Treinador ganha e perde jogo; desta vez Carpini ajudou a perder

Guarani foi derrotado pelo Botafogo por 2 a 0

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Confira abaixo todas as possibilidades de a Ponte Preta fugir do rebaixamento.

Aí você olha o Botafogo lá atrás na classificação do Campeonato Paulista, sem mando de campo porque Ribeirão Preto está na faixa vermelha de liberação da economia, e projeta aquele Guarani galopante antes da pandemia do coronavírus como adversário, correto?

Problema é que em 130 dias um foguete chega até perto do planeta Marte. Logo, em igual período muita coisa muda neste troço de difícil entendimento que é o futebol.

Tanto muda que com um futebol minúsculo o Botafogo conseguiu o improvável para a maioria: vencer. E vencer por dois gols de diferença: 2 a 0 na noite desta quinta-feira, em São Bernardo do Campo.

Reflexo desta derrota é que só a vitória diante do São Paulo, domingo, coloca o Guarani nas quartas-de-final, independentemente do resultado do Corinthians contra o Oeste. Não vencendo, fica na dependência do concorrente e das contas.

ERROS DE CARPINI

Tão minúsculo quanto o Botafogo foi o futebol do Guarani, e principalmente decisões tomadas pelo seu treinador Thiago Carpini antes, durante e no final.

Quem diria que ao perder o lateral Pablo, por suspensão, Carpini não soubesse desatar o nó?

Mudou o lateral-direito Cristovam de lado e deixou o jogador torto, sem jogadas de fundo pra cruzar com a perna esquerda, e também com receio para fazer a diagonal, optando por desfazer-se da bola.

Improvisou o atacante Renanzinho na lateral-direita, mas o medo dele trabalhar a bola no ataque implicou que optasse por cruzamentos e volta rápida para não desguarnecer a posição.

Sem fluxo de jogadas pelos lados do campo, o futebol do Guarani ficou centralizado, e isso facilitou a malha de marcação do Botafogo, que se dispôs a basicamente a se defender.

Defendia mas sequer valorizava a bola, presenteando seguidamente jogadores bugrinos.

EDUARDO PERSON

Ora, se era flagrante o domínio do Guarani sobre o encolhido Botafogo, natural se esperar que com a perda por lesão de um meia ofensivo, como Giovanny, que o substituto fosse alguém da posição, ou até atacante, aos 25 minutos do primeiro tempo.

Sem a devida leitura do jogo, Carpini conseguiu desarrumar o mínimo de organização que a equipe mostrava, com Lucas Crispim buscando a bola para dinamizá-la, a exemplo do reestreante Artur Rezende.

Pois Crispim foi adiantado, sem que repetisse o rendimento inicial, enquanto Eduardo Person, que entrou na equipe, sequer conseguiu fazer o feijão com arroz.

Posicionar o atacante Alemão mais para o lado esquerdo do campo, considerando-se que não é jogador de velocidade para atuar por ali, foi outro erro.

Nada contra a mudança no intervalo, para entrada do estreante Waguininho.

Por que o treinador não se encoraja pra sacar o improdutivo Rafael Costa?

Que Alemão não correspondia plenamente, era visível. Mas que lhe desse chance de jogar um pouco mais, num escolha lógica entre ele e Rafael Costa.

Embora Carpini sempre assume a responsabilidade pela produção da equipe, não se poderia projetar um Guarani envolvente e com profundidade com tanto tempo de paralisação.

Previa-se orientação para que valorizasse a posse de bola, mesmo que circunstancialmente com lentidão.

Aí, quando as jogadas se afunilassem nas proximidades da área adversária, com exigência de rapidez nos toques para surpreender o adversário, eis que a boleirada bugrina errou muito.

WELLINGTON TANQUE

O inimaginável para o Guarani ocorreu aos seis minutos do segundo tempo, quando o volante Deivid cometeu falta violenta no meia Matheus Anjo, que recomendava o segundo cartão amarelo e, em consequência, o vermelho, não aplicado pelo árbitro Luís Flávio de Oliveira.

Na cobrança, o centroavante Wellington Tanque cabeceou e marcou o gol do Botafogo.

Com medo da expulsão de Deivid em lances subsequentes, Carpini preferiu sacá-lo, e houve perda de rendimento na cabeça da área, com a entrada do volante Marcelo.

TODINHO

Havia esperança do bugrino com a entrada de Todinho no lugar de Rafael Costa.

Na prática, em duas jogadas ele só não ratificou a condição de artilheiro porque o goleiro Darley, do Botafogo, praticou defesa difícil, e num segundo lance a bola foi devolvida pelo travessão, com Crispim desperdiçando o rebote.

Já com Bidu em campo o Guarani buscou desesperadamente o gol de empate, se desguarneceu, e ofereceu contra-ataque de bandeja ao Botafogo, que não soube aproveitá-lo com Murilo em defesa de Jefferson Paulino, mas não foi desperdiçado nos pés de Matheus Anjo que ampliou aos 49 minutos.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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