Desafio de Carpini é montar estratégia que pare o Bragantino

Novo desafio do Guarani do Treinador Thiago Carpini será nesta terça-feira, em Bragança Paulista

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

1 - Há 55 anos o saudoso goleiro Galdino Machado foi vítima de histórica goleada do Santos sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, na Vila Belmiro: 11 a 0, oito gols de Pelé. Este mesmo Machado, do tricolor interiorano, jogou na Ponte Preta em 1968, e é lembrado na coluna Cadê Você.

2 - Quando alcançou a goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians, o Flamengo tirou o pé. Seus boleiros passaram a tocar a bola como estivessem brincando em roda de 'bobinho'. O time está certo de se poupar para evitar mais desgaste.

2A - Estourou no treinador corintiano Fabio Carilli, ontem ovacionado e hoje odiado em decorrência da má fase da equipe. É a cultura do futebol brasileiro.

DÁ PRA PARAR O BRAGA?

3 - Pra quem está em início de carreira, até que o treinador Thiago Carpini, do Guarani, estuda em detalhes armas de adversários de maior capacidade, e tem sabido anulá-las. Claro que apenas o tempo lhe dará a devida bagagem nas mexidas das peças quando a bola estiver rolando, assim como se defender de armadilhas de notáveis treinadores adversários.

Tem-se que reconhecer que contra o Atlético Goianiense, em Campinas, ele soube encaixotar o atacante Mike, principal jogador daquela equipe, e isso se repetiu na dura marcação sobre o atacante Guilherme, do Sport Recife, construtor e definidor das principais jogadas dos nordestinos.

Pra quem não tem rodagem à beira do gramado orientando equipes, Carpini pensou em aceitável projeto precedendo ao jogo contra o Sport, enquanto o veterano treinador Guto Ferreira - seu adversário - ficou apenas assistindo.

Guto tem rótulo de quem sabe montar equipes e retrospecto de campanhas aceitáveis por onde passa. Convenhamos, todavia, que estava em noite de raríssima inspiração ao não detectar que Guilherme estava encaixotado na marcação, no lado esquerdo do ataque. O comandante sequer imaginou trocá-lo de lado, até porque na direita o apenas razoável Hyuri conseguia levar alguma vantagem sobre o lateral bugrino Thalyson. Em última análise, Guto poderia posicioná-lo como atacante centralizado, mas deixou tudo do mesmo jeito.

ADERLAN

Pois agora surge novo desafio para Carpini: como não ser surpreendido pelo Bragantino, que valoriza a posse de bola como ninguém nesta Série B do Campeonato Brasileiro?

No caso específico do jogo desta terça-feira, em Bragança Paulista, a suspensão do lateral-direito Aderlan, do mandante, coloca mais uma interrogação para o treinador bugrino: o que fará o comandante adversário Antonio Carlos Zago para substituir o titular?

Com Aderlan em campo, sabe-se que ele se transforma num ponta-direita à moda antiga, e o zagueiro Léo Ortiz usa o corredor do lado direito para saída de bola, e sabe alongá-la à outra extremidade do campo.

Isso será mudado com o substituto de Aderlan?

O Bragantino envolve adversários no toque de bola, em busca do espaço desejado para espetar.

CLAUDINHO

Também tem capacidade de infiltração no toque de bola, e é time condicionado a finalizações de fora da área, contando com o especialista Claudinho neste quesito. Ele sabe pegar bem na bola.

Enfim, o repertório do Bragantino é sobejamente conhecido e difícil de ser barrado.

Diante do exposto, é natural que o Guarani redobre a marcação. E aí, vai também tentar sair pro jogo, ou a opção será o contra-ataque? E se contra-atacar vai contar com jogadores de velocidade?

O Cuiabá utilizou com sabedoria o contra-ataque diante do Bragantino. A estratégia adotada pelo treinador Marcelo Chamusca foi posicionar o lateral-direito Toty como atacante de beirada, exatamente para que fosse explorado na velocidade. E deu certo.

De qualquer forma, alguma coisa novamente precisa ser pensada por Carpini, além da postura de superação.

Seja como for, a cada rodada o jeito é o bugrino fazer contas e torcer para que concorrentes diretos não se aproximem.

A rodada passada não poderia ter sido melhor. Serviu praticamente para rebaixar o São Bento e amarrar Criciúma, Vila Nova e Figueirense.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos