Vulcão da Pompéia em erupção e ameaça o último tetrarca

Salomé verde quer a cabeça de Mustafá Contursi na boca da urna

por DALMO PESSOA - - - São Paulo

Apesar das aparências, a efervescência da política do Palmeiras ainda não saltou por cima dos muros do Palestra Itália, mas lá dentro há uma disputa de poder liderada por dona Leila Pereira, milionária no setor da Educação e financeiro e, praticamente, proprietária de um time que hoje é apontado, enganosamente, como new rich desse mundo louco da bola.

Não é bem assim, e nem se quer questionar isso agora, mas sim discutir o futebol de um clube que pode virar um Vesúvio com suas lavas de vaidade que podem causar mais danos do que as lavas de fogo, cinzas e tudo o mais como na destruição de Pompeia.

Leila Pereira: investimentos, dinheiro e poder
Leila Pereira: investimentos, dinheiro e poder

Para entender esse xadrez político não é absurdo mergulhar um pouco na história do mundo e tomar como modelo personagens bíblicos como Herodes, tetrarca, e sua enteada e sobrinha Salomé. O registro histórico é que sua mãe, Herodias, que odiava João Batista, porque ele a acusou de adultério por que trocou seu esposo Herodes Filipe, para juntar-se ao Rei Herodes Antipas.

CABEÇA NA BANDEJA
Então, como Salomé, a filha de Herodias, dançou para o rei, e este prometeu presenteá-la, e a menina perguntou à mãe Herodias o que deveria pedir ao tetrarca. Salomé pediu a cabeça de João Batista numa bandeja.

Claro que Leila Pereira não é Salomé e sua conduta é ilibada. Só que Leila gosta do poder e seu projeto é mandar no Palmeiras nos próximos anos. Quem poderia ser João Batista? Mustafá Goufar Contursi Maszjoub, o último dos tetrarcas do Palestra Itália.

O tetrarca Mustafá sempre teve bom relacionamento com Leila e seu marido, José Roberto Lamacchia. E o próprio Mustafá ajudou Leila a pavimentar sua eleição ao conselho com a autenticação dos tempos de associada de Leila. Assim, ela ganhou o direito de disputar a eleição para regularizar-se estatutariamente para disputar a sucessão de Maurício Galiotte.

HABILIDADE DE CATIVAR
Leila Pereira, com habilidade, soube cativar relacionamentos de acordo com a filosofia de Dale Carnegie, que ensinou como influenciar pessoas e conquistar amigos. Ora, com o dinheiro que ela botou no clube, acenando com um supertime e conquistas futuras, seu cacife eleitoral só cresceu.

Mustafá Contursi na mira felina de Leila Pereira
Mustafá Contursi na mira felina de Leila Pereira

A campanha de Leila para chegar ao Conselho Deliberativo lembrou um pouco a campanha do toma lá dá cá que deputados e senadores, prefeitos e governadores, guardadas as devidas proporções. Um exemplo é que uma de suas cabos eleitorais chegou a viajar aos Estados Unidos, no jato de Leila, para visitar uma filha.

A cooptação de seus eleitores – aqueles papa-natas de sempre que adoram uma carteirinha – passou também por convites a viagens ao Exterior em seus aviões. Houve jogos da Libertadores em que a ponte-aérea envolveu alguns voos extras.

DOAÇÃO OU EMPRÉSTIMO
Só que nem tudo, às vezes, é céu azul na política e a água sujou e derramou com aquela história de cessão de ingressos de jogos. Houve acusação de venda de ingressos – Mustafá foi acusado – e o caso está em apuração numa delegacia de polícia.

Aí entrou também um problema em que o marido de Leila teria emprestado dinheiro para o tetrarca Mustafá pagar impostos do sindicato de clubes do qual é presidente. Parece que Mustafá lançou o dinheiro como doação e não como empréstimo.

Mas a turbulência não são só esses problemas, houve o caso da autuação do Palmeiras por eventual sonegação de imposto de renda. É que Leila injetou muito dinheiro no clube e o lançamento contábil, como investimento em marketing, feriu a legislação do imposto de renda, configurando sonegação fiscal.

MULTA PESADA
O investidor (leia-se Crefisa) pegou uma multa de cerca de 30 milhões e para evitar problemas futuros, mantendo-se os dutos de investimentos do patrocinador, foi feito um contrato de mútuo – com garantias e, naturalmente, com remuneração de 7% ao ano, garantindo-se o dinheiro da Crefisa e, consequentemente, sua remuneração.

Só que houve um acordo para resolver o problema. O COF do Palmeiras, por sua vez, segurou a aprovação do contrato de mútuo, o Palmeiras passou a devedor no seu próprio balanço.

Para amenizar o impacto da negociação, Leila concordou com cláusulas de repartição sobre os lucros das operações de venda de jogadores crefisianos. Caberá ao clube um percentual nas vendas lucrativas. No caso de prejuízo, o Palmeiras tem que indenizar dona Leila e seu grupo econômico.

APROVAÇÃO DO CONSELHO
Claro que o Conselho Deliberativo concordou. Aliás, conselheiro de clube, salvo honrosas exceções, são neófitos e aprovam tudo em cruz porque não entendem absolutamente nada. Ter um Conselho omisso assim é melhor não ter nada. Certos conselheiros são burros cobertos de penas.

Claro que a eleição vai ser agitada e o clube poderá entrar numa crise sem fim, comprometendo o seu próprio futuro. Até porque virou uma disputa política forte entre Leila Pereira e seu grupo contra o tetrarca Mustafá e seus seguidores.

Leila não é Salomé, nem Mustafá tem tanta força.

Ele é o último tetrarca verde. Como a dona da Crefisa é poderosa ela quer mesmo o poder total, e se possível, a cabeça política de Mustafá na boca de urna. Dispensa-se a bandeja de prata na qual colocaram a cabeça de João Batista. Quem viver, verá.

DALMO PESSOA - -
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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