A esmeralda não pode virar turmalina. Palmeiras: a imagem de time rico é falsa

A badalação que engana nos incautos estão produzindo uma falsa imagem de riqueza do Palmeiras

por DALMO PESSOA - São Paulo

A desinformação e a incapacidade analítica da mídia num exame mais profundo, e a badalação que engana nos incautos estão produzindo uma falsa imagem de riqueza do Palmeiras. Claro que toda parceria, num futebol exaurido em seus recursos pela Lei Pelé, mais a nefasta participação dos empresários nos ativos dos clubes, é bem-vinda, desde que normas sejam respeitadas para se evitar amanhã problemas como o caso Neymar-Santos-Barcelona.

Deixemos isso de lado e fiquemos só na questão específica entre o patrocinador e o Palmeiras. Dinheiro é bom, só que não aceita desaforo, e exige-se transparência.

Leila Pereira, da Crefisa, se diz empolgada com os investimentos no Palmeiras. Até quando?
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O Palmeiras já teve a experiência com a Parmalat. No começo, tudo bem, mas Calisto Tanzi deu com os fundilhos na cadeira e seu representante aqui, Gianni Grisendi também não se deu bem e só escapou do pior porque nossas leis nem sempre punem os poderosos.

O Palmeiras desfruta de uma estabilidade que começou na gestão Paulo Nobre, mas ultimamente, dada a situação do novo patrocinador, certos negócios desafiam a lógica e o balancete do clube no mês de abril passado mostra um crescimento de despesas com essa febre alta de contratações.

Claro que o patrocinador investe nas compras, mas isto traz no seu bojo um componente inflacionário que precisa ser melhor administrado. Os números do balancete – coisa que não agrada o torcedor, porque o interesse são vitórias e títulos – mostram que o novo rico precisa ter os olhos nos cofres do clube e os pés no futuro, a saber:

1- O futebol profissional e não profissional faturou no mês de abril 38.800 milhões (números redondos) e as despesas somaram 32.123 milhões, com o saldo positivo de 6 milhões. Como se vê, o Palmeiras é um time badalado, mas caro. No acumulado do quadrimestre, o clube arrecadou 153.700 mil e o futebol consumiu 132.438 mil, um custo de mais de 30 milhões mensais, mesmo com os aportes do patrocinador.

2- O resultado acumulado do futebol nestes quatro meses gerou um superávit de mais de 21 milhões – média de 5 milhões/mês.

3- O clube tem 47 milhões de aplicações financeiras, mas seu passivo circulante e não circulante, acusados no balanço de 2016 passa de 500 milhões. O Palmeiras recebeu 100 milhões da venda de tevê ao Canal Interativo, mas já gastou 40 milhões daquele valor com a amortização dos créditos de Paulo Nobre, que somavam em janeiro, aproximadamente, 120 milhões. A perda do título paulista representou uma queda de receita de cerca de 14 milhões.

4- Constam ainda do balancete de abril, além de aplicações financeiras de 47 milhões de reais, mais 24 milhões de créditos a receber. Mas isso é pouco.

5- No passivo de abril – no circulante – títulos a pagar e empréstimos e financiamentos – constam 130 milhões. Somem-se a tudo isso 60 milhões de obrigações tributárias parceladas (60.653 mil) e mais 55.800 mil de direitos de imagem.

6- Há uma conta – direitos federativos a amortizar – de 142 milhões, que são as contratações. Na contrapartida, o clube tem aqueles 47 milhões de aplicações, sendo uma das contas vinculada.

7- Além dos gastos do futebol, o clube tem investimentos no Palestra Itália e, segundo a auditoria, necessitou fazer FIDICS – Fundos de Investimentos de Direitos Creditórios – e os valores das obras são os seguintes no balancete de abril: 32.700 milhões (edificações em imóveis de terceiros) e 23.300 milhões (construções em andamento – prédio administrativo).

8- A Arena é um problema que está em arbitragem na FGV e algumas questões favorecem o clube. Só que a conta de crédito do Palmeiras junto à construtora já vai longe e o dinheiro não aparece. A própria auditoria independente, no balanço de dezembro de 2016, fez um alerta ao Palmeiras sobre as demonstrações financeiras quanto ao futuro da parceria.

9- O assunto Arena-arbitragem na FGV é proibido no Palestra Itália. Fala-se que os créditos do Palmeiras se aproximam de 6 milhões de reais. A construtora, por sua vez, julga-se credora do mesmo valor, pois cada jogo do Palmeiras no estádio custa 700 mil.

10- No balancete de abril, o valor lançado pela W.Torre ao Palmeiras é de 288 milhões com resultado acumulado de 2.094 milhões. Esse valor é meramente contábil ou não? Ninguém explica nada porque está tudo enrolado na auditoria da FGV.

11- Enquanto isso é bom que acendam a luz amarela no Palestra Itália. Time bom é o ideal, o patrocinador tem bala na agulha, mas dinheiro não aceita desaforo. E por isso, nada de Palmeiras – o clube mais rico num futebol semifalido. Se não, a esmeralda vira uma turmalina.

DALMO PESSOA
Um dos mais importantes e polêmicos jornalistas esportivos do país, foi colunista do Notícias Populares, jornal de maior venda avulsa da capital por vários anos. Falando uma linguagem direta para o torcedor, ele era temido pelos dirigentes e pelos que pisavam no tomate. E Carlos Caldeira Filho,
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