Conceição dribla obstáculos e mostra leveza; como driblar o período chuvoso?

Treinador Conceição corrigiu defeitos da equipe

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Felipe Conceição
Felipe Conceição

Quando o Guarani ainda cogitava a contratação do treinador Felipe Conceição, usei este espaço para contestação e justifiquei dificuldade para subscrever indicação de um profissional que havia deixado o meia Claudinho na reserva, nos tempos de Bragantino.

Na futebol a gente tem que dar a mão à palmatória quando assume posição e a prática mostra o outro lado.

Na bola há razões que a própria razão desconhece. Por isso Conceição deveria ter os seus motivos para ter 'sacado' Claudinho do time, nos tempos de Bragança Paulista.

MURILO RANGEL

Na chegada ao Guarani, ele foi igualmente criticado pela coletividade bugrina quando ousou deixar na reserva o meia Murilo Rangel, dando a entender que o estilo cadenciado do atleta não se encaixaria ao seu plano de jogo.

Pois Rangel soube pacientemente aguardar a chance de nova oportunidade no time, se adaptou rapidamente ao estilo de marcação, à proposta de futebol vertical exigida, e com isso também se aproximou da área adversária para finalizações.

MUDANÇAS

Quando o treinador Thiago Carpini não conseguia extrair mais nada deste mesmo elenco, quando o sucessor Ricardo Catalá desajustou aquilo que já não era satisfatório, eis que a chegada de Conceição foi marcada por ter desafiado incrédulos, com alegação de que o elenco não precisaria de reforços.

Assim, sem perda de tempo foi implantando modificações que passaram por mudanças de peças, encaixe de jogadores em outras posições, e capacidade de persuasão sobre o elenco, de forma que todos se motivassem e julgassem que poderiam ter lugar no time.

TIME ADIANTADO

De forma arrojada avançou a equipe, privilegiando marcação no campo do adversário. Também adiantados passaram a atuar os zagueiros.

Esta pegada mais forte nos primeiros 20 minutos tirou o adversário da zona de conforto para sair jogando, e isso implicou em bola 'quebrada', incontinenti recuperada pelo sistema de marcação bugrino.

Aí é que entra o 'xis' da questão: valorização da bola com objetividade, sentido vertical.

Jogo a jogo essas implementações foram bem-sucedidas e os atletas ganharam confiança.

BRUNO SILVA E PABLO

Conceição teve percepção de que Bruno Silva qualificaria a saída de bola na cabeça da área e passou a escalá-lo no lugar de Deivid.

Para o time ter fluxo nos lados do campo, ousou escalar Pablo pra fazer dobradinha com Cristóvam e posicionou Lucas Crispim como meia-direita, por vezes até invertendo de posicionamento com Pablo.

Do lado esquerdo, os arranques do lateral Bidu foram acompanhados com aproximação de Rangel e o atacante de beirada, ora Giovanny, ora Júnior Todinho, ora Renanzinho.

Assim, o Guarani passou a ser um time leve, de mobilidade, e rapidez para se aproximar do gol adversário, mas competitivo e que 'picota' o jogo com seguidas faltas, quando julga-as necessárias, mesmo que custem cartões amarelos.

BOLA AÉREA DEFENSIVA

Paralelamente foi programado ajuste para a bola aérea defensiva, a começar pela determinação do goleiro Gabriel Mesquita nas saídas da meta.

A estatura defensiva foi aumentada com a escalação de Bruno Silva, e assim parcialmente os defeitos foram corrigidos.

CHUVA

Em resenha com o amigo Tuta Orsi, que atuou como supervisor de Guarani, Ponte Preta e Bragantino, ele citou que o Guarani se transformou num dos principais times desta Série B do Campeonato Brasileiro, mas observou que deve ser levado em conta o período chuvoso: “Como o Guarani está mostrando ser um dos times mais leves da competição, que se aproxima com facilidade da área adversária, o problema que vejo é a chegada da temporada de chuva, que pode influenciar no rendimento da equipe”.

Pertinente a observação de Tuta Orsi. Resta saber se nos meses de dezembro e janeiro, geralmente chuvosos, o treinador Conceição vai saber driblar mais esse obstáculo.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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