Rivelino Teixeira: Ligação do rádio e o futebol do interior: Incertezas

As grandes revelações, os grandes nomes da imprensa esportiva, vieram das pequenas emissoras do interior

por RIVELINO TEIXEIRA - - - Jundiaí

O futebol do interior, os seus clubes tradicionais, e cada ano que passa aumentam as dificuldades para se fazer futebol, para revelar talentos e para sobreviver.

Essa constatação é a mesma na imprensa, no rádio e na televisão do Brasil. Eu cresci ouvindo rádio, e foi no rádio que aprendi e que me formei como um profissional da comunicação.

As grandes revelações, os grandes nomes da imprensa esportiva, no caso de São Paulo (acredito que isso em todo o Brasil), vieram das pequenas emissoras do interior e que hoje vivem o drama, como alguns dos mais tradicionais clubes do interior, da falta de respeito e de profissionalismo.

Ligação do rádio e o futebol do interior: Incertezas
Ligação do rádio e o futebol do interior: Incertezas

SONHO
Assim como um jogador de futebol, o comunicador nasce com o dom de informar, e aí segue toda uma trajetória para conseguir uma oportunidade no grande centro.

O garoto sonha em se tornar um jogador famoso, e assim também é com o comunicador, e assim em todas as profissões, o difícil sonho nem sempre será concretizado.

O RÁDIO
O que te faz ligar o rádio todos os dias? O rádio é considerado um dos meios de comunicação mais antigos do mundo. Mesmo com as mudanças tecnológicas, o meio continua sendo a mídia que atinge o maior público no mundo inteiro. Mas por que, mesmo em tempos digitais, o rádio ainda conquista tantos adeptos?
Mas aí uma questão, onde estão os grandes nomes do rádio e da tv que foram revelados o interior? E as revelações do rádio, onde estão.

No futebol e na imprensa os tempos românticos de jogos pelo interior. Como fazem falta XV de Jaú, União de Araras, Paulista de Jundiaí, Mogi Mirim, Marília, São José, Comercial de Ribeirão Preto, Francana, Catanduvense, América, Noroeste de Bauru, e tantos outros que agonizam ou chegaram perto do fim.

Na mesma linha estão as emissoras destas cidades, hoje são poucas que ainda transmitem o futebol de sua cidade.

No rádio e na tv, de uma maneira geral a imprensa, a situação é muito parecida.

Os grandes nomes que surgiram na grande imprensa vieram do interior, profissionais que empolgavam no rádio e que quase dava para ver ouvindo uma transmissão de futebol.

No país do futebol, a paixão nacional tem uma ligação direta com um grito de gol, com uma narração empolgante do rádio ou das emissora de tv. Nicolau Tuma, foi o grande pioneiro nesse tipo de narração aqui no Brasil e foi em 1931 que narrou pela primeira vez um jogo de futebol.

Tuma narrava com tantos detalhes e tão rápido que ganhou o apelido de “speaker metralhadora”.

A partir daí surgiram grandes nomes, pessoas que se destacaram como grandes locutores esportivos, cada um com o seu estilo de contagiar a torcida, mexer com o imaginário, fazer um lance ser mais bonito do que realmente é, despertar paixões, estilos inconfundíveis.

Seria uma missão quase impossível de lembrar de todos que vieram do pequeno rádio, mas nomes como que me empolgaram, como Vicente Leporassi de Franca, Fiori Gigliotti de Barra Bonita e o começo em Lins, Osmar Santos de Marília e aí vaí com Oswaldo Maciel, Luiz Noriega, Milton Leite, Hélio Luiz de Jundiaí, Claudio Zaidan, Luciano do Valle, Nilson César, Alberto César, Cledi Oliveira, Moacir Mainardi, Jorge Vinicius, Bachin Júnior, Ney Sérgio, Antonio Edison, Reynaldo Costa, José Carlos Guedes, Maurício Camargo, e vai à fora, impossível de lembra o nome todos, narradores que fizeram parte da minha paixão pelo rádio e pela televisão, e que vieram da revelação das emissoras, da escola do rádio interiorano de São Paulo, e que fizeram carreira de sucesso.

Hoje alguns seguem numa grade emissora da capital. Outros voltaram para as origens e muitos, assim como um jogador de futebol, encerram a carreira.

É um sentimento de nostalgia, e ao mesmo tempo um sentimento de vazio, parece que está faltando algo. Este sentimento também vi numa das rodadas da Copa São Paulo de Juniores, no grupo de Jundiaí e nas cabines do velho Estádio Jayme Cintra, havia apenas uma única emissora de rádio da cidade, a Rádio Difusora de Jundiaí e alguns heróis de outros veículos que ainda mostram coragem para divulgar o futebol, quase falido do interior do estado.

Conclusão:- Assim como no futebol, a imprensa também vive momentos de incertezas, de falta de investimentos, de valorizar o talento e o trabalho com ética. Enfim, o rádio e a televisão passam por esta imparcialidade e muitas dúvidas para quem sonha em seguir aquilo que tem o dom da arte da comunicação.

Será que o futebol do interior e o velho rádio esportivo, será que eles um dia voltam aos seus lugares?

Não sei se viverei para ver uma nova fase do rádio, uma fase em que os profissionais terão trabalho e poderão seguir com o sonho, mas uma coisa eu falo:- Eu vim do rádio do interior e tenho muito orgulho!!!

RIVELINO TEIXEIRA - -
Nascido em Jundiaí, é um daquelas natos radialistas que aprendeu tudo na prática. Foi repórter, narrador e comentarista como das Rádios Cidade e Rádio Jundiaí, ícones da cidade. Também passou a comandar do Programa Lance Livre, no canal Net de Jundiaí. Ainda dirige o programa semanal, com grande
Veja perfil completo
Veja todos