Pobreza técnica do Mirassol facilitou empreitada da Ponte Preta

Pobreza técnica do Mirassol facilitou empreitada da Ponte Preta

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Anos e anos de futebol nos ensinam que clubes médios e fracos só se ajustam com sequência de jogos.

Com a paralisação do Paulistão, por causa da pandemia do corona, o prevalecimento seria de aspectos técnicos de clubes que dispõem de melhores elencos.

Limitações técnicas dos demais não se corrigem do dia para a noite.

Portanto, esta nivelação por baixo, neste recomeço de competição, premia quem teve preocupação de melhorar o máximo possível o condicionamento físico dos atletas, caso típico da Ponte Preta.

Foi assim que de indicada ao rebaixamento garantiu vaga às quartas-de-final, após vitórias contra Novorizontino e Mirassol.

Agora, o que vier diante do Santos, em partida a ser programada no meio de semana, será lucro.

Caso não haja vencedor neste jogo, a definição se dará através de cobranças de pênaltis.

Com cotação de classificação mínima como oitava colocada do Paulistão, a Ponte já assegurou o prêmio de R$ 400 mil, oferecido pela Federação Paulista de Futebol.

FUTEBOL HORRÍVEL

Se contra o Novorizontino o futebol da Ponte apenas deu pro gasto, diante do Mirassol foi sofrível neste domingo.

Mesmo que ela se esforçasse pra não ganhar do Mirassol seria impossível, pela pobreza técnica do adversário, já demonstrada diante do Água Santa.

A missão da Ponte de construção da vitória poderia ter sido simplificada caso o seu treinador João Brigatti tivesse avaliado a fragilidade do Mirassol na bola aérea defensiva.

Nas raras vezes que a Ponte alçou bola pra área preocupou a defensiva adversária.

Prova está que quando o lateral-esquerdo Guilherme Lazaroni foi ao fundo de campo, aos 21 minutos do segundo tempo, e cruzou a bola no primeiro pau, o atacante Bruno Rodrigues acertou cabeçada que traiu o goleiro Kewin, sem que o atleta pontepretano fosse especialista neste quesito: Ponte 1 a 0.

Depois foi a vez de Moisés, que havia substituído o fraco Safira, perder o tempo da bola, e por isso a testada saiu fraca, facilitando a defesa do goleiro.

DESORGANIZADA

Como a Ponte não tem organização para criar jogadas de penetração à defesa adversária, poderia ter insistido no expediente de alçar bolas, na hipótese de ter treinado.

Erros do time começam pela defesa desvalorizar saída de bola, optando por quebrá-la.

Fluxo de jogadas através dos meias João Paulo e Zanocelo inexiste.

Pelas laterais as transições são precárias, quer com Lazaroni pela esquerda, quer com a dobradinha Jeferson/Apodi no lado direito.

Assim, ocasionalmente a Ponte assustou a meta adversária.

No primeiro tempo apenas com chute no travessão de Bruno Rodrigues.

E a Ponte ainda correu risco de ceder empate aos 41 minutos do segundo tempo, quando Matheus Rocha resvalou na bola que encobriu a meta do goleiro Ivan.

PROJEÇÃO LÓGICA

Projetar que a Ponte escaparia da degola já era possível após o recomeço dos jogos do Paulistão na quarta-feira, e isso foi cravado aqui sem cerimônia.

Só não chegou à natural constatação quem não se dispôs observar os confrontos dos clubes na zona da degola, e em que condições eles estavam voltando para finalizar a fase classificatória.

Como a Ponte havia conseguido o mais difícil, que foi passar pelo Novorizontino, claro estava que cravando vitória sobre o Mirassol chegaria aos 13 pontos, quatro vitórias, e que tropeços de Oeste e Água Santa na penúltima rodada já indicavam que sucumbiriam ao enfrentar Corinthians e Palmeiras, respectivamente.

DISPENSAS

Já que o elenco pontepretano está inchado com as contratações feitas durante a pandemia, agora já é hora de se pensar em recolocação de atletas supostamente dispensáveis.

Zagueiro Alison é fraco. Safira não correspondeu, e não vale a pena a insistência. E caso surja interessado em Apodi, que ainda tem mercado, o recomendavável seria facilitar a saída.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos