Sérgio Carvalho: Fifa precisa e vai mudar o formato de disputa do Mundial de Clubes

E isso vai acontecer em no máximo três anos (talvez em 2023. Pelo menos é esse o plano da FIFA.

por SÉRGIO CARVALHO - - - Campinas

Na semana passada o Bayern, de Munique, Alemanha, sagrou-se campeão mundial de futebol inter- clubes. Um título que não vale quase nada e que não chama a atenção de ninguém antes, durante e depois de sua realização. Por isso, precisa ser radicalmente remodelado ou vai desaparecer em mais dois ou três anos de disputa.

O título é tão inexpressivo que praticamente não houve nenhuma repercussão da conquista do Bayern na imprensa mundial. Os próprios torcedores do Bayern encararam esse torneio como um evento amistoso que nada acrescentou a rica história deste gigante do futebol alemão.

Particularmente considero o Mundial InterClubes, uma das piores competições de futebol disputada em nosso planeta. Como eu, muitos jornalistas esportivos pensam do mesmo jeito e exigem uma mudança rápida neste cenário no menor espaço de tempo possível.

Bayern levou titulo em ritmo de treinamento
Bayern levou titulo em ritmo de treinamento

UMA SEMANA
Um dos motivos que me fazem desprezar esse torneio é que ele é disputado em pouco mais de uma semana, dentro de um nível técnico é sofrível. Os clubes que o disputam, com raras exceções, pouco representam no conceito do futebol mundial. A própria fórmula de disputa é ridícula e nada tem de atraente.

O Bayern, por exemplo, disputou apenas dois jogos e já colocou a mão na taça. O Palmeiras, que chegou em quarto lugar, pouco ou nada fez para merecer estar lá. Aliás, sua participação no Mundial foi medíocre, sob todos os aspectos.

É por isso que considero o título conquistado pelo Bayern, sem nenhum valor real. É como aquele título conquistado num torneio de verão antes do início da temporada oficial. Um título que não acrescenta nada ao currículo do clube que o conquistou.

DISTORÇÃO
Mas não sou só eu que tem essa imagem distorcida deste torneio organizado anualmente pela FIFA. Sei até que muitos dirigentes desta entidade já chegaram à conclusão de que não dá mais para insistir nessa fórmula de disputa.

Na verdade, é preciso ampliar o número de clubes participantes, para dar qualidade aos jogos do torneio e valorizar a sua conquista. E isso vai acontecer em no máximo três anos (talvez em 2023. Pelo menos é esse o plano da FIFA.

MAIS DOIS IGUAIS
A ideia é promover mais dois mundiais com a fórmula atual e, em 2023, lançar um super mundial inter clubes, com 24 participantes e representantes de todas as partes do mundo. Entre os clubes que participarão deste novo mundial estarão oito da Europa e seis da América do Sul. Ao todo, serão 24 vagas.

Assim, além dos quatorze que representarão europeus e sul americanos, serão escolhidos mais dez clubes de outras regiões do mundo. Se esse projeto for mesmo viabilizado (e será!) , aí sim, o clube que chegar ao jogo final e vencer, será realmente o melhor time do mundo. Um super campeão.

SÓ EM 2023
A intenção era promover esse torneio de clubes já em 2022. Acontece que será neste ano o Mundial entre Seleções, que já movimenta um número enorme de torcedores e de patrocinadores.

Diante disso, a FIFA decidiu que promoverá mais dois mundiais no mesmo modelo daquele que foi disputado no Catar e, em 2023, lançará seu novo produto, o Super Mundial Inter- Clubes. Aproveito para informar que a sede do próximo mundial inter clubes será o Japão. Mas falta ainda escolher qual será a sede do mundial de 2022.

De qualquer forma, fico feliz em saber que a entidade que administra o futebol mundial também está, como eu, inconformada com a realização deste torneio nos moldes atuais. Ela garante que vai mudar tudo e vai mudar para melhor.

É tudo o que esperamos porque, do jeito que as coisas estavam não podia mais continuar, concordam???

SÉRGIO CARVALHO - -
Sérgio Carvalho é um dos ícones do jornalismo esportivo brasileiro. Sua coluna ganhou mais de cincoenta prêmios durante o período em que foi publicada pelo Diário de São Paulo (antigo Diário Popular) durante mais de vinte anos. Hoje é um dos pontos de referência entre os colunistas do Futebol In
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