Quem é contra a volta do futebol já está com a vida feita

Quem é contra a volta do futebol já está com a vida feita

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Colunas Cadê Você e Memórias do Futebol já estão disponibilizadas com novos temas. Em âmbito doméstico, o focalizado é o ex-lateral-direito Luciano Baiano, com passagens por Guarani e Ponte Preta. No áudio de circulação nacional, o personagem é o combativo zagueiro Batata do Corinthians.

PAULO AUTUORI

Paulo Autuori, que retornou à função de treinador do Botafogo carioca, fala grosso que não volta ao trabalho enquanto perdurar alto índice de transmissão do coronavírus na cidade do Rio de Janeiro.

“Sou contra a volta do futebol neste momento. Precisam salvaguardar a integridade física dos jogadores”, cita.

Diante da postura dele, confesso ter fuçado o doutor Google pra constatar se havia registro de Autuori também ter renunciado ao pagamento do salário no período de paralisação do futebol, mas nada achei.

Autuori e alguns cronistas esportivos de diferentes veículos de comunicação também se posicionam contrário ao retorno.

PAULISTA

No caso do futebol paulista, se escoram na informação de que 21 jogadores contraíram o coronavírus, mais especificamente em Corinthians e Palmeiras.

Ora, 13 deles já estão recuperados. E alguém tem dúvida de que os demais também serão curados?

Atleta tem capacidade de recuperação incomparativamente maior de que nós, reles mortais.

Membros de comissão técnica e funcionários do Corinthians também acusaram positivo nos testes, já estão isolados, e nem por isso é razão para pânico.

Se os clubes ainda não voltaram aos treinamentos presenciais, a dedução lógica é que esse pessoal continuou se encontrando em diferentes situações, e foi se contaminando. Isso reflete a falta dos cuidados prescritos, como evitar saída de casa.

PLANOS PRIVADOS DE SAÚDE

Alguém precisa avisar aos senhores cronistas que esse pessoal do futebol e os seus respectivos familiares gozam de planos privados de saúde, com hospitais devidamente aparelhados para imediato tratamento de vítimas da doença, diferentemente da precariedade da rede SUS (Sistema Único de Saúde).

MUITOS PERDEM

Os quase cem dias de futebol parado provocam transtorno aos clubes.

Só antecipação de verba de televisão das Séries A e B do Brasileiro é pouco para quem recebia de patrocinador pela marca nas camisas, receita publicitária de placas nos estádios, bilheterias, cotas de TV dos regionais represadas e alta inadimplência dos sócios torcedores.

Logo, o processo de endividamento dos clubes se agrava, assim como todos aqueles que direta ou indiretamente têm dependência do futebol.

Integrantes de arbitragens, contratados por cotas fixas para atuação em cada jogo, também deixam de receber.

RÁDIOS

Quem investe em propaganda nas emissoras de rádio reduz valores de cotas, e até congela-as, com reflexo natural da manutenção da equipe.

Enfim, incontáveis pessoas têm dependência da sequência de jogos como meio de sobrevivência, mesmo realizados com portões fechados.

Logo, quem está com a vida feita e avalia a questão individualmente com reprovação da volta, que reflita no coletivo.

Se indicam o retorno do futebol com compromisso de se orientar pelo protocolo de responsabilidade e risco mínimo, não há porque vetá-lo.

Bem pior que isso é se permitir aglomerações no comércio e em transporte coletivo.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos