Ponte explora o fraco Náutico de Kleina para somar três pontos

O atual comandante Marcelo Oliveira conseguiu tranquilizar o time no intervalo para evitar erros até inadmissíveis

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Nos tempos de João Brigatti como treinador da Ponte Preta, se o time mostrasse desorganização durante o primeiro tempo, raramente via-se correção de rumo logo em seguida.

Pois na noite desta segunda-feira, depois de um atrapalhado começo diante do Náutico, o atual comandante Marcelo Oliveira conseguiu tranquilizar o time para evitar erros até inadmissíveis de passes, postura mais adiantada da equipe, que aos poucos foi tomando as rédeas da partida.

Foi assim que a Ponte Preta construiu importante vitória por 2 a 0 em Recife, como o placar poderia ter sido mais elástico se o atacante de beirada Moisés não alongasse demais a bola em drible sobre zagueiro dentro da área adversária. Assim, ao perder o ângulo para finalização, o chute foi pra fora.

E mais: se a alternativa com dois atacantes de beirada não foi funcional, Marcelo Oliveira prudentemente sacou o inoperante Guilherme Pato aos 20 minutos do segundo tempo, para povoar mais o meio de campo pontepretano com a entrada do volante Bruno Reis.

Em tempo: dois minutos antes de deixar o gramado, Pato perdeu gol feito ao demorar para finalizar, já dentro da área, e permitiu que o zagueiro Rafael Ribeiro travasse a bola.

OS GOLS

Paradoxalmente o primeiro gol da Ponte, aos sete minutos do segundo tempo, foi fruto de inversão de papéis.

Quem deveria estar na área para o cabeceio fez o cruzamento, caso de Matheus Peixoto.

Quem não tem características de cabeceio, como o meia João Paulo, teve percepção que poderia se antecipar ao lateral Hereda e foi bem-sucedido.

Já o segundo gol foi amostragem que jogador de média estatura, que se infiltra na área adversária em lance de bola parada, pode ter aproveitamento em cabeceio.

Foi o que voltou a fazer o volante Dawhan aos 22 minutos, a exemplo daquilo que fizera no dérbi campineiro.

Mesmo com o placar consolidado e percepção que o Náutico não provocaria ameaça, Marcelo Oliveira reforçou a marcação no meio de campo ao tirar o centroavante Matheus Peixeiro para entrada do polivalente Yuri.

KLEINA POUPADO

Se a mídia campineira faz o seu papel em cobranças que se fazem necessárias às comissões técnicas dos clubes locais, não se ouviu um piu de integrantes da Rádio Jornal de Recife sobre a comissão técnica do comandante Gilson Kleina, após a derrota do Náutico.

Críticas foram genéricas sobre falta de rendimento dos jogadores, diretoria do clube cobrada à busca de reforços, e houve até que dissesse que o Náutico nem deveria pensar em acesso, que o primordial seria manutenção na Série B do Campeonato Brasileiro à próxima temporada.

Cá pra nós: time em que jogador com a bola tem que procurar companheiro desmarcado para o passe é indício claríssimo de mal treinado. E quando se visa o passe, abusa-se do direito de errar.

O Náutico de hoje é um amontoado de jogadores que provocam correria, porém sem coordenação.

SUSPENSO

Com a suspensão de Kleina, o auxiliar direto Juninho ficou no gramado e conseguiu trocar o razoável Willian Simões pelo fraco Kevin na lateral-esquerda, entre outras mexidas infrutíferas.

Diante do exposto, a Ponte não poderia desperdiçar a oportunidade de somar três pontos e garantir permanência no G4.

Agora, com uma semana para trabalho, vai-se cobrar de Marcelo Oliveira para que coloque em prática os seus conceitos, e o time seja organizado de começo ao final da partida já contra a Chapecoense, em Campinas.


ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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