Esperança é a última que morre, mas morre

Ponte Preta perde da Chapecoense por 1 a 0

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Foto: Márcio Cunha
Foto: Márcio Cunha

Frase que compôs o título da página era usada rotineiramente pelo saudoso radialista José Sidnei Bragantini, quando atuava na crônica esportiva de Campinas entre as décadas de 60 a 80.

Pois a esperança de acesso da Ponte Preta na Série B do Campeonato Brasileiro foi sepultada na tarde/noite desta quinta-feira, após a derrota para a Chapecoense por 1 a 0, em Santa Catarina.

Agora que tudo voltou à estaca zero na Ponte Preta, tem-se que revelar os culpados pelo desastre de uma das mais fáceis edições da competição, para se conquistar acesso.

Vejam que o CSA, com o dispensável lateral-esquerdo Diego Renan e o decadente atacante Pimpão está perto do acesso, bastando ganhar mais quatro dos seis pontos ainda em disputa.

Esse é o preço da Ponte Preta contar com presidente que não é da bola, caso de Sebastião Arcanjo, e incapaz de delegar função de gerenciamento do futebol para profissional competente antes do início da Série B.

Fosse um dirigente antenado, sequer admitiria o equivocado Gustavo Bueno para a função, considerando-se os incontáveis erros de contratações.

Será que Arcanjo sabia que o clube foi buscar um lateral-direito sem espaço nos principais cubes amadores de Campinas, caso de Léo Pereira?

Apesar dos desacertos de Bueno no futebol, Arcando decidiu bancá-lo no cargo até o dia que a corda roeu e já não seria possível a continuidade.

Qual o motivo? Amizade?

BRIGATTI

Pressupunha-se que Arcanjo deveria saber que o treinador João Brigatti se vale basicamente do aspecto motivacional.

Aí, tardiamente descobriu que ainda lhe faltam ingredientes táticos para se ombriar a treinadores 'canchados', e decidiu pelo troca.

Problema que aí faltou-lhe convicção sobre quem trazer, e entrou na onda do 'ouvi dizer'.

Assim buscou o superado treinador Marcelo Oliveira, com base apenas no retrospecto dele, e desconsiderando que o futebol evoluiu.

Aí, com a constatação da desastrosa participação de Oliveira no elenco, optou-se pela troca, casualmente recorrendo-se à solução caseira, com efetivação de Fábio Moreno no comando da equipe.

Com um ajuste aqui e outro acolá na equipe, sobrou um restinho de esperança ao torcedor pontepreto pelo acesso.

Ledo engano. Já era tarde. O milagre não ocorreu.

QUATRO CENTROAVANTES

Apesar da extrema limitação desta Série B, Moreno não conseguiu dar jeito na coisa por 'ene' razões: zaga comprometedora, Camilo e Bruno Rodrigues inconstantes e quatro centroavantes sem solução.

Como projetar acesso com atacantes de beiradas como Moisés e Guilherme Pato? Pois Pato teve a bola do jogo contra a Chapecoense, aos 47 minutos do segundo tempo, mas conseguiu fazer o mais difícil: finalizar em cima do goleiro.

LUAN DIAS

Depois que o meia Luan Dias imprudentemente cavou a expulsão, após entrada violenta e desnecessária sobre o lateral-esquerdo Alan Ruschel, aos 40 minutos do primeiro tempo, é recomendável sequer requisitá-lo para a partida contra o Figueirense, após cumprir suspensão automática diante do CRB.

Quem já estava pendurado com cartão amarelo, como ele, foi inadmissível aquele comportamento, em prejuízo à equipe.

Se com onze já estava difícil para a Ponte, imaginem completar a partida com dez homens?

O jeito para a Ponte foi se defender durante todo segundo tempo, com tentativa de esporádicos contra-ataques, diferentemente até então, quando ela propunha o jogo, embora não tivesse criado oportunidades claras de gol.

PRÓXIMOS PASSOS

Que a Ponte Preta inicie de imediato o processo de reformulação no elenco, dando chances para eventuais garotos da base que precisam ser avaliados, e saia em busca de contratações.

Será que o treinador Fábio Moreno acompanhou em detalhes jogos desta Série B, para indicar jogadores com alguns recursos, mesmo que necessitem de correções para melhor acabamento nas jogadas?

Ficou claro que é possível sim trazer supostos atletas contratáveis a preço compatível, e sem ingerência de empresários ligados ao clube

Esse fato tem ocorrido rotineiramente na Ponte Preta e engolido pelos dirigentes.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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