Dalmo Pessoa: Bela Roba a Arena Verde! Palmeiras x W. Torre: é um chapéu atrás do outro

Aliás, os negociantes do contrato de exploração da Arena Palestra, na parte que toca ao clube, merecem o diploma de incompetência

por DALMO PESSOA - - - São Paulo

A guerra nos bastidores entre Palmeiras e a W. Torre rompeu os muros do Parque Antarctica e os lençóis foram estendidos nos varais da opinião pública. A briga não é de hoje, vem desde a inauguração, ou até um pouco antes da Arena, porque o contrato tinha e tem cláusulas lesivas ao clube. Aliás, os negociantes do contrato de exploração da Arena Palestra, na parte que toca ao clube, merecem o diploma de incompetência, para não dizer que ficaria melhor se passassem a usar antolhos, ressalvadas algumas exceções.

No ano passado, neste mesmo espaço, dissemos que o Palmeiras pagava para jogar num estádio que é, ou era, seu. Pelo menos, a autonomia do Palmeiras na gestão do patrimônio não é total.

Os autores do contrato com a W. Torre causaram danos irreparáveis à instituição. Aliás, a própria auditoria independente que assinou o balanço de 2016 – a GF Auditores Independentes – registrou no balanço que temia pelo futuro do clube por causa da arbitragem sobre divergências na partilha das receitas da Arena.

Pois bem, o Palmeiras, nessa briga com a W. Torre, levou um chapéu atrás do outro. O último, e o mais importante, foi na ação proposta pelo clube, na qual cobrava 14 milhões de receitas não pagas pelo parceiro, e o juiz da causa decretou a extinção do processo porque o calote deveria ser discutido e resolvido, se for o caso, na arbitragem que está sendo feita na FGV – Fundação Getúlio Vargas.

Como esse contrato de exploração da Arena foi negociado pelo então presidentes Luiz Gonzaga Beluzzo, a aprovação acabou sendo feita sem uma discussão ampla e por gente incompetente. A maioria de conselheiros de clube, não entende nada e tudo passa batido.

Até aí, tudo bem, mas é triste e lamentável que alguns companheiros da mídia, por desconhecimento do contrato, acham que a W. Torre tem razão. E usam argumentos risíveis, como, por exemplo, que o Palmeiras errou em deixar de usar as catracas da W. Torre, gratuitamente. Ora, se o Palmeiras levou chapéus do explorador do estádio, o cadastro dos torcedores também poderia ser usado por ele para aumentar o seu faturamento, sem repassar nada ao clube.

Algumas questões colocadas merecem registro, para se provar que a Arena tem sido melhor para a W. Torre do que para o Palmeiras. Vamos lá:

BOLADA VINDA BILHETERIA
Em 100 jogos, o clube faturou nas bilheterias R$ 2.983.547,00 líquidos, até o final de 2017. Isso dá pouco mais de 1 milhão de reais líquidos por partida. Ora, se o time tem uma folha de 10 milhões de salários, o dinheiro mais grosso vem de outros setores. A bilheteria não resolve a situação.

A Arena veio acrescentar muito ao patrimônio do clube. Só que, por causa de um contrato lesivo, os resultados financeiros são pífios. A média de público aumentou, mas, provado está, que borderô não paga o futebol no fim do mês e no fim do ano.

E o Palmeiras, mesmo sem a Arena, sempre foi terceiro em rendas. Agora, ocupa o segundo lugar em bilheterias. Não fossem aportes financeiros – Paulo Nobre, a tia Leila Pereira, e outros recursos, o Palmeiras estaria na pior.

O resultado – a diferença das despesas para as receitas, em janeiro, foi de R$ 31.445.606,00, isto é, o clube arrecadou R$ 73.779.007,03 para uma despesa de R$ 42.333.400,28. Agora, sabem por que? No começo do ano, os clubes recebem cotas do campeonato paulista e outros são aquinhoados por dinheiro (antecipação) dos contratos de televisão, patrocínios etc.

No caso presente, o azul do balancete foi causado pela venda dos 80% dos direitos econômicos de Mina (R$38.915.000,00 – 10 milhões de euros – valor da moeda R$ 3,8915). E Mina ainda deixou de receber, por baixa contratual, R$10.779.406,83). E se não bastasse essa venda de Mina, mais as cotas antecipadas de competições, como cobrir o custeio de 42 milhões no mês de janeiro? Claro que o custo do futebol verde deve oscilar, até o fim do ano, de 10 a 20 milhões no mínimo.

INDO BEM
O negócio Arena, conforme está no balancete de janeiro, aportou R$ 625.979,18 - R$ 149.417,50 do borderô de jogos, e outras receitas. A parte da Arena é lançamento meramente contábil e entra na discussão da arbitragem da FGV. O Palmeiras levou chapéu como outras vezes. Esse é mais um.

Para finalizar, a briga entre Arena e Palmeiras lembra casais que, depois de um certo tempo de convivência, não dividem mais o mesmo edredom. E olhem que o Palmeiras deu, por 30 anos à W. Torre o terreno das piscinas (uma parte) de 50 mil metros quadrados, que na época, valia 500 milhões de reais. O Palmeiras cedeu patrimônio, não recebe o que tem direito e ainda passa por caloteiro. Vem mais chapéus por aí. E os defensores da Arena ainda inventam histórias da carochinha para justificar a bela Arena que pode virar um conto do vigário. E o dono ainda é chamado de caloteiro. Bela roba, essa Arena!

DALMO PESSOA - -
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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