Em política, quem ganha governa; quer perde deve fazer oposição propositiva

Em política, quem ganha governa; quer perde deve fazer oposição propositiva

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Blog nasceu e cresceu sob o signo do futebol, com finalidade de visão plural sobre Ponte Preta e Guarani prioritariamente, sem recusa de espaço para grandes clubes de São Paulo.

Foi tolerante uma pitada aqui e outra acolá sobre assuntos diversos, entre eles o cenário político.

De repente, de forma provocativa e até intempestiva, entrou na roda o internauta Rogério F. com multiplicidade de comentários diários contra o presidente Jair Bolsonaro.

Em tempo de efervescência política, o espaço continuou escancarado ao internauta, exceto quando extrapolou e tentou destilar seu veneno com xingamento. Aí foi censurado.

TERCEIRO TURNO

Neste estágio recessivo do futebol, cabe sim avaliação da conjuntura política do país, quando claro está o objetivo dos derrotados nas urnas presidenciais de 2018 pela busca de um utópico terceiro turno eleitoral, ou abrir espaço ao general Mourão, substituto automático de Bolsonaro.

Pretexto para descabida discussão de impedimento do presidente resume à aproximação de apoiadores durante manifestação de domingo passado, na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília.

Argumento usado é que deveria dar exemplo para se evitar aglomeração.

LULA

Cabe esclarecer meu voto em Bolsonaro exclusivamente com receio da volta ao cenário do rotulado esquema corrupto de poder do PT, que resultou na prisão de seu cacique-mor, caso do ex-presidente Lula.

No nascedouro do partido igualmente acreditei na defendida proposta de justiça social, não nego ter constatado que menos favorecidos foram amparados, mas paralelamente houve adesão àquilo que o partido tanto contestou: esquema de compra de apoio parlamentar.

E a coisa descambou até que nos surpreendemos com a revelação do escandaloso esquema 'Mensalão' em 2005.

Mesmo assim o partido resistiu e contou com apoio de movimentos sociais, artistas, intelectuais e jornalistas.

Lula, que à época 'posou' de traído, alegando que não sabia de nada, ganhou fôlego e intensificou o esquema de controle da máquina pública, para se que seu partido perpetuasse no poder.

CENTRÃO

Escorar no chamado 'Centrão' foi uma das alternativas. O grupo representa conjunto de partidos políticos sem orientação ideológica, que visa se aproximar do poder executivo em troca de privilégios.

Pois Bolsonaro tem resistido à chantagem do Centrão, a procura de benesses.

Ao endurecer, vê projetos enviados à Câmara Federal emperrados, engavetados ou modificados substancialmente.

Por ora ainda não foi votado o projeto que restabelece prisão em segunda instância, após alteração provocada no STF (Supremo Tribunal Federal).

PETROLÃO

O incorrigível PT se envolveu no maior esquema de corrupção que se tem conhecimento no planeta, que saqueou a Petrobras em parceria com construtoras.

Integrantes do partido foram julgados, condenados e presos, ocasião em que ficou escancarada a podridão de outros partidos também.

Após duas condenações em segunda instância, Lula ainda é acusado em outros processos, e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é acusado de enriquecimento ilícito.

LEI ROUANET

Lei Rouanet foi criada em meados da década de 90 para fomentar projetos culturais de artistas ainda sem destaque, que buscavam apoio na iniciativa privada em troca de isenção do aplicado em imposto.

No governo petista a torneira foi aberta para consagrados, a iniciativa foi desvirtuada, e Bolsonaro retomou a proposta original. Logo, contrariou privilégios. E parte dos preteridos engrossa o panelaço.

IMPOSTO SINDICAL

Já no governo do presidente Michel Temer, durante a Reforma Trabalhista, foi extinto o imposto sindical, que representava a saúde financeira de até 50% das receitas de sindicatos, federações e centrais.

Reflexo disso foram demissões de inúmeros atrelados às entidades, que, com raízes esquerdistas, agora protestam.

SERVIDORES E MÍDIA

Nos primeiros dias do governo Bolsonaro foi iniciada a 'despetização', com cerca de quatro mil servidores públicos exonerados.

Evidente que aqueles que perderam 'carguinhos' esperaram o momento para a forra e bateram panela na quarta-feira.

E a mídia?

Algumas não negam ideologia política, mas acostumadas à torneira que jorrava publicidade do governo federal, agora endurecem contra o executivo por causa do freio, como revelou o próprio presidente Bolsonaro.

Patrocínios da Petrobras, Caixa Econômica Federal, Correios, etc., foram congelados.

Duelos do presidente com a Rede Globo são visíveis.

Em tempo do aterrorizante coronavírus, quando o recomendável seria preocupação centrada em driblar o perigo, eis que vários segmentos utilizam medidas casuísticas para desviar o foco.

Cabe o lembrete que em política quem ganha governa; quem perde faz oposição propositiva.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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