Não, não traria Rafael Costa para o elenco do Guarani

Convenhamos que é uma aposta arriscada para um jogador de 32 anos de idade e que terminou a temporada passada na reserva do Botafogo-SP

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Outubro passado, após 34 anos, voltei a frequentar estúdio de rádio, pela Brasil-Campinas, no programa esportivo das 12h às 13h. E nesta terça-feira, o chefe da equipe, Alberto César, me questionou:

- Você contrataria o atacante Rafael Costa, que veio para o Guarani?

Sem pestanejar fiz uso do advérbio de negação na resposta.

Pra justificar o 'não', fiz comparação a jogador contratável que o Guarani sequer consultou, e agora integra o elenco do Vitória, caso de Júnior Viçosa, que estava no América Mineiro.

Longe de ser o centroavante dos sonhos, Viçosa cravou histórico de 11 gols na última Série B do Brasileiro, alguns de cabeça, ao explorar a estatura de 1,85m, contrastando ao 1,71m da altura de Rafael Costa.

Na discussão foi citado também o atacante Fábio, do Oeste, certamente mais concorrido e com mais recursos técnicos.

Minha citação não significa que necessariamente o atleta não vai convencer com a camisa bugrina.

Convenhamos que é uma aposta arriscada para um jogador de 32 anos de idade e que terminou a temporada passada na reserva do Botafogo de Ribeirão Preto, com histórico de apenas cinco gols na B, dois deles de pênaltis.

IMPREVISÕES

Esse troço chamado futebol é cheio de imprevisões e traiçoeiro.

Quem diria que aquele atacante baixinho Neílton, revelado pelo Santos como grande promessa, tivesse trajetória decadente, não se firmando em passagens por Cruzeiro, Botafogo, São Paulo e Inter (RS)?

Desde maio passado ele integra discretamente o elenco do Vitória (BA).

Quando o Palmeiras topou pagar salário milionário para tirar o meia Lucas Lima do Santos em 2018, quem, em sã consciência, previa que hoje o atleta seria hostilizado nas redes sociais por torcedores palmeirenses, porque não convence em campo?

Lucas Lima não repete sequer 20% do desempenho dos tempos de Santos, e ninguém consegue explicação.

O que falar do meio-campista Hernanes, que o São Paulo topou pagar R$ 13,2 milhões ao Hebei Fortune da China, no ínício do ano passado, ocasião em que o presidente Carlos Augusto de Barros, o Leco, previu a volta daquilo que rotulou de 'jogador extraordinário'.

Pois Hernanes, um dos mais altos salários do elenco são-paulino, terminou a temporada passada na reserva, sem repetir desempenho de passagens anteriores pelo clube.

GANSO

Se exemplos acima indicam que futebol é traiçoeiro e faz dirigente jogar dinheiro no ralo, há cartas marcadas para não darem certo, e alguns inábeis escorregam em casca de banana.

Se desde a passagem pelo São Paulo o meia Paulo Henrique Ganso dava indícios de ex-jogador de futebol em atividade, por que após rodagem sem sucesso no futebol europeu o Fluminense decidiu trazê-lo, projetando que seria o maestro do time?

Aí, segundo revelou o jornalista Cosme Rímoli, até o mês que vem o salário do atleta será de R$ 300 mil, com reajuste para R$ 400 mil de março até o final do ano.

E no Fluminense Ganso já amargou a reserva e bateu boca com o então treinador Oswaldo Oliveira, que acabou desligado do clube.

Portanto, margem de erro de quem opina ou decide no futebol tem que ser considerada.

Então, que aquela posição incisiva de rejeição inicial à contratação de Rafael Costa conste na margem de erro, e que o atleta possa repetir o futebol mostrado na rival Ponte Preta anos atrás.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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