Se o Bragantino é melhor, não cabe à Ponte Preta reclamar

Time pontepretano perde por 2 a 0

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Há circunstâncias em que a derrota é admissível, e isso se aplica à Ponte Preta que perdeu do Bragantino por 2 a 0 na noite desta segunda-feira, em Bragança Paulista.


Como há diferença técnica insofismável entre as duas equipes, não é o caso de críticas contundentes aos jogadores pontepretanos, pois não se pode cobrar mais de quem não tem esse algo a mais a oferecer.

ESQUEMA ACEITÁVEL
Com essa realidade, foi plenamente natural o treinador Fábio Moreno ter adotado esquema defensivo e novamente optado por contra-ataques.

Se a Ponte adiantasse as linhas e propusesse o jogo, o bem distribuído time do Bragantino encontraria mais facilidade para chegar ao gol.

Portanto, a enganosa goleada que a Ponte aplicou no Santos por 3 a 0 deixou aqueles desavisados de que o time estaria com outra cara.

Reafirmo que o Santos subestimou a Ponte ao escalar time reserva, com manutenção de estratégia ofensiva e defesa posicionada até além do meio de campo, o que permitiu contra-ataques do time campineiro.

BRAGA COMPLETO

No adequado planejamento feito pelo treinador Maurício Barbieri, do Bragantino, voltaram os titulares. E com eles a sabedoria para colocar em prática marcação sob pressão na saída de bola dos defensores pontepretanos que, assustados, davam chutões e devolviam a bola ao adversário.

Não bastasse isso, a pegada colocada em prática pelo Bragantino permitia desarmar frequentemente qualquer iniciativa da Ponte em trabalhar a bola.

Logo, ao impor volume de jogo do tipo ataque contra defesa, era natural se prever que o Bragantino fosse criar chances reais de gols, como no erro crasso do zagueiro Luizão ao presentear o atacante Ytalo, que chutou fraco e facilitou a defesa do goleiro Ygor Vinha, aos 28 minutos.

Nove minutos depois, em cruzamento de Artur, Ytalo testou e exigiu defesa difícil de Vinha. Só que na cobrança de escanteio, através do meia Claudinho, o atacante Pedrinho antecipou-se ao lateral-esquerdo Yuri, testou e abriu o placar.

LEO NALDI

Se a Ponte não conseguia saída de bola com quaisquer de seus defensores, seus volantes também não se habilitavam para início de jogadas, foi válida a iniciativa do treinador Fábio Moreno ao colocar o volante Léo Naldi, de mais mobilidade, no lugar do travado Barreto.

Como 'um' era pouco para o Bragantino, que pretendia consolidar a vitória para posteriormente administrá-la, já visando o jogo de quinta-feira contra o Tolima pela Libertadores, o objetivo foi alcançado mais cedo de que se previa.

VINHAS FALHOU

Claudinho finalizou de média distância, falhou Vinhas ao rebater a bola que havia quicado, Aderlan tentou concluir de imediato, mas a bola se ofereceu ao atacante Ytalo que ampliou a vantagem do time da casa, aos cinco minutos.

E quando a projeção natural seria que, a partir daquele instante, o Bragantino fosse reduzir o ritmo de marcação alta, a Ponte continuou na roda.

Só houve mudança de cenário quando o seu meio de campo foi fortalecimento com as entradas de Talles e Renan Mota e saída de Niltinho e Camilo, respectivamente.

Claro que naquela altura o Bragantino havia aflouxado aquela pegada na saída de bola da Ponte. O desenho era dele administrando a vantagem, apenas por vezes forçando jogadas ofensivas.

CLEITON

Foi aí que em jogada de Léo Naldi, como fosse ponteiro-direito, o meia Talles foi servido, e exigiu a única defesa da partida do goleiro Cleiton do Bragantino, aos 25 minutos.

Pra revigorar o fôlego do Bragantino, sabiamente o seu treinador Maurício Barbieri sacou simultaneamente Ytalo e Pedrinho para entradas de Hurtado e Luis Plilipi.

Depois disso a partida perdeu intensidade com outras substituições de ambos os lados.

Pressupõe-se, agora, que a Ponte encontre alternativas para se redimir diante do São Caetano, mesmo na condição de visitante, na próxima quinta-feira.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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