Pachecões: não enganem a torcida em 2022. Chega de canastrões! Chega de fake news!

Vem aí a Copa América e no Qatar tudo será diferente, dizem os exagerados de sempre.

por DALMO PESSOA - - - São Paulo

Por DALMO PESSOA

Fake news está na moda no pais do Fla-Flu político e ideológico enquanto o torcedor da seleção lambe suas feridas no meio da bruma de mais um fracasso da bola nacional. Os professores, especialistas de sempre, mergulharam no clorofórmio das ilusões e de teorias que não convencem mais ninguém. Vem aí a Copa América e no Qatar tudo será diferente, dizem os exagerados de sempre.

Ora, vamos ter outra seleção fake news, teorias próprias daqueles que mais parecem os pastores da madrugada e escritores de livros de autoajuda. Aliás, os Pachecões, que alardeavam que seria fácil a Copa, não explicam nada. Ora, o torcedor merece uma explicação racional e, nesta altura, deveria estar discutindo o futuro do nosso futebol. Mas, não. Deram mais um contrato para Tite. Nada contra, mas vale a pena insistir no erro?

Imprensa errou no prognóstico de Tite na Copa da Rússia e errou ao mantê-lo no comando da Seleção Brasileira
Imprensa errou no prognóstico de Tite na Copa da Rússia e errou ao mantê-lo no comando da Seleção Brasileira

NOVO ERRO ?
A mídia, que levou Tite no andor da unanimidade nacional, exceção feita a Tostão, não acende uma simples vela no túnel de nosso fracasso em quatro Copas do mundo - 2006,2010,2014 e 2018. Tem gente aí, que chegou a dizer que o Brasil não fez feio, nem fez bonito na Rússia. Como se vê, uma análise do tamanho da muralha da China, transbordante de platitudes de analistas vítimas de hipermetropia.

Os comentaristas do corporativismo – aqueles que vieram dos gramados e raciocinam como se estivessem ainda de calção e chuteiras, e não com a missão de analisar a realidade e jamais se furtar à verdade que as imagens de televisão cansaram de mostrar. Para comentarista ex-jogador, todos erram, menores atores medíocres em campo.

OLIMPO DA REALIDADE
Mas vamos a detalhes importantes para nos trazer de volta ao Olimpo da realidade. Os fatos são incontestáveis e é bom registrá-los para que não venham mais os Pachecões enganarem a torcida no Qatar:

1. Estamos seis anos sem Copas e sem prêmios da FIFA. Principalmente na Rússia nossos chamados craques não entraram na lista do Best (inclui desempenho na Copa e temporada passada). Nenhum brasileiro faz parte da lista dos melhores. O artilheiro foi o inglês Harry Kane com 6 gols. A França emplacou 3, Griezman, Mbappe (e esse será a maior sombra de Neymar no Paris Saint Germain – e mais Varane, um defensor.

Messi é o melhor pelo conjunto da obra
Messi é o melhor pelo conjunto da obra

2. Messi, que também fracassou nesta Copa, mas assim mesmo virou “BEST” do mundo cinco vezes, em 2009,2010,2011,2012 e 2015. Mesmo decepcionante na Rússia, Messi é melhor pelo conjunto da obra.

3. Por sua vez, Cristiano Ronaldo também tem cinco eleições como craque do mundo, 2008,2013,2014,2016 e 2017. Messi e Cristiano Ronaldo são recordistas em conquistas mundiais.

4. No tempo em que nosso futebol tinha craques de verdade cinco brasileiros ganharam troféus da FIFA. Romário em 96, Ronaldo 96, 97 e 2002. Outros brasileiros também se destacaram e mereceram o reconhecimento da FIFA: Rivaldo, Ronaldinho e Kaká em 2007.

Ronaldinho Gaúcho ganhou troféus da FIFA em 2004 e 2005. Claro que são somadas conquistas por clubes na disputa de taças e seleções. Em 94, Romário, Raí, Dunga, Mauro Silva, Roberto Carlos, Adriano, Leonardo, Neymar e Marcelo.

Vadão entre os melhores
Vadão entre os melhores

5. E quem votou desta vez? Foram técnicos – Parreira, Capello, Lothar Mathaus e Ronaldo e outros personagens. Se os jogadores não levaram nada, Marta entrou na lista das 10 mais e Vadão foi citado como técnico da seleção feminina por ter ganho a Copa América em abril último.

Essas escolhas dos melhores em competições na Europa e também em Copas é um retrato em preto e branco do nosso futebol. Precisamos nos reciclar. Como bem disse Tostão, não adianta ter boas ideias se você não consegue aplicá-las

6. Esta Copa nos mostrou a realidade. Somos produtores de bons jogadores, sem dúvida, mas quando a moçada vai embora, ela deixa o RG, indicação da nossa identidade futebolística, e enfia no bolso o passaporte, o que nos mostra uma outra realidade, não conseguimos acrescentar praticamente nada.

Esses jogadores, salvo exceções, só nos fizeram passar vergonha. Já outras gerações deixaram seu nome na história do futebol mundial. Estes sim, foram lá fora, venceram e como venceram!

7. Será que não exageramos com nossos jogadores? Afinal, a última conquista aconteceu em 2002, com o prussiano e rústico Felipão. Por que não ganhamos nada em quatro Copas, vencemos a medalha olímpica com Neymar e outros, mas ficamos nisso. Será que não existem mais craques como nos bons tempos? Ou são jogadores fake news?

8. Por que nessa Copa, em que muita gente que apontava a nossa seleção como favorita, e não colocamos ninguém na seleção do mundial da Rússia? Os nossos craques são verdadeiros? A pergunta não é desproposital.

9. É hora de revisão de conceitos e de nossa realidade. Mas sem palpites de especialistas e os eternos bajuladores. O assunto deveria merecer uma ampla discussão para o bem de todos, mas sem os engenheiros de obras feitas e construtores de platitudes que só envergonham um futebol cinco vezes campeão do mundo.

10. Por fim, a tradução de fake news: falsificar, simular, fingir, disfarçar, fazer truques, fraudes e falso.

11. Com esse futebol, e essa seleção, cheia de fake news, vamos passar muita vergonha lá fora. Na próxima Copa, os Pachecões precisam parar de enganar o torcedor. Ganhamos cinco Copas, mas hoje estamos a reboque do futebol internacional. Como diria Antônio Ermírio de Moraes, acorda Brasil !

DALMO PESSOA - -
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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