Com jeitão político, Tiãozinho faz discursos durante as entrevistas

Com jeitão político, Tiãozinho faz discursos durante as entrevistas

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

A carreira política como vereador e deputado estadual habilitou Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, à arte de falar bonito, como se discursasse em plenário do legislativo.

Ao ocupar a presidência da Ponte Preta, mostra facilidade para se estender sobre temas que requerem respostas sucintas, ou opta por tergiversar em perguntas que indicam objetividade.

Assim, com habilidade desarma o entrevistador, que nem sequer ousa réplica diante de respostas inconvincentes, como a justificativa vazia para manutenção do fracassado executivo de futebol Gustavo Bueno, após exagero de erros em contratações.

“Mais gente participou da montagem do elenco no início do ano, e por isso ele não pode ser responsabilizado isoladamente”, já justificou.

Evidente que Tiãozinho está incluso entre essa 'mais gente', quando na prática deveria terceirizar decisão, até porque não mostrou ser homem da bola.

Como dispõe do raciocínio rápido dos políticos, pode futuramente até ter discernimento de quem é quem quando a bola rola, e por isso deveria contar com um executivo de futebol capaz, e que não admita subserviência de treinadores que pelo clube passam, indicam contratações, abusam do direito de errar, e depois pegam o boné e se mandam.

INTREGAR O AMADOR

Numa das videoconferências em veículos de comunicação, Tiãozinho enalteceu integração dos departamentos profissional e amador, com implantação de filosofia única, segundo ele.

Ora, se o nível de revelação de jogadores da base do clube é bem aquém do imaginado, a providência prática seria reciclagem no departamento.

A própria história da Ponte Preta mostra que integração de ex-jogadores no comando da base foi acertada. Logo, o que é aceitável deve ser copiado.

Ultimamente, na Ponte e em outros clubes, o que se vê é treinadores das categorias amadoras priorizando detalhamentos táticos e relegando fundamentos, no passado tidos como prioritários para correção de erros.

No comando de ex-atletas como Santinho, Tuta, Wanderlei Paiva, Jair Picerni, Marco Aurélio Moreira e até Monga o atleta sabia cabecear e não errava passes de três metros.

Adaptação a esquemas táticos é mais fácil antes da profissionalização.

Portanto, priorizem prepará-los adequadamente para evoluírem no aspecto técnico.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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