Ponte converte 100% das chances criadas e apenas empata com o Coelho

Ponte converte 100% das chances criadas e apenas empata com o Coelho

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Álvaro Júnior/Ponte Preta
Álvaro Júnior/Ponte Preta

Quatro erros crassos de sistemas defensivos, dois de Ponte Preta e dois do América Mineiro. Resultado nesta quarta-feira em Campinas, pela Copa do Brasil: 2 a 2.

Viu-se um pobre futebol da Ponte Preta durante o primeiro tempo, com leve melhora na outra etapa, justamente quando colocou em prática uma marcação mais forte e induziu o adversário a sequência de erros de passes, fato que não havia ocorrido até o intervalo.

No frigir dos ovos, a lamentar para a Ponte Preta basicamente desajustes defensivos. Afora isso, teve aproveitamento de 100% das oportunidades criadas: duas e dois gols.

Ao América, nada a lamentar. A perda da dupla de zaga titular - formada por Messias e Eduardo Bauermann que contraíram o coronavírus - foi preponderante para desajustes no setor, nas poucas vezes que a Ponte exigiu.

Central Joselph e principalmente o quarto-zagueiro Anderson são fracos, notadamente no jogo aéreo.

Prova está que o atacante Moisés, da Ponte Preta, que não tem características de cabeceio, aproveitou cruzamento de Bruno Rodrigues, ganhou a disputa de Anderson e testou para abrir o placar à Ponte Preta, aos cinco minutos de bola rolando.

Depois disso só deu América durante o primeiro tempo, caracterizado por três lances capitais.

Primeiro: atacante Rodolfo, cara a cara com o goleiro Ivan, cabeceou para fora.

Segundo: escorregão comprometedor do lateral-esquerdo Lazaroni, de que se aproveitou o atacante Léo Passos para cruzar e Toscano empatar.

Terceiro: logo em seguida, em chute do meia Alê, a bola desviou em um jogador pontepretano, aparentemente tinha endereço certo, mas o goleiro Ivan praticou a defesa do jogo.

BRIGATTI RADICALIZOU

Natural que o fraco rendimento da Ponte durante o primeiro tempo, dominada em seus domínios pela América, forçaria o treinador João Brigatti buscar alternativas para mudança de panorama.

Todavia ele radicalizou.

No intervalo mexeu em três jogadores, com saídas de Lazaroni e Dawhan - já amarelados - e Moisés.

Pra todos efeitos, Brigatti tem a justificativa de risco de expulsão daqueles que já haviam recebido cartão, mas a saída de Lazaroni pode ser interpretada por descontentamento pela falha no primeiro gol do América.

Teve validade a entrada de Bruno Reis no lugar de Dawhan, para ajuste na saída de bola defensiva.

Válida igualmente a iniciativa de colocar o meia Luan Dias no lugar de Moisés, para que a Ponte ficasse mais povoada na meiúca, mas na prática Luan não correspondeu.

LATERAL-ESQUERDA

Adiantou a mudança na lateral? Claro que não. Ernandes, que entrou no segundo tempo, nada acrescentou ofensivamente e foi partícipe da falha coletiva que resultou no segundo do América, aos 46 minutos do segundo tempo, quando Neto Berola enfiou bola para o atacante Vicão. Aí houve precipitação do goleiro Ivan na saída da meta, e chegada atrasada na jogada do zagueiro pontepretano Alison, que implicou em finalização certeira de Felipe Azevedo: 2 a 2.

Antes disso, aos 29 minutos, o zagueiro Anderson, do Coelho, não saiu um centímetro do chão, facilitando o desvio de cabeça de Matheus Peixoto para o gol, após novo cruzamento de Bruno Rodrigues.

Assim, recolocada em vantagem, a impressão lógica era de que a Ponte sustentaria a vantagem, visto que o América mostrava claros sinais de cansaço.

Foi aí que o treinador Lisca resolveu revigorar a parte física de sua equipe e voltou a se aproximar da área pontepretana.

JOÃO PAULO

Claro está que o time pontepretano ficou bastante dependente do rendimento de seu meia João Paulo, para organização de jogadas ofensivas.

Desta feita, vigiado de perto pelo versátil volante Zé Ricardo, não repetiu atuações anteriores. Aí a Ponte careceu de criatividade, mesmo com a entrada de Osman.

É o terceiro jogo consecutivo de rendimento questionável da Ponte Preta.

A vitória sobre o Botafogo só ocorreu em decorrência de estranho gol contra do lateral-esquerdo Gilson, em recuo de bola.

Ganhar do desarrumado Avaí - como ganhou com gol de pênalti - seria uma obrigação, porque até o fraco Confiança por pouco não surpreendeu o time catarinense.

Aguarda-se, portanto, o retorno do meia Camilo para que a Ponte fique com duas referências de criatividade na equipe.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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