Todos inocentes, todos coniventes. E há vagas no Hotel de Sérgio Moro

Essa definição aplica-se corretamente à lambança na construção do Itaquerão, um negócio mal explicado, até hoje

por DALMO PESSOA - - - São Paulo

“Todos inocentes, mas todos coniventes”.

A frase, se não me falha a memória, é de Nelson Rodrigues. Essa definição aplica-se corretamente à lambança na construção do Itaquerão, um negócio mal explicado, até hoje, porque ninguém quer assumir seus erros, pagar os prejuízos e pedir desculpas à torcida.

É a velha história: quando não há transparência, quando a fraude se revela, quando a mentira prospera, ninguém quer assumir as suas culpas e erros ao tribunal de suas consciências e, sobretudo, porque o povo merece respeito e honestidade quando usam dinheiro público.

GÊNIOS DE MEIA PATACA

Esses gênios de meia pataca, quando as coisas dão erradas, comportam-se como se fossem avestruzes, enfiando suas cabeças ocas nas areias de sua incompetência.

A verdade é estuprada cada vez mais quando, para justificar erros e fracassos eles se omitem. Até porque falta coragem aos engenheiros desse calote, para assumir e reparar os enormes prejuízos que o clube teve até agora.

NAS ESCURAS - Itaquerão foi construído sem transparência e representa prejuízo ao TIMÃO.
NAS ESCURAS - Itaquerão foi construído sem transparência e representa prejuízo ao TIMÃO.

Não bastasse isso, esses incompetentes recorrem a placebos financeiros e a ideias de botequineiros da periferia.

“Ah, vamos dar como amortização das dívidas, as receitas extraordinárias".

Mas que receitas são essas se as próprias rendas dos jogos no Itaquerão são insuficientes para pagar, mensalmente, a parcela de 5 milhões e pouco ao BNDES? Dos setenta milhões arrecadados, até o mês passado, a amortização da dívida foi de apenas 14 milhões. O resto abateu a conta de juros da inadimplência.

CONSELHO AMORFO

Pior é que o Conselho Deliberativo é um órgão amorfo, que não entende nada, e os que entendem um pouco e dimensionam o tamanho do buraco financeiro, sabem que a dívida é impagável.

Assim, o que tem a dizer o Sr. Andrés Sanchez, Mário Gobbi, Roberto Andrade, Raul Correa, o presidente do Conselho Deliberativo, o presidente do CORI e aqueles que ainda têm respeito à tradição, grandeza e moral de um clube de expressão e grandeza do Corinthians?

Os inocentes e os coniventes devem assumir suas culpas. O Sr. Andrés Sanchez não vendeu os naming rights, mas gozou das delícias de suas viagens a Dubai, como se fosse um paxá de um sonho que pode virar um enorme pesadelo.

UMA PIADA - Andrés Sanchez se escondeu no banheiro feminino nas eleições para escapar da fúria dos opositores
UMA PIADA - Andrés Sanchez se escondeu no banheiro feminino nas eleições para escapar da fúria dos opositores

DIGAM ALGUMA COISA

O Sr. Luís Paulo Rosenberg, economista, badalado por tanta gente, estruturante da operação financeira na construção do estádio, tem algo a dizer? Ele disse que a decisão da Justiça de Porto Alegre, que cobra 475 milhões do clube, pode ser derrubada por falta de consistência.

Achamos até que a Caixa é credora do Corinthians nos 475 milhões, mas cabe-lhe culpa porque, como agente financeiro, não cuidou da administração do dinheiro que deveria ter sido repassado ao BNDES, se tivessem vendidos os naming rights e os CIDS da Prefeitura.

É bom não esquecer que os títulos da Prefeitura foram em emitidos em duplicata e o Tribunal de Contas do Município mandou refazer o lançamento. Venderam só 100 milhões dos 420 milhões. Os títulos micaram. Um redondo fracasso.

ROSENBERG VOLTOU !

O Sr. Rosenberg voltou agora, depois do fracasso do projeto financeiro, a cuidar do marketing do clube. A fase não está boa. Como um dos gestores do banco Panamericano, ele foi inabilitado

TROCA-TROCA - Depois de uma passagem pela Portuguesa, Rosenberg volta ao Timão
TROCA-TROCA - Depois de uma passagem pela Portuguesa, Rosenberg volta ao Timão

pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários. Depois de 8 anos conseguiu a reabilitação mediante o pagamento de uma multa de 75 mil reais.

Pois bem, em outra decisão judicial recente no caso do Banco Panamericano, Rosenberg acabou por levar nova multa de 500 mil reais por gestão errada. Segunda a punição, como se vê. Isso nos lembra um chá, vendido numa caixinha, com nome de mate (aquele que já vinha queimado). Rosenberg teve a sua credibilidade abalada. Agora voltou ao clube para consertar o plano financeiro que ele mesmo fez e deu errado.

ANUÊNCIA À OPI

Em maio de 2014 o Corinthians deu anuência à OPI – Odebrecht Participações e Investimentos para o lançamento de debêntures no valor de 350 milhões, com duração do contrato de 7 anos e com remuneração de 177,00% até 2021. Quem vendeu as debêntures?

A OPI, que embolsou o dinheiro ou fez uso de outra forma. Quem comprou? A Caixa. É por isso que ela se julga credora dos valores fixados na ação da juíza de Porto Alegre no valor de 475 milhões?

O cálculo atuarial, feito por uma empresa especializada, em outubro passado, apurou o valor das debêntures em mais de 900 milhões de reais. Se a Caixa comprou, a OPI vendeu o Corinthians assumiu mais essa dívida?

SEM TRANSPARÊNCIA

Cadê a transparência? Por que todos se omitem? Lembrem-se de que a caravana da Lava Jato estacionou na Fonte Nova. Pode vir pra cá. A Lava Jato não perdoa. E o juiz Sergio Moro está com vagas disponíveis em seu hotel da Federal em Curitiba.

P.S. – Pelo jeito, Marcelo Odebrecht ainda tem muita coisa a contar do computador de sua mansão. A ver, ouvir e acompanhar.

2 – Nelson Rodrigues tinha razão:

TODOS INOCENTES, MAS TODOS CONIVENTES .

DALMO PESSOA - -
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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