Volta imediata do público não, mas discussão de como os clubes devem proceder sim

Clubes resistem à volta de público em seus jogos, numa questao polêmica e que divide opinões (todas plausíveis)

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Dia nove passado, após aglomeração de pessoas no final de semana prolongado por causa do feriado de sete de setembro, projetei neste espaço que a volta parcial e gradual de público nos estádios entraria na pauta de discussão de CBF, federações e clubes.

Havia colocado que flagrantes de desrespeito ao distanciamento social em todo país, como praias, bares, restaurantes, praças e logradouros públicos lotados seriam indícios de que a população, por conta própria, havia decretado o fim da quarentena, de preservação da transmissão do coronavírus.

Diante daquele cenário, infectologistas prognosticaram tendência de aumento dos casos da doença em semanas subsequentes.

Para fazer o contraponto, questionei: e se os fatos desmentirem a lógica, e não haja crescimento dos casos de infecção depois de toda aglomeração?

Calma. Só havia perguntado.

CURVA DESCENDENTE

Na hipótese de persistência da curva descendente de contaminações do maldito vírus, havia ressaltado que seria um prato cheio para que a turma do futebol reivindicasse das autoridades sanitárias a volta gradativa de público aos estádios.

Dito e feito. A CBF foi a primeira a se manifestar favoravelmente, e contou com respaldo do Ministério da Saúde, desde que não haja objeção de governadores e prefeitos.

DÓRIA

Aí o governador de São Paulo, João Dória, foi logo dizendo um sonoro não, e nem por isso pode ser contestado.

Jamais o projeto deveria prever de imediato a volta do público, pois os números de contaminação continuam alto.

Deveriam, sim, se mexer projetando retomada provavelmente para novembro, e desde que a curva de descida de transmissão do vírus seja realidade.

Se a princípio manifestei concordância de 30% de ocupação dos estádios, hoje, prudentemente, recuo para 20%.

E como evitar que essa gente provoque aglomeração dentro e fora dos estádios? É aí que a roda pega, e as propostas deveriam ser centradas neste tema.

ELITIZAÇÃO

Atual cenário indica como primeira postura elitização da clientela, com reajuste nos preços dos ingressos e programação alternativa de horários para acesso, com divisão de três blocos, a começar uma hora e meia antes do evento.

Como a prudência indica que ingressos sejam vendidos antecipadamente, a distribuição de público para jogo às 16h poderia observar um formado em que aqueles que optarem pelo acesso entre 14h30 e 15h teriam ingresso a preço 'x' e válido apenas para o período definido.

O mesmo se aplicaria no formato das 15h01 às 15h30, com custo do bilhete passando de 'x + y'. Por fim, quem quer o conforto de chegar na terceira e derradeira escala de horário para acesso, das 15h31 às 16h, pagaria pelo ingresso o custo de 'x + y + w'.

Provavelmente esse modelo seja um dos raros para se evitar aglomerações fora dos estádios, a fim de direcionar os torcedores aos seus respectivos acentos.

FILAS

Claro que isso demandaria funcionários do clube fiscalizando filas, para a devida exigência do distanciamento, além do uso de máscaras e higienização.

Evidente que os exemplos citados são apenas hipotéticos e, seguidos de outros, deveriam constar de discussões em lives que a CBF realiza com presidentes de clubes - como nesta quinta-feira.

Todavia, sem propostas básicas para discussão, a videoconferência acaba tumultuada, como ocorreu nesta última.

Apesar de eu ter colocado o assunto para discussão racional, cabe reafirmar que o atual momento ainda é inconveniente para o retorno de público aos estádios.

O momento é pra se abrir discussão de como os clubes devem proceder para se evitar aglomerações e estudo da melhor maneira de se colocar em prática todo protocolo de segurança aos torcedores.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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