Bomba! E-mails comprovam que Flamengo sabia dos riscos meses antes do incêndio no Ninho

As correspondências que evidenciam que o clube sabia do risco são datados desde o dia 11 de maio de 2018 - ou seja, nove meses antes

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As correspondências que evidenciam que o clube sabia do risco são datados desde o dia 11 de maio de 2018 - ou seja, nove meses antes

Rio de Janeiro, RJ, 09 (AFI) - Um ano e sete meses depois incêndio no CT Ninho do Urubu, que matou dez jogadores das categorias de base do Flamengo, uma verdadeira 'bomba' veio a tona na manhã desta quarta-feira (09). Isso porque a UOL Esporte teve acesso e divulgou alguns emails trocados por funcionários do Rubro-Negro que provam que o clube sabia dos riscos das instalações elétricas precárias.

As correspondências que evidenciam que o Flamengo sabia do risco são datados desde o dia 11 de maio de 2018 - ou seja, nove meses antes da tragédia. Além é claro das infrações da Prefeitura do Rio de Janeiro que não autorizavam que os locais fossem usados como dormitórios.

Os primeiros problemas na parte elétrica foram verificados uma semana antes do primeiro email. Quando um técnico de segurança do próprio Flamengo fez uma inspeção no local e fez um relatório falando de todos os riscos, que foram enviados aos responsáveis pelo CT e pelo clube.

E-mails comprovam que Flamengo sabia dos riscos meses antes do incêndio no Ninho
E-mails comprovam que Flamengo sabia dos riscos meses antes do incêndio no Ninho

"A avaliação foi realizada na presença do Sr Adilson, da empresa CBI, este indicado pelo Sr Luiz Humberto [Gerente de Administração do Flamengo], sendo comprovado as não-conformidades e suas gravidades. Conforme a avaliação do Sr Adilson e relatório anterior, a situação é de alta relevância e grande risco, ficando este de apresentar uma proposta ao Sr Luiz Humberto para atendimentos emergenciais de alguns pontos: quadro elétrico (poste ao lado do refeitório), disjuntores e fiação no jardim, quadro elétrico atrás do alojamento da base", alertou o relatório.

NADA FOI FEITO
Porém, além deste texto e de dez fotos que detalhavam as tais 'gambiarras' no quadro elétrico que ficava bem perto dos contêineres que eram usados como quartos, uma observação chamou bastante atenção no final do email.

"As irregularidades abaixo não serão tratadas no momento, pois, conforme informação, o local será demolido e substituído por novas instalações até o final do ano de 2018, deixando claro que caso haja fiscalização e autuação o argumento mesmo que evidente não justifica a irregularidade, ficando a critério do órgão fiscalizador a penalidade ou intervenção".

Isso porque a ideia do Flamengo era ter um novo CT para a base ainda em 2018, que iria substituir as instalações verificadas. Mas nada foi feito. Mesmo assim, um orçamento foi feito por uma empresa de elétrica no valor de R$ 8.550,00 com uma previsão de reparto de dez dias. Inclusive, houve a emissão de duas notas fiscais, mas o trabalho nunca foi executado e meses depois, a tragédia aconteceu, vitimando jogadores e famílias que não tinham nada a ver com isso.