Adeus a Diede Lameiro, autor da frase de que 'todos os cartolas calçam quarenta'

Ex-treinador morreu aos 87 anos de idade

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Década de 70 o Paulistão era competição extremamente competitiva. Além dos chamados grandes clubes do Estado, parte significativa daqueles do interior montava equipes respeitáveis, e exatamente por isso foi muito valorizado o Guarani ter alcançado a primeira colocação do primeiro turno de 1976.

Na época, a equipe era comandada por Diede Lameiro, treinador de 'pulso firme' e sábio para lapidar jogadores, mesmo no profissional.

Pois Diede morreu na noite desta terça-feira em São José dos Campos, aos 87 anos de idade.

Lá se foram 45 anos da passagem de Diede pelo Guarani, tempos em que o clube revelava jogadores em quantidade e qualidade.

E mais: treinadores tinham 'olho clínico' para adaptar atletas de posições.

MIRANDA

Lateral-esquerdo Miranda, por exemplo, campeão brasileiro em 1978 pelo Guarani, foi ponteiro-direito no chamado juvenil A, visto que à época não havia a denominação juniores.

No começo da temporada de 1976, o ponteiro-direito do clube era Flecha, logo não havia a mínima chance de Miranda disputar a posição de titular.

Com o lateral-direito Mauro Cabeção frequentemente relacionado ao selecionado olímpico, Diede não hesitou em recuar Miranda para a posição, na ausência do titular.

Claro que inicialmente Miranda mostrou dificuldade na marcação, contornada gradativamente.

No início da temporada de 1977, o então treinador bugrino Paulo Emílio, substituto de Diede, optou pela fixação de Miranda na lateral-esquerda, em substituição a Deodoro, já que Mauro passou a ser aproveitado basicamente no Guarani.

Outrora era comum treinadores redefinirem posições de jogadores.

Saudoso Cilinho, na Ponte Preta, transformou um zagueiro lento como Marcão em centroavante, exatamente para explorar os dois metros dele de altura no jogo aéreo. Marcão morreu em 2019, aos 65 anos de idade.

FELIPE SARAIVA

Exemplos bem-sucedidos de remanejamento de posições de jogadores, mostrados por Diede Lameiro, Cilinho e tantos outros treinadores do passado, permitiram que eu sugerisse Felipe Saraiva, nos tempos de Ponte Preta, de atacante de beirada a lateral-direito.

Saraiva sabe finalizar? Não. Tem histórico de gols na carreira? Muito pouco.

Se é jogador veloz, por que não explorá-lo como ala, pra transição rápida ao ataque?

Pois assim não pensaram aqueles que o comandaram na Ponte, mas ainda cabe reflexão do treinador Thiago Carpini, da Inter de Limeira, clube em que o atleta está vinculado,

CARTOLAS IGUAIS

Como um fato puxa o outro, no zig-zag das letras, voltemos ao saudoso Diede Lameiro, que há 45 anos usou de extrema criatividade para definição de dirigente de futebol: “Todos os cartolas calçam quarenta”.

Que metáfora! No frigir ovos são quase todos iguais em comportamentos e defeitos.

Filho de Diede, o zagueiro Heraldo deu mostras de carreira promissora, após ter sido revelado pela Ponte Preta em meados da década de 80. Todavia sucumbiu.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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