Dois títulos perdidos: é muito nhém-nhém-nhém e pouca bola

O Vesúvio destruiu Pompéia e o número da besta é o 66!

por DALMO PESSOA - São Paulo

Um pensador disse que a melhor coisa da vida é gastar o dinheiro dos outros. No futebol é assim. Gasta-se à vontade, se o time ganha título, ninguém tira a caneta azul, colocada na orelha, para fazer contas. Como clube é entidade sem obrigação de dar lucro, o pessoal abusa do direito de gastar. O que importa é o título.

Outro dia, o burocrata Alexandre Mattos, responsável pelo futebol dos donos do Parque Antarctica, saiu-se com explicação que mostra a realidade que o dinheiro dos outros pode ser gasto à vontade:

“Olha, o Palmeiras tinha 90 jogadores em 2015, 40 estavam no elenco. Hoje, o Palmeiras tem 66 jogadores e 31 estão aqui. Naquele lote de profissionais emprestados, o clube pagava 2 milhões por mês, assim garantia o vínculo com os emprestados. Hoje, com 66 e 31 em atividade sob o comando de Cuca, os 35 que estão fora do elenco custam 800 mil mensais”.

A conta pode parecer pequena, mas se multiplicarmos por um ano, o custo dessa bagunça do Palmeiras se aproxima de 10 milhões. As contas com o custo do futebol sempre são escamoteadas e ninguém está preocupado com essa orgia financeira.

A conta pode parecer pequena, mas se multiplicarmos por um ano, o custo dessa bagunça do Palmeiras se aproxima de 10 milhões
A conta pode parecer pequena, mas se multiplicarmos por um ano, o custo dessa bagunça do Palmeiras se aproxima de 10 milhões

Outro dia, antes do jogo com o Flamengo, um jornalão comparou o custo dos dois times: o Palmeiras custa 11 milhões por mês e o Flamengo 10 milhões.

NÚMEROS VERDADEIROS
Por falta de transparência e desinformação da mídia, aceitam-se aqueles valores como verdadeiros. O custo do Flamengo ninguém sabe porque seu presidente – ex-diretor do BNDES – o banco que torrou bilhões nas Arenas, onde muita gente lambuzou as mãos na mais desbravada corrupção – alega que está tudo em dia.

Como nem sempre diretor de banco merece fé e credito, deixemos para lá, mas é bom não esquecer que o Flamengo sempre foi um dos campeões em dívidas a particulares e instituições financeiras.

O Palmeiras, e para refrescar a memória do Sr. Alexandre Matos, seria bom que ele e outros, que acreditam em histórias da carochinha, olhassem o custo do futebol no balancete do mês de maio último: as receitas foram de R$38.550.953,63 e as despesas somaram R$35.529.673,80, com um superávit de R$3.021.279,83. E olhem que dona Leila Pereira injetou 100 milhões em jogadores, desde quando chegou, mas o retorno não é dos melhores.

RENTÁVEL PRA QUEM ?
Ah, mas a Arena é rentável. Prá quem? Questionem o COF, por exemplo, e vão saber que a conta-débito da construtora para com o clube chega a mais de 5 milhões. Isto sem falar que o Palmeiras ainda paga 750 mil por partida para jogar no seu próprio estádio. Ah, mas o tíquete dos jogos do Palmeiras é maior do que o tíquete do Itaquerão, R$70,00 contra R$50,00 do Corinthians. Certo, mas bilheteria não paga a conta do futebol.

Quem está contente com a Arena deve ser quem faz os shows por lá. As receitas geradas pela Arena são meros registros contábeis nos balancetes e balanços do clube.

Claro que para torcedor o que interessa são as vitórias e os títulos. Isto só é possível com um time forte. Pois bem, esse rico Palmeiras, como disseram alguns babaquaras por aí, tem comido pó na corrida para alcançar o Corinthians no campeonato, e, dificilmente, conseguirá.

Não adianta contratar um time de estrelas. Às vezes, o brilho é grande, mas nem sempre o mais brilhante chega ao título.

O Palmeiras investiu muito, mais em quantidade, menos em qualidade. E o déficit de qualidade técnica surgiu em vários jogos, o que reforça o argumento de que nem todo time cheio de estrelas chega no topo.

ELENCOS ENORMES
Mas voltemos à questão de elencos enormes, nem sempre com muita qualidade, que custa caro e ainda cria um clima de disputa interna que, às vezes, compromete todo o trabalho e os desafios futuros. Aliás, uma das coisas mais importantes no futebol é a ciência da administração do vestiário, onde a vaidade, a inveja e outros fatos acabam por destruir a unidade, que é importante para conquistar alguma coisa.

O Corinthians, com menos investimentos, começou o campeonato com eficiência e os resultados aí estão. Vai ser campeão? Só lá do além Mãe Diná pode responder.

Aliás, o Corinthians acusou em seu balanço em 2016 um faturamento no futebol de 485 milhões e um custo geral de 299,5 milhões. Arredondando para 300 milhões, isto significa 25 milhões por mês. E se o Palmeiras custa 38 milhões/mês, ao ano sairão do caixa uns 450 milhões. Este ano, investiu muito dinheiro com a Copa do Brasil e fracassou no Campeonato Paulista (sem falar na grana de dona Leila Pereira).

FUTEBOL NÃO ACEITA DESAFOROS
O futebol sempre foi caro e não aceita desaforos. É bom não esquecer que Paulo Nobre tirou money do bolso, pendurou os débitos do clube no banco e até hoje, o Palmeiras paga o que deve a ele, Paulo. Por isso é bom tomar a chave do cofre de Alexandre Mattos porque contrataram alguns bagulhos caros. Burocrata ou tecnocrata não vê custos. O Vesúvio destruiu Pompéia. O Palestra é vizinho da Pompéia paulistana e é bom segurar o homem. Afinal 66 é o número da besta.

É hora de correr atrás do prejuízo, porque se o time fracassar na Libertadores, só restará o campeonato brasileiro. Se já escaparam dois títulos do rico Palmeiras, cada um que cumpra seu dever. Chega de jogadores falastrões, como esse Felipe Melo.

Um dos males do futebol é o nhém-nhém-nhém. É muito papo e pouca bola.

DALMO PESSOA
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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