Ponte soube usar catimba para enervar e surpreender o Santos

Ponte soube usar catimba para enervar e surpreender o Santos

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Perplexo, atônito. Assim está o torcedor pontepretano ao conferir inesperada vitória sobre o Santos por 3 a 1, em pleno Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, na noite desta quinta-feira.

Ora, antes do retorno do Paulistão o pontepretano só rezava pro time escapar do rebaixamento.

Isso já seria lucro pra quem estava na lanterna da competição.

DIRIGENTES DESCRENTES

Até os dirigentes do clube mostraram descrença na qualidade do time, tanto que se apressaram na contratação de oito jogadores, visando o Campeonato Brasileiro da Série B.

Mesmo as vitórias sobre Novorizontino e Mirassol não trouxeram alento ao torcedor, após a classificação, para que o time chegasse à semifinal.

Aí entra aquele dito que em futebol o impossível se torna possível; o inimaginável transforma-se em real.

Há algum tempo aboli análise aprofundada sobre o chamado pré-jogo, exatamente pelo imponderável do futebol.

Contrariando essa lógica, eu e até centenas de pontepretanos cravamos não acreditar na zebra, mas ela está aí indesmentível.

CATIMBA DE OSWALDO BRANDÃO

Quando os fatos se alinham, aumentam as probabilidades de obtenção de êxito em missão a se cumprir.

Alguma orientação passada aos atletas lembrou o estilo do saudoso treinador Oswaldo Brandão, pra bater sem dó e parar com faltas jogadas em pontos vitais do time santista, casos dos atacantes de beirada Marinho e Soteldo.

Quando se abusa do jogo pesado é iminente o risco de cartões amarelos e até vermelhos, mas por sorte a Ponte contou com árbitro tolerante, que deixou o jogo correr.

Aí Marinho, visivelmente irritado ao ser caçado pelo lateral-esquerdo Lazaroni, revidou e foi advertido com cartão amarelo.

EXPULSÃO

Como continuou caçado, a cabeça dele se transformou num trevo, agrediu o volante Dawhan, e foi expulso aos 43 minutos do primeiro tempo.

Naquela altura o Santos vencia por 1 a 0, gol de Marinho aos seis minutos, ao escorar de cabeça cruzamento de Soteldo.

E foi um primeiro tempo em que a Ponte já poderia ter explorado erro crasso de conceito tático do treinador santista Jesualdo Ferreira, que deixou seu time exposto com apenas dois jogadores de pegada no meio de campo, casos de Alison e Pituca, visto que Sanches era pouco combativo e os três homens de ataque não recuavam para ajuda na marcação.

Apesar dessa vulnerabilidade santista, a Ponte só ameaçou naquele período em cobrança de escanteio aos três minutos, quando Dawhan cabeceou e a bola explodiu na trave.

UM A MENOS

Se no aspecto físico a Ponte insere-se entre as equipe mais bem condicionadas fisicamente neste Paulistão, era natural que se prevalecesse contra um adversário inferiorizado numericamente, principalmente neste estágio da competição em que as equipes ainda carecem da adequada postura física.

Pois sabiamente o treinador João Brigatti sacou o 'amarelado' Jeferson, no intervalo, para evitar um susposto vermelho de compensação. E com o atacante Moisés que o substituiu, o time ganhou velocidade pela direita.

Foi o período em que Roger havia substituído Safira, que inexplicavelmente teve nova chance como titular.

Portanto, no segundo tempo a Ponte soube aproveitar os espaços para trabalhar a bola, aumentar o volume ofensivo, e assim chegou ao gol de empate em cabeçada do atacante Bruno Rodrigues e falha do goleiro Wladimir, em lance que a bola passou entre as pernas dele.

VIRADA

Aos 15 minutos a Ponte virou o placar, em nova falha de Wladimir, que rebateu nos pés de Moisés bola chutada por Bruno Rodrigues.

E como dava tudo certo pra Ponte, até o apagado meia João Paulo fez jogada de craque aos 43 minutos e marcou golaço de canhota, ampliando para 3 a 1.

Na contextualização, com a expulsão de Marinho o Santos colocou tudo a perder.

Apesar da empolgante vitória, não há motivos para o pontepretano consciente cobrar coisa melhor da equipe no enfrentamento contra o Palmeiras, domingo. Caso aconteça, melhor ainda.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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