Acabou! Reformulação já, viu Ponte Preta!

Empate com Cuiabá aniquila pretensão dos pontepretanos

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Até aquele pontepretano cético em relação as chances de acesso de seu time nesta Série B do Campeonato Brasileiro arregalou os olhos e passou a acreditar em reviravolta quando aos 35 minutos do segundo tempo o lateral-esquerdo Yuri foi ao fundo do campo, cruzou a bola no segundo pau, para testada com estilo de Orobó.

Era um 2 a 1 sobre o Cuiabá, na tarde/noite desta segunda-feira em Campinas, que colocaria a Ponte Preta decisivamente no páreo, mas como acreditar num time que frequentemente falha?

Acreditem: zagueiro Luizão e volante Barretos foram driblados pelo atacante Jenison, do Cuiabá, de forma quase idêntica quando passaram lotados na jogada do garoto Matheus Souza, do Guarani, no dérbi de terça-feira passada.

A diferença é que o atacante bugrino chutou a bola na lua, enquanto Jenison, ao repetir os mesmos dribles na corrida, chutou a bola rasteira e defensável, com falha do goleiro Ygor Vinhas, sem elasticidade para a defesa.

Justiça seja dita: conta a favor de Luizão ter salvado gol do Cuiabá em cima da risca fatal do atacante Elton, no mesmo lance em que Vinhas defendeu milagrosamente chute de Anderson Conceição.

MEIO DO CAMINHO

O resultado de 2 a 2 deixa a Ponte Preta no meio do caminho, pois com 48 pontos seu limite passa ser de 60 na hipótese de ganhar todos os jogos restantes.

Já o Cuiabá, agora com 55 pontos, continua no páreo visando acesso nesta Série B do Brasileiro.

Bem ou mal, o treinador João Brigatti havia deixado uma gordurinha na passagem pelo Ponte nesta Série B.

Com a chegada do sucessor Marcelo Oliveira, sequer competitividade o time demonstrava em campo.

CINTURÃO DE MARCAÇÃO

Aí, no pré-jogo o treinador Fábio Moreno tem definido estratégias que se ajustam às limitações do elenco, ampliando-se o cinturão de marcação, e tentativa de opção de contra-ataques.

Tem lógica o esquema porque a Ponte não tem saída de bola qualificada da defesa, exagera no chutão, e quando presume-se que a bola vai ser trabalhada, são frequentes os desperdícios de lances até com jogadores mais qualificados como o meia Camilo e Bruno Rodrigues.

CUIABÁ ATACA

Ao estudar as deficiências da Ponte, o Cuiabá contrariou suas características em jogos fora de casa - quando prefere o contra-ataque - para propor o jogo.

E por ser um time mais ajustado, consegue trabalhar a bola até as proximidades da área adversária, porém peca pela lentidão.

Neste duelo, o estilo imposto favoreceu o trabalho de recomposição da Ponte Preta, que mesmo sem consistência ofensiva chegou ao gol aos 24 minutos, quando Guilherme Pato cruzou, lateral-esquerdo Romário perdeu a disputa de cabeça para Bruno Rodrigues, em lance que o goleiro João Carlos poderia ter espalmado a bola, mas tentou segurá-la e deixou que ela ultrapassasse a linha fatal.

CAMILO

Além de ter destoado nas últimas partidas da Ponte Preta, Camilo teve a bola do jogo para ampliar a vantagem aos 32 minutos, quando ficou cara a cara com João Carlos e chutou nos pés dele.

Apesar do gol marcado, Bruno Rodrigues errou a maioria das jogadas, com o agravante que Pato foi absorvido pela marcação, valendo-se apenas do desdobramento na marcação, até cansar.

Por isso, mesmo com a vantagem, faltou 'estrada' para o treinador Moreno observar que precisaria trocar peças ainda no intervalo, provavelmente fechar mais o meio de campo com outro volante no lugar de Pato.

Como isso não foi feito, foi aumentando o volume de jogo do Cuiabá, até a finalização de Marcinho e a bola desviar na perna de Luizão e trair o goleiro Ygor Vinhas, aos nove minutos: 1 a 1.

Apesar da maior presença ofensiva do Cuiabá, o gol de Orobó reacendeu a esperança pontepretana, mas além do time ter cedido o empate em seguida, ainda correu risco de derrota quando Maxwel perdeu gol feito.

REFORMULAÇÃO JÁ

Como o Paulistão 2021 bate as portas, recomendável é que Fábio Moreno volte os olhos para a preparação da equipe visando a competição.

Embora tímido na marcação na maior parte do jogo, outras chances deveriam ser dadas ao lateral-esquerdo Yuri.

Que se dê pelo menos uma chance para o zagueiro Léo, a fim de que seja avaliado.

Há quem diga que é impossível ser tão deficiente como Luizão e Wellington Carvalho.

Que se aproveite os quatro jogos restantes para se dar oportunidade ao garoto Pedrinho, da base, que no pouco tempo que atuou mostrou lampejos.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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