Pelas virtudes do América, empate da Ponte precisa ser valorizado

Exceto o Bragantino, América pratica hoje o melhor futebol do Campeonato Brasileiro da Série B

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Por que o empate sem gols da Ponte Preta diante do América Mineiro tem que ser valorizado? Porque, exceto o Bragantino, na noite deste sábado ela enfrentou a equipe que hoje pratica o melhor futebol do Campeonato Brasileiro da Série B, e vai brigar com chances contra Sport Recife, Atlético Goianiense e Coritiba por uma das vagas.

Se a Ponte sofreu pelo volume de jogo do América durante o primeiro tempo, e foi salva por defesas preciosas do goleiro Ivan, isso tem muito a ver com a montagem equivocada da equipe pelo treinador Gilson Kleina.

Quando se tem que fechar mais o meio de campo, ele surpreende e escala a equipe no 4-3-3, com atacantes de beirada que não têm justificado vantagem em duelos contra laterais adversários, além de duvisosa recomposição.

Circunstancialmente Kleina corrigiu o erro no intervalo desta partida em Belo Horizonte, ao sacar o inoperante Vico que atuava pela direita.

Marquinhos, que o substituiu, teve atribuição de se posicionar mais por dentro, quer nas jogadas ofensivas, quer quando voltava para a marcação.

Assim, com o meio de campo pontepretano mais povoado, foram freadas aquelas arrancadas em velocidade do América, e sobraram mais bolas espirradas para o miolo de zaga pontepretano rechaçar, em vez do mano a mano do primeiro tempo.

EDÍLSON

No começo, o time americano forçou mais o lado esquerdo do campo, com Matheusinho fazendo a diagonal e levando vantagem sobre o lateral-direito Edílson, da Ponte Preta.

Todavia, com personalidade, Edílson foi se ajustando na marcação, já coadjuvado por Camilo.

Desta forma, a partir dos 20 minutos do primeiro tempo já não havia buraco pelo setor.

Problemas é que o improvado zagueiro Trevisan, na lateral-esquerda, pecava pela desatenção em quem caía nas suas costas. Por isso permitiu que Felipe Azevedo recebesse a bola livre e obrigasse o goleiro Ivan a praticar defesa difícil.

A rigor, nos exatos 20 minutos, o árbitro Paulo Henrique de Mello Salmazio foi rigoroso ao marcar pênalti em disputa natural de bola de Trevisan e Felipe Azavedo.

Pois o mesmo jogador do América cobrou rasteiro, no meio do gol, e Ivan defendeu com os pés.

Ressalta-se que o juizão acertou ao recuar após marcação de pênalti do zagueiro Ricardo Silva sobre Roger. De fato o atacante pontepretano estava impedido quando participou da jogada.

Outro acerto da arbitragem, já no segundo tempo, foi quando anulou gol da Ponte no arremate de Araos, de fora da área, pois Roger, em impedimento, abaixou-se para a passagem da bola, tendo participação ativa no lance.

CAJÁ

Já na metade do segundo tempo, quando o meia Renato Cajá já andava em campo, o América voltou a ter mais volume de jogo e Kleina demorou para sacá-lo.

A entrada do volante Washington, que estabilizou o setor, só ocorreu aos 33 minutos.

Outra demorada de Kleina foi manter em campo o apagado Araos - muito isolado na esquerda - para a entrada de Bill.

Assim, um empate que deve ser valorizado pela Ponte Preta por aquilo que representa hoje o adversário.

É surpresa a participação mais ativa do volante Juninho, além das arrancadas de Matheusinho e presença de área do atacante Júnior Viçosa.

O empate dá chance de a equipe pontepretana mostrar mais ajustes diante do São Bento, em Campinas, um adversário que precede o dérbi do próximo sábado no Estádio Brinco de Ouro.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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