Quando vão mexer na Lei Pelé, para sobrevida dos clubes?

Dirigentes de clubes despertaram para a trágica realidade, e houve desestímulo para investimento maciço nas categorias de base

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Outrora clubes de porte pequenos e médios reverenciavam revelações de jogadores da base por ocasião da Copa São Paulo de Juniores, investiam na formação para lapidá-los, já prevendo utilizá-los em seus respectivos elencos por um período, para posteriormente capitalizá-los em negociações com agremiações mais categorizadas.

O atleta era propriedade do clube, e cabia-lhe apenas 15% do valor da venda do passe, até que completasse 32 anos de idade, quando gozava de passe livre.

Pelé (foto), enquanto ministro dos Esportes no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, colocou como prioridade da pasta uma lei que rotulou de alforria à categoria, por entender que antes da vigência dela, em 1998, prevalecia a escravatura.

Baseava-se em exemplos de atletas sem acordo com clubes para renovações de contratos, encostados nos elencos, sem recebimento, porém ainda vinculados. E arrematava que a liberdade restringida de trabalho estava em desacordo com a Constituição.

EMPRESÁRIOS

O que Pelé não projetou, com a lei que leva o seu nome, foi impacto no cenário, de forma que o transformasse em propício para enriquecimento dos chamados empresários do futebol, que o atleta passasse a ter vida de cigano, e multiplicassem falências de clubes.

O garoto já chega na agremiação com empresário como procurador, e aí, ao sabor de conveniências dele, cabe negociação para se definir percentual que o formador terá direito em futura negociação.

Quando os clubes são detentores dos direitos econômicos, seguram atletas promissores através de longos contratos, mas com salários acima dos padrões. Só assim, em caso de rompimento, será possível garantir multa rescisória com valores até 100 vezes acima.

Na vigência da Lei Pelé, dirigentes de clubes despertaram para a trágica realidade, e houve desestímulo para investimento maciço nas categorias de base.

Não bastassem perdas econômicas significativas, sobraram deveres, conforme cita o artigo 29 da lei, que exige ao atleta garantia à assistência educacional, psicológica, médica, odontológica, alimentação e transporte.

ALTERAÇÕES

Sem mobilização de dirigentes de clubes para revisão da lei, coube ao deputado federal Luciano Bivar (PSL), por Pernambuco, em 2018, ter sido voz solitária a clamar por alterações, com finalidade de restabelecer aos clubes propriedade sobre passes de jogadores.

Agora, quando convergem atenções às categorias de base, com a Copa São Paulo, seria natural que algumas vozes, nos clubes, iniciassem o processo de rediscussão da Lei Pelé.

Façam isso enquanto não se vê a ampliação de insolvência de clubes.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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