Gol voador de Pelé, no Brinco de Ouro, ficou fora dos arquivos

À época não havia transmissão ao vivo pela televisão, e sabe-se lá que emissora teria feito gravação, pois o lance jamais foi repetido

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Permitam-me mudar radicalmente a pauta do dia, visto que a Ponte Preta volta a jogar apenas na terça-feira e o Guarani na quinta. Então, viajemos 53 anos no tempo para um registro singular daquilo que Pelé fez em Campinas.

Oitenta anos de Pelé, cravados no próximo dia 23, são contados de incontáveis maneiras, desde que se transformou no maior jogador de futebol do mundo. Do repertório de títulos e gols, um deles, emblemático, ficou fora dos arquivos, e só pode ser contado de boca em boca para quem não viu. À época não havia transmissão ao vivo pela televisão, e sabe-se lá que emissora teria feito gravação, pois o lance jamais foi repetido nos últimos 53 anos.

PEIXINHO

Ocorreu em três de dezembro de 1967, numa tarde de domingo, no empate de Santos e Guarani por 1 a 1, no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas. Aos 14 minutos do primeiro tempo, Edu Jonas, ponteiro-esquerdo santista, fez cruzamento que mais parecia finalização de tão forte que bateu na bola. Aí, só um mágico como Pelé arriscaria mergulho ao encontro dela, chegando a tempo de empurrá-la com a cabeça para a rede, em lance registrado defronte a cabeceira sul do estádio, onde está instalado o placar eletrônico.

Até entre torcedores santista a comemoração foi tímida. Pelé havia sido nocauteado. Suspeitava-se que após o cabeceio tivesse se chocado no roliço poste esquerdo de madeira, o bastante para informações desencontradas, com suspeita até que teria morrido. Assim, ficou desacordado entre três a cinco minutos, até que se restabelecesse, quando fez questão de se encaminhar com a bola ao centro do gramado, alvo, então, de aplausos até de torcedores bugrinos.

ZITO

Um gol com tal singularidade não se pode perdê-lo no tempo e espaço. Provavelmente não se tenha informação de repetição no mesmo formato, com vôo literalmente na paralela do gramado. Por isso não cabia ao saudoso volante Zito, do Santos, cobrar mesmo rendimento dele na sequência da partida, desconsiderando a dupla marcação que recebeu dos zagueiros bugrinos Paulo Davoli e Tarciso.

O empatou ocorreu aos 28 minutos do segundo tempo através do ex-meias Milton dos Santos, em chute de longa distância e falha do goleiro Gylmar. A mídia rotulou o lance como frangaço do santista, em jogo visto por 13.500 torcedores, calculados de acordo com o valor do ingresso.

MILÉSIMO

De certo, nas dezenas de reportagens sobre os 80 anos de idade de Pelé, não estará incluso esse registro. Certamente vão lembrar do milésimo gol contra o goleiro Andrada do Vasco em 1969, os oito gols marcados na goleada por 11 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto cinco anos antes, e na despedida do futebol no Brasil em 1974, contra a Ponte Preta.

CACHORRO MORTO

Mais um crápula mata cachorro, agora a paulada. Registro é feito na coluna Informação, que por ora empresta o espaço do link da desativada coluna Anda Campinas.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos