problema financeiro se resolve de duas formas. A primeira é de onde virão esses recursos. Todo mundo sabe que nós enfrentamos, o Brasil e o mundo, uma pandemia que comprometeu as finanças. Vocês devem se lembrar que a primeira entrevista que eu dei, inclusive, quando nós falamos de pandemia, que nós tínhamos um fôlego financeiro para vencer 2020. A prorrogação do campeonato criou uma dificuldade adicional para a Ponte Preta. Adicionalmente, nós também tivemos que comprometer recursos que estavam empenhados para fazer esse pagamento em janeiro para pagar despesas relacionadas à Fifa, por exemplo, que não estavam no nosso planejamento. Então esses valores praticamente correspondem a uma folha de pagamento da Ponte Preta. Não tinha escolha", continuou.

Confira mais pontos da entrevista de Tiãozinho:

Hoje, nós tínhamos, obviamente, todo um processo de preparação para essas últimas quatro partidas em um outro cenário e um outro contexto. Então nós vamos continuar mobilizando os nossos atletas, contando com a cooperação dos nossos funcionários. Obviamente, a diretoria indo atrás dos recursos necessários para fazer frente a esse passivo que nós temos com os nossos trabalhadores. Agora, tem um número, tem um valor e tem uma proposta na mesa. É em torno dela que as negociações vão continuar."

NEGOCIAÇÃO

"A Ponte Preta vai continuar sempre prezando pelo diálogo dos seus trabalhadores e com os seus jogadores de futebol. Todo mundo sabe que o dinheiro não cai do céu, não nasce na árvore e não brota no chão. A Ponte tinha um planejamento financeiro e um orçamento. É óbvio que nós temos duas fontes de receitas ou três fontes de receitas. Uma está relacionada aos nossos patrocinadores e ver o que a gente pode antecipar de contratos com esses patrocinadores."

RECURSOS

"Uma outra forma está relacionado a de recursos que a Ponte tem a receber ainda da Federação Paulista e da própria CBF. É isso que nós estamos conversando. Eu estava há pouco com o presidente Reinaldo Bastos, pelo telefone. Ele está indo para o Rio (de Janeiro) agora. Ficamos de conversar logo após o almoço novamente para verificar. Tem recursos que vão entrar na Ponte Preta nesse mês. São recursos obrigatórios que as federações têm que nos transferir. Obviamente, podem surgir a oportunidade de negociação de algum atleta da Ponte Preta."

SAÍDA DE JOGADORES

"Agora, eu já recusei propostas para alguns atletas da Ponte Preta porque entendi que os valores estavam abaixo daquilo que eles mereciam pela qualidade desses atletas e pelo mercado. Então eu também não posso sair na rua oferecendo jogador da Ponte Preta para poder enfrentar uma solução de curto de prazo. Então é bom que a nossa torcida saiba que nós estamos enfrentando um problema de curto prazo do ponto de vista do salário."

MAIS DA PANDEMIA

"Do ponto de vista estrutural das competições, o desafio é maior. Nós temos que se preparar para um ano em que, tudo indica, nós vamos continuar com restrição de público nos estádios. Nós vamos continuar enfrentando o tema da pandemia até que se chegue essa vacina. Então não temos receitas adicionais que poderiam vir para socorrer o clube no momento que nós estamos atravessando. Esse é o desafio da Ponte Preta. Esse é o desafio de quase todos os clubes que estão na Série B. Eu diria de quase todos os clubes que estão na Série B."

EXTRACAMPO

"Então, enquanto presidente da Ponte Preta, enquanto dirigente da Ponte Preta e comissão técnica, nós vamos continuar tentando evitar ao máximo que esse assunto atrapalhe o nosso desempenho dentro de campo. Eu posso assegurar que não foram esses fatores que nos levaram a essa posição na tabela. Pelo o que eu tenho conversado com os jogadores e pelo o que eu tenho dialogado com a minha comissão técnica e com os nossos profissionais, a gente ainda respirando por aparelhos na competição. Estamos, mas a Ponte tem ainda chance de buscar o acesso."