Aniversariante Bela Vista é pioneiro do futebol feminino em Campinas

Clube amador completa 59 anos de fundação

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Cinquenta e nove anos de Esporte Clube Bela Vista, um dos mais tradicionais clubes amadores de Campinas, comemorado neste 15 de novembro.

Parabéns a esse quase sexagenário clube, de glórias e tradições, nos últimos 20 anos vinculado à Linfurc (Liga Independente do Futebol da Região de Campinas), que organiza competições para atletas em segmentos acima de 50 anos de idade.

Bela Vista foi uma ideia do saudoso Donato, que plantou a semente regada ao longo dos anos pelos filhos José Carlos e Antonio Carlos, o Tonhão.

FUTEBOL FEMININO

Bela vista que na década de 70, corajosamente, montou um dos primeiros - se não o primeiro - time de futebol feminino de Campinas.

Corajosamente porque à época o CND (Conselho Nacional de Desportos) proibia terminantemente a prática do futebol feminino no Brasil, atendendo determinação da então machista e discriminatória Fifa.

Na baixada do Taquaral, algumas meninas brincavam de jogar futebol em ruas do bairro e Zé Carlos teve a sensibilidade de levá-las para o sempre bem cuidado gramado do Bela Vista, tudo com a devida autorização de seu pai, o saudoso seu Donato.

DOCES CAMPINEIRA

Na época a fábrica Doces Campineira também havia montado um time de futebol feminino e as equipes sempre duelavam aos domingos à tarde, em eventos que atraíam centenas de pessoas àquela praça esportiva.

Tonhão lembra que a jogadora Mari era uma das melhores do time e a mais entusiasmada no incentivo a outras garotas. “A Cristina batia um bolão. Hoje ela tem um depósito de bebidas no bairro Flamboyant”, acrescenta.

Exagero ou não, Zé Carlos contou que o futebol feminino do Bela Vista atingiu 18 partidas invictas nos amistosos contra equipes locais e da região, na maioria das vezes jogando em casa.

GUARANI

Paralelamente ao Bela Vista, o Guarani incentiva o futebol feminino através de torneios internos no seu campo soçaite de 'areião' e de futsal.

Fernando Pereira, abnegado do futebol feminino do Guarani, conta que quando foi extinta a proibição pelo CND, em 1979, o clube começou a montar respeitável equipe, participando, posteriormente, do Campeonato Campineiro de Futebol Feminino.

DERBINHO

Para variar, no derbinho da final, na lotada Praça de Esportes do São Bernardo, teve briga no campo entre torcedores. “O Guarani ganhava por 1 a 0 quando o jogo foi paralisado. Depois mantiveram o resultado e ficamos campeões”, recordou.

Em 1984, com a volta de Leonel Martins de Oliveira à presidência do Guarani, a mulherada perdeu espaço literalmente. Houve desmonte das equipes de futebol e vôlei feminino.

SAAD

Nem por isso as meninas do futebol ficaram desamparadas. O incansável batalhador Romeu de Castro levou-as para o Saad, de São Caetano do Sul, aproveitando que a Ponte também havia encerrado o departamento de futebol feminino.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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