Fábio Moreno é o principal culpado pela perda de R$ 1,7 mi; o correto é demiti-lo

Time pontepretano é eliminado da Copa do Brasil

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

O mínimo que se espera da diretoria da Ponte Preta no transcorrer desta sexta-feira é que demita o treinador Fábio Moreno.

Claro que ele é o principal culpado de a Ponte Preta ter jogado R$ 1,7 milhão na lata do lixo, na noite desta quinta-feira, em Criciúma, com a derrota de sua equipe para o adversário catarinense através das cobranças de pênalti - 4 x 5 -, após empate por 1 a 1 no tempo normal.

Sim, a Ponte conseguiu a façanha de não vencer o Criciúma que registrava a última vitória no tempo normal de jogo no dia nove de outubro do ano passado, diante do Londrina, pela Série C do Campeonato Brasileiro.

Na prática, nesta quinta-feira, o Criciúma mostrou porquê é lanterna do Campeonato Catarinense, com risco enorme de rebaixamento.

O problema é que a Ponte Preta se igualou em mediocridade técnica ao Criciúma.

Se não testemunhamos a vitória do time pontepretano sobre o Gama, há três semana, podemos afirmar categoricamente que o time piorou e muito daquilo que já não era convincente no Paulistão.

A postura da Ponte Preta em Criciúma foi de um elenco largado ao deus-dará.

POSTURA FÍSICA

O mínimo que cobraria da Ponte era postura física, mas neste quesito viu-se um time bem aquém do mostrado no Paulistão.

Poderiam até justificar falta de ritmo de jogo, mas convenhamos que pelo menos o time corresse.

Na prática, viu-se que vários atletas estavam com as 'pernas amarradas'.

Foi um jogo em que as oportunidades de gols da Ponte são creditadas às falhas de marcação do Criciúma: zagueiro Alemão rebateu bola no pé de João Veras, que chutou pra fora; em puxeta de Apodi, a bola também foi pra fora; Niltinho, estreante, livre de marcação, testou bola que tocou na trave.

Afora isso, viu-se o gol de falta de Camilo em falha do goleiro Alisson, aos 15 minutos do segundo tempo, em lance originado pelo atacante Moisés, o único que incomodou defensores adversários.

MESMOS DEFEITOS

Seria um despropósito a manutenção do treinador Moreno porque teve tempo de sobra pra tentar correção de defeitos.

1 - Excesso de recuos de bola de forma desnecessária, assim como toques curtos entre zagueiros.

2 - Time continua sem saída de bola aceitável. Se não há defensores capacitados para a função, também não se buscou alternativas com recuo de volantes e meias para desempenho da tarefa.

3 - Essa lentidão na transição defensiva ao ataque possibilita recomposição do adversário, e aí fica difícil a penetração num time que carece de talento.

4 - Time muito espaçado em campo, com dois atacantes bem abertos, quando o recomendável é sempre um deles entrar por dentro quando a jogada se desenvolve no lado oposto.

5 - Time com dois volantes fixos, sendo jogo para que um deles tivesse mais liberdade para se aproximar da área adversária.

TREINADOR RODADO

Por essas e outras, mesmo que a Ponte vencesse através das cobranças de pênaltis, ficou claro que o clube carece de um treinador 'rodado', capaz de mostrar organização tática, 'olho clínico' para as mexidas, e sobretudo tenha controle sobre o grupo para, no mínimo, cobrar desempenho físico de seus jogadores.

Logo, pelo retrato fiel do trabalho de Moreno, não é caso de postergar. O momento exige mudança no comando técnico.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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